EDUCAÇÃO

Programa Educa Belém encerra teleaulas durante as férias escolares

Com a suspensão das aulas, determinadas pelo Decreto Municipal 95.955, de combate à proliferação da covid-19, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), criou o programa Educa Belém, transmitido pelo canal aberto da RedeTV, 47. A medida serviu como uma das alternativas para manter o estudo em casa aos mais de 70 mil alunos das mais de 200 escolas da rede de ensino municipal. Nesta última sexta-feira, 12, o programa encerrou as teleaulas e entra de férias, para que a rede de ensino se prepare para o retorno das aulas presenciais, previstas para 16 de julho.

Com temas voltados para o ensino fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o programa tinha duração de duas horas e meia e cobria em dois períodos. De segunda a sexta pela manhã, de 9h às 10h30 para os alunos dos Ciclos I,II, III, que corresponde do 1º ao 7º ano. E no horário das 14h às 15h, para os alunos do Ciclo IV, que corresponde do 8º ao 9º ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), contando com a tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para atender os alunos com deficiência.

Com um mês de teleaulas, o programa proporcionou várias atividades pedagógicas aos alunos, destaca Socorro Aquino, titular da Semec. “Estamos muito felizes e parabenizo professores, alunos e a equipe que se envolveu neste trabalho em prol da educação. A contribuição dos professores da rede foi fundamental neste momento. E aqueles que participaram das teleaulas surpreenderam pela nova forma de educar”, disse, ressaltando que foi preciso criar uma nova metodologia de ensino, uma vez que a rede nunca tinha feito um programa de televisão, sendo uma novidade também para professores.

Sob o comando da Diretoria de Educação (Died), o programa contou com uma equipe formada por 35 professores e técnicos do Centro de Formação de Professores (CFP), Núcleo de Informática Educativa (Nied) e Núcleo de Ensino Fundamental (Nuenf). “Além dos conteúdos que já vinham sendo ministrandos antes da pandemia, foram trabalhados conteúdos novos de forma dinâmica, expositiva e criativa por meio de slides bem preparados de acordo com o planejamento pedagógico dos centros de referência em formação da rede e tudo dentro da proposta da Base Nacional Curricular Comum (BNCC)”, diz Ana Célia Carvalho, diretora de Educação.

Professores – Neste projeto, os educadores tiveram que se reinventar para a nova forma de lecionar. Como a professora de matemática Nataly Chaves Pinheiro, que há 12 anos leciona na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Palmira Lins de Carvalho, localizada na Marambaia, e conta que ficou honrada com o convite para participar do programa.

“Fiquei honrada de fazer parte do projeto. Todos os professores sabem que é um desafio ministrar uma aula transmitida pela televisão ou por uma plataforma on-line e que precisamos nos adaptar o quanto antes para que o aprendizado efetivo chegasse aos alunos. O feedback que tive é que a linguagem foi acessível e despertou o interesso do aluno em pesquisar mais sobre os assuntos das aulas”, disse a especialista em metodologia de ensino que retomou algumas pesquisas para escolher o melhor recurso para ser utilizado na televisão.

Durante a temporada, o programa teve também a participação de agentes de projetos desenvolvidos pela Semec como o “Direito de Ser Criança e Adolescente”, que busca fortalecer os direitos das crianças e combater a violência sexual infantil. Também foi possível acompanhar o projeto “Cantar-o-Lar”, com o músico Salomão Habib, que trabalha a musicalização entre os alunos, o projeto “Show Matemágico”, entre outros, que foram muito elogiados pelos pais e alunos.

Famílias - A enfermeira Samyele Mota Barbosa, mãe de Victoria Mota de Oliveira, de 12 anos, que tem síndrome de Down e é estudante do 7º ano da escola municipal de ensino fundamental João Nelson Ribeiro, localizada no Telégrafo, relata que o programa foi uma excelente estratégia do município.

“Para a Victória, a escola além de transmitir conhecimento é também um espaço para trocas de experiências, onde estão as principais amizades. Ela sente muita falta disse. E o programa ‘Educa’ apesar de não ter a mesma interação é superado pela imagem. Quando ela vê e ouve os professores é como se ela se aproximasse dos amigos da escola. As aulas são super didáticas. Sei que o educador não é treinado para falar na televisão e que foi um grande desafio que valeu a pena. Mesmo a minha filha tendo síndrome de Down, ela compreendia tudo. Tive a oportunidade de acompanhar uma aula excelente sobre violência sexual infantil. O programa foi nota dez. A experiência foi ótima, e gostaria até que continuasse mesmo com as aulas presenciais, como forma de apoio. Foi uma ferramenta pedagógica muito boa”, disse.

A dona de casa Luciane de Siqueira Pinto, mãe do Vítor Luís, de 7 anos, e da Jhamilly, de 9 anos, que estudam no Liceu Escola Mestre Raimundo Cardoso, em Icoaraci, também gostou muito dos conteúdos ministrados para os alunos. “A ideia do programa foi excelente. Coloquei eles para assistirem as aulas e revemos no YouTube. O conteúdo foi bom. Gostei quando foi abordada a violência sexual infantil, coloquei até o meu marido para assistir. A Semec está de parabéns. Sei que tem outros municípios que não tiveram essa iniciativa. Também já vínhamos recebendo material nos grupos de WhatsApp com os professores. Foi excelente e seria interessante se continuasse”, relata.

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