ASSISTÊNCIA





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Depois de cinco meses de funcionamento, com 273 pessoas em situação de rua atendidas e mais de 1.000 procedimentos médicos realizados, o Ginásio Altino Pimenta encerrou nesta quarta-feira (30) o atendimento humanizado aos acolhidos que apresentaram sintomas leves da covid-19. A diminuição da ocupação de leitos nos hospitais da rede pública e a baixa procura pelo serviço foi determinante para a decisão do encerramento das atividades.
A ação fez parte do plano de contingência de atendimento emergencial à pessoa em situação de rua com sintomas leves da covid-19, da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) em parceria com a Fundação Papa João XXIII (Funpapa), com a finalidade de pactuação e estratégias para o atendimento integrado às pessoas em situação de rua e aos migrantes em situação de vulnerabilidade e ou violação de direitos.
“Estamos encerrando um ciclo e iniciando outra etapa. Não vamos mais dar entrada em novos acolhidos. Agora estamos trabalhando o desligamento dos que permanecem de forma humanizada e buscando todas alternativas para eles não retornarem para as ruas. Todos que apresentaram os sintomas leves da covid-19 receberam o tratamento adequado e ficaram sendo acompanhados pela equipe da saúde e da assistência. Durante o tempo que permaneceram conosco procuramos ocupá-los com atividades de terapia ocupacional, rodas de conversa, momento de oração e sessão de filmes”, explicou a coordenadora, Elaine Ferreira.
Durante a fase de isolamento social foram garantidos espaços de proteção social às pessoas em situação de rua, por meio da oferta de serviços socioassistenciais em nível de proteção social especial de média e alta complexidade. Os acolhidos receberam atendimentos diários de consulta médica, tratamento contra a covid-19 e outras infecções e para pneumonia, tuberculose e HIV, tratamento clínico transtorno mentais e encaminhamentos para programas sociais.
De acordo com psicóloga do Consultório na Rua Rita Rodrigues, o saldo do plano emergencial foi positivo: “Conseguimos manter os serviços na rua, ampliação das equipes de saúde e um espaço que funcionou 24 horas durante todo período pandêmico. No total, 86 pessoas foram tratadas com as medicações utilizadas pelo protocolo do coronavírus e encaminhamos dois idosos para a nossa rede hospitalar que infelizmente vieram a óbito. Desde julho começamos a perceber uma queda nos números de casos e agora estamos trabalhando a saída gradativa de cada um deles, com suporte e encaminhamentos. Tivemos casos de pessoas que retornaram para a cidade de origem e outros que resgataram seus vínculos familiares. Foi muito significativo e gratificante”.
Está sendo avaliada a elaboração de um plano de monitoramento pós-pico pandêmico, com ampliação da rede estratégica Consultório na Rua para que os territórios que apresentem maior índice de vulnerabilidade estejam mais amparados. A equipe dará continuidade no trabalho com o monitoramento descentralizado nas áreas.
O serviço provisório disponibilizado no Altino Pimenta conseguiu ir além do atendimento aos acolhidos que apresentavam sintomas leves da covid-19. Foi também ambiente de escuta e troca de experiências. Além dos procedimentos médicos, o espaço proporcionou momentos de reflexão e lazer. No espaço foi montada uma estrutura com ambulatório médico, disponibilizados colchões, kits de higiene e garantidas alimentação e demais necessidades.
Samira Chagas, 44 anos, está acolhida há quatro meses no espaço e não pretende mais retornar para as ruas. “Fui muito bem tratada aqui, recebi todos os cuidados médicos. Lembro que estava jogada na rua com muitas dores e me sentindo fraca quando a equipe do consultório na rua me encaminhou para esse espaço. Desde que vim para cá me sinto outra pessoa, se estivesse na rua até hoje não estaria aqui para contar essa história. Graças a Deus a equipe está articulando meu encaminhamento para um abrigo”, contou Samira, emocionada.