LITERATURA

Livro paraense raro, publicado há 145 anos, é relançado em projeto virtual

Especializado no resgate de obras raras de viagem, o Grandes Viajantes relança livro do Barão de Marajó, que narra uma viagem de barco entre Belém e Recife

Um livro paraense raro está novamente disponível para os leitores. Escrito por José Coelho da Gama e Abreu, o Barão de Marajó, a obra Do Amazonas ao Sena, Nilo, Bósforo e Danúbio foi publicada em três partes, entre 1874 e 1876. E só por uma editora portuguesa, a Universal, de Lisboa. Nela, o autor narra uma viagem de barco entre Belém e Recife, com escalas em várias capitais brasileiras. Depois, ele segue para a Europa e para a África.

Na época da publicação, que ocorreu somente em Portugal, o livro foi elogiado pela crítica portuguesa: o escritor Camilo Castelo Branco o chamou de “moderno, com superior quilate de despretensão”. No entanto, de lá pra cá a obra caiu no esquecimento. É impossível achá-lo em sebos e livrarias e mesmo exemplares em grandes bibliotecas são raríssimos. Isso acaba de mudar por iniciativa do projeto Grandes Viajantes, lançado pelo site 360meridianos.com e que propõe resgatar livros raros de literatura de viagem.

“Nós encontramos referências à obra de Gama e Abreu em bibliotecas de Portugal. E localizamos uma cópia numa instituição dos Estados Unidos. Foi nessa edição, publicada há 145 anos, que nos baseamos para lançar a nova versão, em formato digital, moderna e atualizada”, explica Natália Becattini, jornalista e uma das organizadoras do projeto.

Toda a primeira parte da obra, em que Gama e Abreu narra a viagem entre Belém e Recife, antes do embarque para a Europa, foi atualizada. O livro tem 130 páginas, que incluem uma reportagem biográfica sobre o autor e notas explicativas sobre fatos que ele cita em seus textos, como a Revolta da Cabanagem e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré.

“No relato, nota-se a vontade de que o Brasil se transformasse em uma potência moderna. Um os pontos mais interessantes são as críticas à cultura política nacional, que ele acreditava ser um empecilho para o progresso: muitas delas permanecem atuais até hoje”, conta Natália. Gama e Abreu embarcou em Belém, num barco a vapor, e fez escalas no Maranhão, no Ceará, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

Autor de outros dois livros, ambos sobre a Amazônia, José Coelho da Gama e Abreu não se considerava um escritor. Ele fez carreira na política: foi presidente das províncias do Pará e do Amazonas, deputado, senador e prefeito de Belém, entre 1891 e 1894. Era amigo de Dom Pedro II e abolicionista, e reclamava do pouco interesse do turista brasileiro em conhecer o próprio país. Recebeu do Império o título de Barão de Marajó. 

 

Sobre o Grandes Viajantes

Especializado em turismo, o site 360meridianos.com precisou se reinventar por conta da pandemia. A saída encontrada foi a literatura de viagem, por meio do projeto Grandes Viajantes. “Nosso foco é resgatar livros raros, já quase esquecidos, e dar versões modernas, em formato digital e com capa ilustrada por artistas contemporâneos independentes”, explica Natália.

Este é o quarto livro resgatado pelo projeto, que também já reeditou obras de Júlia Lopes de Almeida, Nísia Floresta e João do Rio. O Grandes Viajantes é um clube de assinaturas: todos os apoiadores recebem um livro por mês, sempre em formato digital. A assinatura custa nove reais.

As obras são disponibilizadas como e-book e podem ser lidas de qualquer dispositivo eletrônico: celular, computador, tablet ou Kindle.

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