SAÚDE MENTAL E BUCAL

Ansiedade e estresse: uma combinação perigosa para sua saúde bucal

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apontou que, este ano, cerca de 80% da população brasileira se tornou mais ansiosa e os impactos dessa realidade na saúde são grandes

Ficar em casa, sair com medo, administrar horários diferenciados de trabalho, se ajustar a mudanças de rotina, a expectativa de uma segunda onda da pandemia de covid-19, além de outros possíveis problemas de ordem pessoal: causas para quadros de estresse e ansiedade não têm faltado nos últimos tempos.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apontou que, este ano, cerca de 80% da população brasileira se tornou mais ansiosa e os impactos dessa realidade na saúde são grandes, afetando desde a mente ao organismo físico como um todo.

Uma das partes do corpo, ainda pouco falada, mas que também tem tido prejuízos pelo aumento dos níveis de estresse e ansiedade é a boca. Segundo a dentista do Hapvida, Marina Toppino, os problemas bucais mais comuns provocados por esses males psicológicos são o apertamento mandibular e o bruxismo. "O bruxismo e o apertamento estão associados, muitas vezes, a estresse, cansaço, ansiedade e outros fatores psicológicos. Além disso, eles podem causar sérias disfunções na articulação temporomandibular, que é responsável por ligar a mandíbula ao crânio", afirma a especialista.

A dentista explica que o bruxismo é caracterizado pela fricção ou ranger dos dentes, o que causa desgastes e dores. Ele ocorre principalmente à noite, também ligado a distúrbios de sono que podem ter origem psicológica. O apertamento mandibular, por sua vez, pode ocorrer em mais momentos ao longo do dia, mesmo com a pessoa acordada, principalmente provocado por tensões e picos de estresse.

Segundo a médica, a principal queixa que chega aos consultórios referente a esses problemas é a dor de cabeça, na mandíbula, na boca ou ao fazer movimentos para falar e comer. Ela conta como, em alguns casos, a principal suspeita para os problemas deixa de ser orgânica e passa a ser psicológica: "Quando o paciente chega no consultório com essas queixas, a gente avalia como está sua mastigação, verifica todos os toques que está tendo na mordida. Se não for observada nenhuma alteração nesses movimentos, podemos encaminhar para o psicólogo porque provavelmente pode haver um fator psicológico por trás".

Apesar de mais comum em adultos, o apertamento e o bruxismo também têm afetado crianças, conforme afirma a dentista. "Tem tido mais casos desses em crianças hoje em dia. Desde cedo elas estão sendo super estimuladas por aparelhos eletrônicos, excesso de atividades e outros fatores que geram ansiedade e estresse", alerta a especialista.

Para cuidar da saúde e evitar problemas como esse, Marina orienta que manter bons hábitos de saúde são indispensáveis e os principais seguem a regra geral: primar por um sono regular, usufruir de períodos de descanso ao longo da semana, manter uma alimentação balanceada e, especialmente, visitar o dentista pelo menos uma vez ao ano. "Apenas o dentista pode diagnosticar corretamente o problema e sua causa. Se for preciso, sugerimos o encaminhamento para outra especialidade pertinente", ela afirma.

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