INCLUSÃO

Boas experiências na Educação Inclusiva impulsionam atendimento educacional especializado em Belém

Superação é uma palavra que representa bem a Educação Inclusiva. E com a pandemia do novo coronavírus, ela se potencializa ainda mais. O pequeno Miguel Siqueira, de 6 anos, diagnosticado com o transtorno do espectro autista, que em 2020 era estudante do Jardim II, na Escola Municipal Palmira Lins de Carvalho, é um dos exemplos de superação entre os cerca de 2 mil estudantes da rede municipal de ensino de Belém.

Com atividades remotas e em parceria com a família, Miguel conseguiu um desenvolvimento significativo na comunicação e no aprendizado e agora, em 2021, seguirá para o 1º ano. Um resultado que reflete o empenho de professores e estagiários das salas de recursos multifuncionais do município.

“Em 2020 tivemos 27 dias de aulas presenciais. E logo veio a pandemia. Não foi fácil, porque mudou a rotina de todos. Algumas crianças voltaram para os seus locais de origem. Mas apesar de tudo o ponto positivo foi que consegui fazer, ainda no início do ano, a diagnose para conhecer a história de vida de cada um dos alunos que atendo. E o Miguel foi um deles. O anseio dos pais, claro, era que o Miguel aprendesse a ler e escrever. Iniciei o trabalho com atividades de contação de história, música e recursos pedagógicos. Com materiais que ele gostasse, como brinquedos de encaixe, massa de modelar e outros. Além de uns mimos como chocolates e jujubas”, relata Sheila Cristina Ferreira da Silva, psicopedagoga.

As atividades remotas foram entregues aos responsáveis durante a distribuição do kit de gêneros alimentícios a cada quinze dias. Em agosto, Sheila criou um grupo no aplicativo de mensagem para orientar os pais a realizarem as atividades com os filhos. “Tive um retorno positivo de muitas famílias, e a do Miguel foi extremamente responsável com o ensino-aprendizagem dele. Criei um vínculo com a estagiária Rayla Larissa Ferras Souza, que foi fundamental neste processo. Adaptamos o alfabeto móvel para ele reconhecer as letras. Estimulamos o Miguel a explorar o papel, dar forma ao desenho e recortar. Ensinamos a escrever o nome dele e foi muito gratificante. O Miguel começou também a se expressar pela fala. Foi lindo e agradeço por fazer parte deste processo”, disse Sheila emocionada.

Delcinalva Siqueira, mãe do estudante, conta que o acolhimento da professora e da estagiária junto com o plano de ensino supriu as expectativas, mesmo com a pandemia. “Desde a época que estudava no anexo escolar Santa Rita, o Miguel sempre foi bem assistido pelas professoras. E a professora Sheila foi muito importante com toda essa estrutura, mais a estagiária. Criamos essa conexão escola e casa, e ajudou bastante. No início foi difícil, porque o professor aprendeu a forma correta de ensinar e nós não. Convidamos a Rayla pra ir a nossa casa dar esse suporte e ela aceitou, e a professora Sheila ia elaborando as atividades adaptadas ao Miguel. Então, com o tempo, ele começou a falar, soltar algumas palavras, ter mais coordenação motora e melhorou a escrita. Quando chegou o final do ano, pude ver o progresso e as habilidades que ele tinha alcançado”.

Para celebrar essas conquistas, Delcinalva que trabalha com fotografia em eventos, produziu um ensaio com a Rayla, que formou em pedagogia e o Miguel que concluiu o jardim II. “Graças a Deus tive o acompanhamento da professora Sheila. Ainda nas aulas presenciais ajudava ele a interagir com coleguinhas e a fazer as atividades. Com a pandemia, continuei dando atendimento em casa. Tivemos uma produtividade muito boa. Hoje, o Miguel é uma criança totalmente diferente. Como estagiária, na época, foi muito importante encontrar profissionais solidários na rede municipal. Fiquei amiga da família e graças a Deus ele está evoluindo bastante”, disse.

Educação Inclusiva – A Secretaria Municipal de Educação (Semec) atende cerca de 2 mil crianças com deficiência nas 69 salas de recursos multifuncionais e núcleos especializados distribuídas nos oito distritos administrativos. Esses espaços recebem o suporte do Centro de Referência em Educação Inclusiva “Gabriel Lima Mendes” (Crie), responsável pelo atendimento especializado e formação de professores. Todos os alunos são avaliados conforme é garantido por lei.

“Este ano estamos aplicando o filtro durante a matrícula, para garantir a quantidade adequada de estudantes especiais em cada turma conforme determina a lei. E o prefeito Edmilson Rodrigues, por meio da Semec, firmou parceria com a Coordenadoria Estadual de Políticas para o Autismo para ampliar o atendimento educacional a pessoas com TEA, com o suporte da Secretaria Municipal de Saúde e Fundação Papa João XXIII. Vamos nos reunir para planejar algumas ações. Também fechamos parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia e 50 professores irão participar do curso de especialização de aperfeiçoamento do transtorno do espectro autista, ainda neste primeiro semestre de 2021. A Semec está atuando nessas três vias para garantir a educação inclusiva para crianças, jovens, adultos e idosos”, relata Dorilene Melo, diretora de educação.

A história do Miguel chegou ao conhecimento da secretária de educação, Márcia Bittencourt, antes mesmo de assumir o cargo e destaca a importância do professor comprometido com a educação. “Antes de ser secretária da Educação, já tinha conhecimento por vídeos das atividades que as crianças estavam realizando. Sempre fiquei emocionadíssima. Gostaria de destacar a importância do professor neste momento de pandemia que, com todas as dificuldades, encarou o desafio. E a professora Sheila Cristina fez isso, não só com o Miguel, mas com toda a sua turma. Ela fez um trabalho multidisciplinar belíssimo com as crianças e suas famílias. Fiquei muito emocionada. É isso que a gente espera em 2021. Que exemplos exitosos possam se multiplicar na rede. Que professores consigam fazer um bom trabalho”, declarou Márcia.

 

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