EDUCAÇÃO

Cursinho Pré-Vestibular Municipal desafia o abandono para se aproximar da comunidade

Até o ano passado, o Cursinho Pré-Vestibular Municipal funcionava em uma sede no bairro da Cremação, em Belém, e atendia 1.200 alunos, em três turnos. Mas no dia 4 de janeiro, quando a nova coordenação assumiu o espaço, houve um choque. Toda a estrutura foi desmontada. Computadores, fiação elétrica, ar-condicionado, iluminação dos corredores, até as cadeiras foram levadas. 

A coordenação do cursinho buscou a procuração dos equipamentos do local em outras secretarias, em vão. Diante do desmonte e da impossibilidade de continuar pagando um aluguel acima da média, eles vão entregar o imóvel até o fim deste mês. Eles estão de mudança para um prédio da Prefeitura, no bairro do Reduto, que passará por uma reforma para abrigar a nova sede do Cursinho. Enquanto isso, eles vão negociar junto à Semec para conseguir alguma escola onde possa funcionar o administrativo, até a sede da Gaspar Viana ser reformada.

A partir de segunda- feira, 01 de março,  a equipe administrativa do Pré-Vestibular Municipal Belém estará atendendo o público escolar no espaço da  Escola Municipal Manuella de Freitas,  até a concretização da reforma do prédio da nova sede.
A escola fica na Avenida Gentil Bittencourt, 2822, entre José Bonifácio e Barão de Mamoré. O horário de atendimento será de 8 às 15 horas.

Descentralização - A Fundação Centro de Referência em Educação Ambiental Escola Bosque “Professor Eidorfe Moreira”, a Funbosque, é o órgão geral da gestão do Cursinho Pré-Vestibular Municipal. Assim que for concluída a mudança para o novo espaço, o Cursinho irá iniciar a abertura do edital e o processo seletivo.

A meta é contemplar 1.600 alunos. As aulas continuarão remotas por causa da pandemia. Mas assim que for possível, o Cursinho terá suas aulas descentralizadas, chegando às periferias. Serão criados pólos, na Agência Distrital de Mosqueiro, na Escola de Pesca, em Outeiro, e por meio de uma possível parceria com o Estado, ocupar algumas escolas que estão com auditórios ociosos, que têm capacidade de abrigar um grande público nas periferias, e ainda existe a ideia de ocupar o auditório da Aldeia Cabana.  Ao todo serão 4 distritos administrativos, em Mosqueiro, Outeiro, Benguí e entorno,  Barreiro e entorno. 

“Na nossa lógica de construção política, temos percebido que os alunos, em sua maioria, têm dificuldades de chegar ao Centro. As mães e pais, às vezes, precisam escolher entre pagar um lanche para o seu filho, ou pagar as passagens de ônibus. Tinha aluno que chegava aqui a pé. Estamos em um momento pandêmico, onde as famílias estão ainda mais comprometidas financeiramente, e quando voltarmos às aulas presenciais teremos muita evasão por conta disso”, destaca Joelma Ferreira, 41 anos, coordenadora pedagógica do cursinho.

As aulas remotas, por meio da plataforma no Facebook ( PVMB Transmissão), são abertas ao público.  O corpo docente do Cursinho é formado por 18 professores, que comemoram a descentralização do ensino, quando ele voltar a ser presencial.  “Vejo essa descentralização de forma muito positiva, já que nosso aluno tem muita dificuldade em chegar à nossa sede, aqui no Centro, e muitos deles ficam pelo caminho. Com a gente levando o cursinho para mais perto desses alunos, a possibilidade de eles continuarem é bem maior”, pontua Agnaldo Cunha, 45 anos, professor de matemática.

Expectativa dos alunos - “O Cursinho Pré-Vestibular Municipal é uma ótima oportunidade para quem vem de escola pública, como eu, e não tem condições de pagar por cursos da elite”, declara Roberta Pereira, 18 anos, que tenta uma vaga para Engenharia de Telecomunicações, na UFPA, e espera pelo resultado do ENEM.

Assim como Roberta, Sinara Inácio, 18 anos, também freqüentou as aulas do Pré-Vestibular Municipal no ano passado, e se sente preparada para conseguir uma vaga, no curso de Licenciatura em Letras.  “O cursinho me ajudou bastante e confio muito no meu preparo. A rede de professores é altamente qualificada. O nível de ensino é muito bom. E olha que sou muito criteriosa com estudo. Se não tivesse o nível que eu esperava, eu não teria continuado aqui”, revela Sinara. 

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