“Mitos Vivos”

Uma equipe da Render Brasil Produções, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, está no Pará gravando depoimentos para a série nacional “Mitos Vivos”, que aborda as lendas que fazem parte do imaginário popular brasileiro. Um dos entrevistados é Átila Monteiro, filho do escritor Walcyr Monteiro e fundador da editora que leva o nome do pesquisador que dedicou a vida a documentar essas manifestações culturais.
A série tem material colhido em seis estados brasileiros. No Pará serão abordadas duas lendas, o Boto e a Matinta Perera. Fábio Flecha, produtor e diretor da série, explica que o projeto, quando estiver finalizado, terá passado por 12 cidades do País, incluindo Belém e Ananindeua. “Serão dois episódios só no Pará. A série é documental, mas com finalização de ficção. O foco é cultura popular, sobre como as pessoas da região falam do mito pertinente ao local. Na verdade, falamos muito mais das pessoas do que do mito. A gente quer mostrar a diversidade e riqueza da cultura do país. Temos material para fazer pelo menos umas quatro temporadas, tão rica é a cultura popular brasileira”.
Ainda segundo o diretor da série, o depoimento de Átila Monteiro trouxe muitas informações importantes. “Ele tem uma característica diferente dos outros, de ser uma pessoa que acompanhou as pesquisas do pai dele, ou seja, ele pode falar não só do ponto de vista de um fã, mas de quem acompanhou os registros de muitas histórias, isso é diferenciado”.
“Foi um imenso prazer e um momento de emoção muito grande, porque pude recordar todos os ensinamentos que o meu pai me passou ao longo de sua vida. Sobre a importância do folclore e das lendas amazônicas, não só para a cultura, como para a identidade do nosso povo. O Walcyr Monteiro é referência no Pará, na Amazônia e no Brasil para qualquer um que queira falar sobre folclore”, afirmou, por sua vez, Átila Monteiro.
Sobre os projetos que tenham a documentação das lendas e visagens como foco ele afirmou: “É importante que cada um de nós dê continuidade, seja contando ou escrevendo histórias, divulgando ou simplesmente apreciando essa parte importante da nossa cultura, para que elas fiquem para a posteridade”, completou.
Produção da série nacional terá apresentação do filho de Almir Sater
Com apresentação de Gabriel Sater, filho do cantor Almir Sater, a série “Mitos Vivos” vai falar sobre as seguintes lendas: de São Luiz do Paraitinga (SP), “Corpo Seco”, um mito local e de algumas regiões do Brasil que conta a história de um homem mau e avarento que foi amaldiçoado ao negar esmola para frades pedintes. Quando ele morreu, seu corpo secou e não pode ser enterrado. Dizem que este corpo seco ainda está lá e que aparece às pessoas que atravessam aquela região à noite. No mesmo estado a equipe também passou por Joanópolis, conhecida como a capital do Lobisomem no Brasil.
Em Minas Gerais coletaram depoimentos em Barão de Cocais, sobre a Mula sem Cabeça e em Mariana, sobre o Caboclo D’água, um monstro faminto que ronda os arredores da cidade. Ele seria o cruzamento de macaco, galinha e lagartixa.
No Mato Grosso do Sul serão contadas as histórias do Saci Pantaneiro, de Corumbá, e sobre o “Pai do Mato”, uma entidade que protege a floresta local, em Miranda. “Ainda vamos para Alegrete para falar sobre o Negrinho do Pastoreio e Quaraí, no Rio Grande do Sul, sobre a Salamanca do Jarau. Também para Caruaru, em Pernambuco. Lá nosso tema é a Comadre Fulozinha, que é o espírito de uma cabocla de longos cabelos negros, e nossa última parada será em Fernando de Noronha, onde vamos documentar a história da Alamoa, uma versão brasileira de uma sereia nórdica cujos relatos vêm desde 1776”, conta Fábio.
“O que a gente quer mostrar é que a linguagem do audiovisual é muito poderosa para registrar essas histórias. Queremos incentivar as pessoas a saberem mais sobre esses mitos. Primeiro os que estão próximos e também os de outros locais do Brasil, que tem uma riqueza muito grande”, completa.
Belém e Ananindeua em foco na série nacional
Além de fazer pesquisas sobre os mitos e lendas da região amazônica, no Pará a equipe formada por seis pessoas está conversando com os ribeirinhos, que vão falar sobre o dia-a-dia da comunidade. “O mito é uma maneira de contar mais sobre essas pessoas”, afirma o diretor.
A série, que reúne no total 30 profissionais, será veiculada primeiramente na TV Brasil, mas a ideia é oferecer para outras plataformas, especialmente de streaming. As gravações seguem até maio, com finalização em setembro deste ano e exibição em 2023, ainda sem data definida.
“Eu já tinha visto um pouco sobre o trabalho de Walcyr Monteiro, mas vim conhecer profundamente agora, mesmo porque faz parte da nossa produção, não pesquisar muito antes de chegar no local. É importante que as pessoas da região falem, se não a gente vem com uma imagem pré-concebida. A gente tem uma preocupação em chegar e aprender mais no próprio local”.