Falecimento

Belém se despede do arquiteto e professor Flávio Nassar

O arquiteto e professor Flávio Sidrim Nassar faleceu, nesta quarta-feira (23), no Hospital AC Camargo, em São Paulo (SP), onde estava internado há 20 dias para tratamento de uma síndrome sistêmica e rara, não definida pela equipe médica. Aos 69 anos, ele deixa esposa Mirtes Morbach Nassar, três filhos, cinco netos, mãe e irmãs, enlutados com a sua partida. A despedida de Flávio Nassar será nesta quinta-feira (24), a partir das 15h, na Capela do Palácio Lauro Sodré (Praça Dom Pedro II), na capital paraense.

Com seu profissionalismo, inteligência e amizade, Flávio Nassar foi atuante no cenário acadêmico e cultural de Belém, sua cidade natal. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA), além de professor, foi pró-reitor de Relações Internacionais da instituição, contribuindo para posicioná-la como referência na Amazônia e articulando parcerias com vários países.

Na sua trajetória profissional, Flávio Nassar prestou serviços importantes à valorização do centro histórico da capital paraense, sempre guiado pela visão cuidadosa do arquiteto talentoso e apaixonado por Belém. Estava como coordenador do Fórum Landi, projeto dedicado à revitalização do centro histórico, com foco na pesquisa da obra de Antônio Landi, no bairro da Cidade Velha. Também foi servidor do Governo do Estado, na Secretaria de Estado de Cultura (Secult), na Companhia de Habitação do Pará (Cohab) e no Instituto do Desenvolvimento Econômico Social do Pará (Idesp), assim como consultor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O governador Helder Barbalho publicou posts em suas redes sociais sobre o falecimento do arquiteto, reforçando o legado deixado na sua área de atuação. “Recebi a triste notícia do falecimento do arquiteto e professor, Flávio Nassar. Grande referência, ele foi coordenador do Fórum Landi e uma figura importante na valorização do centro histórico de Belém. Minha admiração pelo legado deixado. Meus sentimentos aos familiares e amigos”, escreveu.

Arquiteto como Flávio Nassar, o prefeito Edmilson Rodrigo também manifestou admiração e respeito pelo professor. “Fui aluno do arquiteto e professor Flávio Nassar na UFPA. Aprendi a admirá-lo, a respeitá-lo. Um pensador com obras profundamente literárias, mesmo que voltadas a pensar o urbanismo, e muito especialmente a pensar científica e carinhosamente sobre a nossa querida Belém do Pará”, afirmou. Segundo ele, a constituição do Fórum Landi foi um esforço coletivo e uma conquista da universidade, “mas é antes de tudo, um esforço que só teve bons resultados, porque estava no seu comando alguém com a respeitabilidade e o compromisso com a memória, como o professor Flávio Nassar”, acrescentou.

Em 2019, Flávio Nassar publicou o livro “Corpo Opaco” com mais de 100 poemas, o primeiro do gênero. A obra reflete a inquietude de um "comunista querendo ser niilista", conforme se descreveu no lançamento, que traz à tona reflexões sobre a natureza humana em tempos de desesperança. Esse foi o segundo livro literário dele, que, no ano 2001, lançou o romance “Armagendon na Cidade do Pará e a Polêmica Ressureição do EncoleCobra”.

Para o amigo Jorge Alex Athias, advogado e sócio do escritório Silveira & Athias, a cena urbana de Belém perdeu um dos seus mais importantes personagens, deixando um vazio imenso no seu coração e representando um terrível golpe para a cidade de. “Dizer isso pode ser um lugar comum nessas circunstâncias, mas é a única expressão que me ocorre. O Flávio não era somente um intelectual brilhante, independente e corajoso; ele adorava uma polêmica. Comprava debates e confrontos, falando com clareza e sem a menor preocupação se agradava ou se desagradava pessoas, partidos e grupos na defesa das suas posições. Era da sua natureza. Eu perdi um querido amigo, um irmão”, afirmou.


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