Palmas 33 anos

Educação como troca de conhecimento: estudantes e professores aprendem diariamente

Prática adotada na ETI Fidêncio Bogo vai além do ensino tradicional, com visitas às casas das famílias dos alunos

Através do Projeto Conhecer, os profissionais da educação na ETI Fidêncio Bogo visita a casa dos alunos (Foto: Luciana Pires/ Prefeitura de Palmas )

A Escola de Tempo Integral (ETI) Fidêncio Bogo, localizada na área rural de Palmas, região Taquaruçu Grande, tem buscado colocar na prática o legado do patrono da educação brasileira, o educador Paulo Freire. Construir uma educação inclusiva e que reflita a realidade dos alunos e das suas famílias, integrando a comunidade e os profissionais da educação. Uma das medidas para garantir essa proximidade é o Projeto Conhecer, em que os profissionais da educação visitam as casas dos alunos e assim conhecem os desafios que estes enfrentam até chegar à escola.

“É a oportunidade de vermos onde os nossos alunos moram, se tem saneamento, água encanada, banheiro, energia elétrica. Como são as condições de moradia, sua rotina, alimentação e os laços familiares”, detalha a professora Marina Augusta Kamei Melo. Ela conta que tem caso de crianças que precisam fazer um grande percurso até pegar o ônibus, passando por atoleiros; chegam molhadas na escola, inclusive o material escolar, porque não têm uma capa de chuva para se proteger. “Esse aluno já chega em condições desfavoráveis e envergonhado, e precisamos entender a situação e acolhê-lo. Conhecer a realidade dos alunos é uma forma de sensibilizar os profissionais da educação”, argumenta Marina.

A professora Marina defende que conhecer a realidade dos alunos possibilita aos professores conhecerem melhor os seus comportamentos

A professora comenta que os alunos recebem os profissionais com muita alegria, querem mostrar o quarto, sua casa, o quintal. “É um momento muito especial, em que os alunos também se sentem importantes e amados pela escola. Essa observação possibilita para nós, professores, entendermos melhor o comportamento de cada aluno”, comenta.

Marina relata que, em algumas visitas, é possível encontrar situações precárias, como falta de condições mínimas ou ambiente de violência. Nesses casos, a escola busca o Conselho Tutelar e adota as medidas necessárias para garantir o bem-estar dos seus alunos. “A educação precisa ir além da sala de aula, para ser efetiva e realmente integrar os alunos”, finaliza.

Educação e liberdade

Paulo Freire defendia uma maneira de educar ligada ao cotidiano dos alunos e às suas experiências, amparada no diálogo entre professor e aluno. A ETI Fidêncio Bogo, ao reivindicar o ensino da agroecologia, conecta-se com a comunidade de Taquaruçu Grande e o cotidiano dos seus alunos, que vivenciam a vida no campo. Os alunos aprendem técnicas de plantio, criação de animais, o processamento dos alimentos e também a comercialização, com incentivo ao empreendedorismo.

Maria Aline Putêncio Reis é uma das mães de alunos da ETI. Ela faz elogios pelo cuidado com a educação da sua filha e diz que é muito bom receber os professores na sua casa. “Além desse cuidado em saber a realidade de cada aluno, minha filha, Pâmela - estudante do 3º ano do ensino fundamental -, tem aprendido e também ensina muitas coisas para nós. Com ela aprendemos a cultivar ervas medicinais e temperos. Ela fez mudas na escola e vendeu na feira da escola, aprendendo a colocar o preço no produto e comercializar. E, no dia a dia, ela fica me contando como posso usar o açafrão, o alecrim e o urucum para temperar a comida”, compartilha.

O projeto Mais Agroecologia ensina desde a produção, processamento e também a comercialização dos produtos, buscando ampliar o conhecimento dos alunos. “Nosso objetivo não é transformar os alunos em produtores rurais, mas hoje seus pais vivem essa realidade e eles também, queremos ensinar de forma integrada com suas vivências. Essa troca de experiências, em que os alunos levam o conhecimento deles, mas também trazem o que já sabem, assim como seus pais participam de oficinas partilhando suas habilidades”, explica o professor Edivan Araújo Batista.

Edivan conta que a produção dos alunos, desde a horta, mudas, ovos das galinhas e codornas, os alimentos que aprendem na cozinha experimental, são comercializados em uma feira, oportunidade em que são ensinados e motivados a precificar os produtos e a comercializá-los.


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