CULTURA

História Hoje: Pará celebra Dia do Carimbó

O nome e os tambores são de origem indígena. O ritmo animado vem do batuque africano. Uma tradição que se consolidou no Brasil entre agricultores e pescadores da região amazônica, no Pará

(Foto: Gustavo Serrate/Ministério da Cultura)

O nome e os tambores são de origem indígena. O ritmo animado vem do batuque africano. Uma tradição que se consolidou no Brasil entre agricultores e pescadores da região amazônica, no Pará. Assim, é o carimbó, celebrado em 26 de agosto na capital paraense, Belém. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do Mestre Verequete, considerado o Rei do Carimbó.

A palavra deriva de korimbó, que em tupi significa pau oco que produz som. O nome é dado ao instrumento de percussão principal desse gênero musical. Além desse tipo de tambor, a música tradicional conta com o ganzá, o reco-reco, o banjo, a flauta, os maracás, o afochê e os pandeiros.

Quando a música começa a tocar, os casais formam uma roda. As mulheres fazem movimentos circulares com a saia como se fossem jogar a peça sobre a cabeça de seu par. Os passos são marcados com um dos pés sempre à frente do corpo. Existe ainda o momento conhecido como a dança do peru, quando o dançarino precisa pegar só com a boca um lenço caído no chão.

Os registros de como e onde a tradição popular começou são imprecisos. Os pesquisadores Marena e Vicente Salles, relatam em um artigo, que uma lei de 1880, previa multa para quem fizesse barulho com o instrumento carimbó em Belém. Há ainda um registro histórico do escritor José Veríssimo que fala de uma dança indígena dos Mawé que se assemelha ao carimbó.

Mas, foi no século XX que o gênero passou a ser mais difundido. Em 26 de agosto de 1916, nasceu aquele que seria o grande expoente do carimbó, a partir da década de 70. Conhecido como Mestre Verequete, o paraense Augusto Gomes Rodrigues despontou como ícone da cultura regional. Como compositor, colocava nas canções temas do cotidiano das comunidades locais. Durante a carreira, Mestre Verequete gravou dez discos e quatro CDs.

Em homenagem ao “mais antigo e ardoroso divulgador”, foi instituído, em 2004, o Dia Municipal do Carimbó, em Belém, do Pará. A data foi criada “para reunir, confraternizar, divulgar e homenagear os artistas que fizeram e fazem a história do Carimbó paraense”.

Entre 2008 e 2013, o Iphan realizou o Levantamento Preliminar e Identificação do Carimbó nas Mesorregiões Nordeste Paraense, Metropolitana de Belém e Marajó. E em 2015, o Carimbó recebeu oficialmente o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.


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