Literatura

Walcyr Monteiro terá obra póstuma lançada este ano

Se estivesse vivo, o pesquisador e escritor Walcyr Monteiro estaria completando 83 anos nesta sexta-feira (27).

Mesmo quase quatro anos após sua morte, em 29 de maio de 2019, ele segue como um dos nomes mais importantes da literatura paraense, e sua principal obra, “Visagens e Assombrações de Belém”, serve de referência para novos escritores que mergulham no universo fantástico das histórias e lendas da Amazônia e de fora dela.

O filho do escritor e curador de sua obra, Átila Monteiro, ajuda a manter a memória do pai em relevância no cenário literário, com a criação da editora que leva o nome do autor paraense. Ele revela que, ainda este ano, será lançado o “Visagens e Assombrações de Belém - Volume II”, com textos que Walcyr Monteiro deixou prontos antes de falecer.

Atila Monteiro. Foto: SidneyOliveira.

Átila destaca a responsabilidade que assumiu ao cuidar do acervo de seu pai. “É uma mistura. Alegria por ver que meu pai ainda hoje continua vivo e atual nos livros e assuntos sobre os quais escreveu; responsabilidade, porque como herdeiro literário de Walcyr Monteiro não posso deixar morrer essa semente que ele deixou plantada, representada por suas obras, e que representam tão bem o folclore e cultura da nossa terra”, afirma.

A publicação está em fase final de edição, depois seguirá para revisão final, definição de ilustrações e impressão. A ideia é que, assim como Walcyr costumava fazer em todas as suas obras, o livro traga ilustrações de artistas paraenses para enriquecer as narrativas. “Me comprometi com meu pai, em seu leito de morte, em continuar editando, publicando e sobretudo falando da importância das lendas, mitos e do folclore amazônico. Nesse contexto, descobrimos ainda em 2019 que papai tinha deixado quase pronto o Visagens e Assombrações de Belém 2. Daí, desde aquele ano, vimos tentando tornar realidade este sonho, que é publicar mais esta obra de Walcyr Monteiro, o que esperamos fazer na Feira Pan-Amazônica do Livro deste ano, se Deus quiser!”, revela Átila.

O livro terá novas histórias que não entraram na primeira publicação, coletadas pelo escritor na década de 1970, e contará, também com informações sobre a cidade e sobre os cemitérios que estão presentes em várias das histórias contadas nos livros. Átila lembra que foi difícil selecionar o que entraria na nova edição, porque são muitos os relatos colhidos pelo escritor. “É uma característica da nossa cidade e da nossa região ser ‘visagenta’. Veja que não tem um bairro de Belém, uma cidade da nossa região em que você não encontre alguém te contando um ‘caso’ ou uma famosa história de algo sobrenatural que aconteceu com um amigo ou com um parente próximo. Acredito que isso se deve ao fato de na Amazônia termos, presente em nossa cultura, vários personagens que não têm uma explicação racional ou científica, tal e qual a Matinta-Perêra, o Boto, o Curupira, a Iara, entre outros”.

As histórias contadas por Walcyr Monteiro saíram dos livros e chegaram ao cinema, à televisão e, mais recentemente, às redes sociais. Átila, conta que o pai estava sendo procurado por produtoras para filmarem algumas das histórias registradas em seus livros. “Inclusive, antes de sua morte, em maio de 2019, já havia alguns canais de televisão que produziam programas baseados em suas obras, como a TV Cultura, com o programa Catalendas. Eu mesmo já fui procurado por algumas redes de televisão interessadas em produzir algo sobre as obras de papai”, comenta.


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