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Feira divulga artigos produzidos pelos povos indígenas do Xingu e fomenta economia local

Realizado durante o IX FECANT, evento movimentou cerca de R$ 64 mil com a venda de produtos originais de nove diferentes etnias.

Com um volume de comercialização da ordem de R$ 64 mil, a II Feira Indígena de Economia Criativa expôs, na Orla de Altamira, a diversidade cultural e os saberes de nove povos indígenas que habitam o Médio Xingu, representados em criações artísticas exclusivas. Os povos Arara, Kararaô, Xipaya, Xikrin, Assurini, Araweté, Parakanã, Juruna e Kuruaya apresentaram os artesanatos produzidos em miçangas, sementes, fibras e madeira como bolsas, brincos e pulseiras, cestarias diversas e grafismos em tecidos e roupas. Além disso, os visitantes puderam conferir produtos alimentícios fabricados artesanalmente, como geleias, chocolates licores, frutas desidratadas, farinhas, e, ainda, ter na pele a pintura corporal feita pelos próprios indígenas no local.

A II Feira Indígena de Economia Criativa é uma iniciativa da Norte Energia, como parte das ações do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina Hidrelétrica Belo Monte e é realizada em parceria com Festival da Canção da Transamazônica (Fecant) e as Organizações Indígenas do Médio Xingu. O objetivo é valorizar a diversidade cultural e a importância dos saberes dos povos indígenas da região de influência da Usina.

Durante as três noites do Fecant, de 9 a 11 de novembro, o público pode admirar e adquirir os produtos diretamente dos indígenas. Para Lucia Xipaya, moradora da Terra Indígena (TI) Xipaya, a feira é um momento importante para mostrar ao mundo a sua cultura. “A gente trabalha com o artesanato e produz as joias da floresta, pois sobrevivemos dela e buscamos preservar, usando só as sementes. Vir para a feira mostrar o nosso artesanato incentiva o meu povo e meus parentes a produzirem e preservar a nossa cultura”, disse.

O povo Assurini também expôs sua arte durante o evento. O cacique Takuja Assurini conta que a produção do artesanato é uma relação familiar que passa de geração para geração. “Na nossa aldeia, a gente aprende com os mais velhos para passar para os nossos filhos. Trouxemos para a feira um pouco da nossa cultura, do nosso artesanato e a pintura corporal feita pelas mulheres”, contou.

Takuja Assurini

Desde sua primeira edição, em 2022, a feira promove a comercialização de produtos e fomenta a renda das comunidades indígenas atendidas pelo PBA-CI, fortalecendo as relações e proporcionando a divulgação da cultura e da identidade étnica dos povos do Médio Xingu. “O Médio Xingu representa um contexto indígena importante para o país e a feira é uma oportunidade de mostrar a relevância cultural dos nove povos indígenas que habitam a região, refletida em artigos e produtos. Por meio da Feira Indígena de Economia Criativa, materializamos os resultados dos Programas de Patrimônio Cultural Material e Imaterial, de Fortalecimento Institucional e de Atividades Produtivas, tendo em vista a comercialização realizada diretamente pelas organizações indígenas”, destacou a gerente socioambiental do Componente Indígena da Norte Energia, Nina Fassarella.

Visita guiada promove imersão cultural

Na segunda noite do Fecant, 10, a equipe Socioambiental do Componente Indígena da Norte Energia conduziu uma visita guiada pela feira, atraindo a atenção de quem passava pelo local. Apresentações e degustação de alimentos típicos da culinária indígena foram destaques no passeio. Cerca de 30 visitantes acompanharam o passeio e puderam conhecer um pouco mais sobre a cultura dos nove povos da região.


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