Empreendedorismo na Amazônia

Matéria-prima da Amazônia gera renda com produção de biojoias

Mulheres de áreas ribeirinhas do Cafezal, em Barcarena, estão recebendo capacitações para se tornarem artesãs de biojoias, por meio do apoio do Fundo de Sustentabilidade Hydro.

A moda sustentável vem ganhando cada vez mais espaço e o mercado de biojoias está em expansão, devido à beleza e à originalidade das peças, como acessórios que valorizam qualquer visual. Além de serem confeccionadas com materiais naturais, em um processo basicamente artesanal, as peças valorizam a cultura local ao resgatar aspectos da história, crenças, valores e tradições do povo amazônida.

Engajadas com a oportunidade de valorizar a sustentabilidade local e incentivar o empreendedorismo, mulheres de áreas ribeirinhas do Cafezal, em Barcarena, no Pará, estão recebendo capacitações para se tornarem artesãs de biojoias, com apoio do projeto Arte do Saber, executado pela Naturart (Associação Agroextrativista PAE e Habitação Natureza e Arte do Município de Barcarena). O projeto faz parte da chamada de Base Comunitária II, do Conexões Sustentáveis, com incentivo do Fundo de Sustentabilidade Hydro (FSH).

Com duração inicial de nove meses, o projeto visa atender mulheres para incentivá-las a gerarem sua própria renda e, assim, melhorar a qualidade de vida. São ofertadas oficinas de produção e montagem das peças, além de oficinas de comercialização, utilizando matéria-prima extraída do próprio território. “Nessas oficinas, elas estão aprendendo a elaborar todo o material de comunicação, fazer a produção das biojoias com mais qualidade e técnicas de comercialização. O curso procura também contribuir para a autoconfiança e autoestima de cada uma”, destaca Milene Maués, gerente de parcerias do FSH.

Do fio às miçangas de sementes, tudo é natural. O material é financiado pelo FSH e o público do curso é formado por mulheres a partir de 18 anos que residem no bairro do Cafezal e adjacências, principalmente nas ilhas. “Encontramos um público variado entre cerca de 50 mulheres participantes, de jovens a senhoras. Como o curso ainda não entrou na fase de precificação das peças, a produção ainda não está sendo vendida comercialmente, porém a Naturart tem participado de algumas exposições e colocado algumas peças à venda”, destaca Milene.

Ao final da capacitação, prevista para agosto deste ano, as mulheres poderão emitir a carteira de artesã, o que facilitará a inserção delas no mercado de trabalho, com a parceria da Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (SEASTER), do Governo do Estado.

Terapia transformadora

A produção de biojoias não é apenas um trabalho para muitas dessas mulheres, é uma terapia transformadora. Para Helane Cristina Pastana dos Santos, de 43 anos, mãe solteira, o projeto contribuiu para a sua qualidade de vida. “Quando eu conheci o projeto, estava passando por um momento muito difícil, sem perspectivas de melhorar minha vida, e essa ocupação tem sido uma terapia para mim. Eu já trabalhava com produção de biojoias, mas de forma muito rudimentar, sem o conhecimento que hoje eu tenho. E agora, com uma produção melhor, pretendo incrementar mais ainda minha renda, pois sempre fui autônoma, e estou bastante empolgada e grata. Que bom que eu me encontrei no artesanato”, conta Helane.

Já para Maria Lina Costa Moraes, de 64 anos, também mãe solteira e professora aposentada da educação infantil, a confecção de biojoias já era uma paixão antiga. Além da aposentadoria, ela afirma que a renda da venda das biojoias já é responsável por boa parte do sustento da família. “Com o projeto eu quero aprimorar minhas biojoias, com novos formatos e mais qualidade. O projeto nos acolheu como família e é sempre uma alegria estar aqui. Ele tem contribuído para salvar muitas mulheres da depressão. Além disso, eu acredito que ser artesã é contar um pouco da nossa história por meio das peças que fazemos”, relata Lina.

Moda sustentável

Feitas com produtos da floresta, as biojoias são acessórios de moda sustentáveis confeccionados manualmente com materiais como sementes de açaí, paxiúba, caranã, jarina, mititi e jupati, pingentes de ouriço da castanha e bolinhas de madeira reutilizada. Peças deste tipo produzidas na região amazônica ajudam a movimentar a economia no Pará e encantam por sua beleza e representatividade. Por trás de cada peça exclusiva de artesanato, existe a história única de uma artesã e a história coletiva de uma comunidade. “Quando alguém compra uma joia feita com elementos da floresta, está levando junto, também, a emoção da existência de quem produziu e um pedaço das raízes culturais do povo”, afirma Milene Maués.

Outro ponto importante, as biojoias são biodegradáveis, seu processo de decomposição na natureza é mais rápido. Pulseiras, colares, brincos com traços regionais fazem parte da produção.

Sobre o Conexões Sustentáveis

A Plataforma Conexões Sustentáveis financia projetos socioambientais em temáticas priorizadas pela Iniciativa Barcarena Sustentável e busca promover transformações positivas em prol do desenvolvimento de Barcarena, beneficiando prioritariamente organizações comunitárias locais, que têm dificuldades de acesso a créditos. Os valores das chamadas somam 3,6 milhões de reais.


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