FUTEBOL


Foto: Divulgação
Mais uma vez o placar e os gols foram deixados de lado em uma partida de futebol por conta de atos racistas. Desta vez, as vítimas foram Figueiredo e Luighi do elenco sub-20 do Palmeiras. Os jogadores estavam em solo paraguaio e queriam sair de campo apenas para comemorar a vitória por 3 a 0 sobre o Cerro Porteño, porém, o choro e a indignação tomaram conta… “Até quando a gente vai passar isso? O que fizeram comigo foi um crime”, disse Luighi em entrevista no gramado.
A entidade responsável pela organização do campeonato, a Conmebol, soltou uma nota e garantiu que “medidas disciplinares apropriadas serão implementadas, e outras ações estão sendo avaliadas em consulta com especialistas da área.” O Palmeiras deixou claro que “irá até as últimas instâncias para que todos os envolvidos em mais esse episódio repugnante de discriminação sejam devidamente punidos.” É suficiente?
Claro, em um primeiro instante, não há tantas opções, além de cumprir com as falas, mas, a longo prazo é necessário uma união e participação de muitas outras pessoas, como destaca o Professor do curso de Psicologia da Wyden, Eduardo Tedeschi: “o combate efetivo ao racismo requer esforços coletivos para promover a igualdade, a justiça e a inclusão em todas as esferas da sociedade.”
Cenas vistas no Paraguai em que um pai, carregando uma criança no colo, imita um macaco ou de torcedores cuspindo em direção aos jogadores causam desdobramentos prejudiciais ao desenvolvimento das vítimas, entre os quais podemos destacar: altos níveis de estresse, ansiedade, depressão e traumas psicológicos; raiva, tristeza, ressentimento e desesperança; e dificuldades para desenvolver uma imagem positiva de si mesmas, bem como para se conectar e valorizar sua cultura e identidade racial.
Por isso, Eduardo defende que é fundamental o apoio psicológico, o acesso a serviços de saúde mental e conscientização social para enfrentar os desafios e promover o fortalecimento em casos de racismo estrutural e recreativo. Na esfera jurídica, o Estado deve ser responsável por ações como:
Muitos países têm leis antidiscriminação que proíbem a discriminação racial em várias áreas, como emprego, educação, habitação e acesso a serviços. Essas leis buscam proteger os indivíduos contra a discriminação e promover a igualdade racial. Em casos de racismo estrutural, essas leis podem ser invocadas para combater políticas e práticas discriminatórias.
Já no que se refere as ações afirmativas, essas são políticas e medidas adotadas pelo Estado com o objetivo de corrigir desigualdades históricas e promover a inclusão de grupos marginalizados, como pessoas negras, em áreas em que enfrentam discriminação. Essas medidas podem incluir cotas em instituições de ensino superior, programas de incentivo à contratação de minorias e outras iniciativas que visam reduzir as disparidades causadas pelo racismo estrutural.
O racismo estrutural requer monitoramento contínuo para identificar e enfrentar práticas discriminatórias. Órgãos governamentais, organizações não governamentais e movimentos sociais podem desempenhar um papel importante na denúncia e responsabilização de instituições que perpetuam o racismo estrutural. A pressão pública e o escrutínio jurídico podem levar à adoção de políticas mais inclusivas e à responsabilização das partes envolvidas.
A conscientização sobre o racismo estrutural e seus impactos é fundamental para impulsionar mudanças significativas. Programas educacionais que abordam o racismo e promovem a diversidade e inclusão podem ajudar a combater os preconceitos arraigados. Além disso, é importante promover a formação jurídica inclusiva, capacitando profissionais do direito a lidar de maneira adequada com casos de discriminação racial.
Dados sobre o racismo no Brasil
De acordo com o IBGE, 56% da população brasileira é negra. Uma pesquisa publicada no 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que pessoas negras ainda são a maioria das vítimas de crimes violentos. Dados sobre mortes violentas intencionais (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, por exemplo) evidenciam percentuais alarmantes: 78% dos crimes foram sofridos por negros e 21% por brancos. E dados sobre a população carcerária brasileira também reforçam que a violência está diretamente ligada a questões raciais: 67,5% dos presos no país são negros, ao passo que 29% são brancos.
Mesmo com esses dados evidentes sobre o racismo no país, parte da população ainda afirma que o racismo não existe. Uma pesquisa realizada em 2020 pelo PoderData mostrou que 81% dos brasileiros dizem haver preconceito contra negros no Brasil por causa da cor da pele, enquanto 13% da população afirma que o racismo não existe no país. Outros 6% não souberam responder.
Como denunciar casos de racismo?
Casos de racismo e de injúria racial podem ser denunciados em delegacias por meio de abertura de um boletim de ocorrência, pela internet no através do site da Secretaria da Justiça e Cidadania (https://www.ouvidoria.sp.gov.br/Portal/) e pelo telefone (Disque 100 ou Disque 190, se for um flagrante).