Dia do Rap Nacional
Rapper cariosa BK' se apresenta com Evinha no Psica (Foto: Divulgação)
No Dia Nacional do Rap, celebrado nesta quarta-feira (6), o carioca BK’ reforça o motivo de ser considerado uma das vozes mais influentes da música urbana brasileira atual. Em seu disco mais recente, Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer, ele costura rimas afiadas com referências da música popular brasileira — numa alquimia sonora que já ultrapassou os 100 milhões de streams.
Com colaborações de peso como Djavan, Milton Nascimento e Evinha, o rapper cria pontes entre o rap e a MPB, entre presente e passado. “É sobre valorizar a história da nossa música. Não tem como construir nada novo sem olhar pra trás”, afirma BK’.
MPB nas veias
A relação de BK’ com a música brasileira não começou nos estúdios, mas em casa. A mãe, fã declarada de artistas nacionais, foi sua principal fonte de referências. “Minha formação vem daí. Cresci ouvindo os discos que ela colocava pra tocar. Isso foi moldando meu ouvido, minha sensibilidade musical.”
Esse legado afetivo se transforma em homenagem no álbum Diamantes. Um dos momentos mais simbólicos do disco é a participação de Evinha, ícone da era de ouro da música brasileira e ex-integrante do Trio Esperança. A parceria se estende aos palcos: os dois se apresentam juntos no Festival Psica, em Belém, em dezembro.
“Trazer a Evinha foi um desejo meu e da minha mãe. É uma forma de dar visibilidade para artistas que pavimentaram o caminho, principalmente mulheres negras que marcaram época. A gente precisa lembrar dessas vozes.”
Amazônia como potência cultural
Com data marcada para retornar à capital paraense, BK’ também aproveita para elogiar a força criativa da Amazônia. Segundo ele, o Norte é um território que pulsa cultura, mas ainda é pouco reconhecido pela indústria musical dominante, centralizada no Sudeste.
“A música que vem da Amazônia tem uma energia única, uma identidade muito forte. O hip hop de lá é potente, inventivo, cheio de verdade. Só que, infelizmente, ainda não recebe a visibilidade que merece”, diz o rapper. “Estar no Psica é também um gesto de respeito a tudo isso. Eu me sinto em casa.”
Para BK’, o futuro da música brasileira depende da valorização das múltiplas vozes que a compõem. E isso inclui, necessariamente, olhar com mais atenção para os sons que nascem nas margens — geográficas e simbólicas.
“Rap é resistência, mas também é construção coletiva. E o Brasil é grande demais pra gente escutar só o que vem do centro.”
Som da perifa
O Psica, que é o maior festival da região Norte, aposta no protagonismo da cultura preta e constrói sua programação sob a perspectiva da música produzida na Amazônia - e o hip hop é uma das vozes mais presentes e potentes no line-up do Psica.
“Somos um festival amazônico, preto e periférico. Além dos ritmos locais das periferias de Belém, como o tecnobrega e o rock alternativo da nossa cena urbana, a gente também traz muita influência do rap nacional. O rap é um movimento global com forte aderência na periferia, e a nossa não ficaria de fora. O rap é parte fundamental da nossa identidade”, afirma Jeft Dias, diretor do Psica.
Em 2025, além de BK’, o festival recebe Mano Brown, líder dos Racionais MC’s e referência máxima do gênero no Brasil. “O Mano Brown é fundamental para tudo o que se faz em rap hoje no Brasil. E a presença dele, junto com BK’, fortalece a cena local e também reforça a trajetória de resistência que inspira o festival. Sempre falamos que Mano Brown e Joelma são as grandes influências do Psica: artistas que criaram suas carreiras de forma alternativa, a partir da periferia e das suas realidades, e explodiram no Brasil”, diz Jeft.
A relação do evento com o rap não é de agora. Desde suas primeiras edições, o Festival Psica se construiu como um movimento que valoriza a cultura preta e periférica da Amazônia, e o hip hop tem papel-chave nessa missão. São artistas deste universo que trazem os discursos de resistência, pertencimento e identidade para o principal palco da região. Em 2024, o Psica recebeu artistas como Duquesa, Brisa Flow e Ebony, nomes do rap independente que vêm de fora do eixo Rio–São Paulo e ampliam a diversidade de vozes e histórias que o festival coloca em evidência.
“A música brasileira, por muito tempo, renegou o rap como parte da sua própria identidade. No Psica, a gente trabalha para corrigir isso e colocar o hip hop no lugar de destaque que ele merece”, afirma Gerson Dias. “O rap é uma ponte entre periferias brasileiras, conectando também à cena periférica amazônica. Quando um artista nacional sobe no palco do Psica, ele se conecta com a realidade e a potência cultural do Norte, e leva isso para o resto do país”, completa.
Além de estrelas do rap, a edição 2025 do festival, marcada para os dias 12, 13 e 14 de dezembro, traz no line-up muito pop, indie e brega. A primeira safra de artistas confirmados na programação traz o furacão Marina Sena, um dos maiores nomes do pop nacional da atualidade; a performance única de Wanderley Andrade, rei do brega-pop-calypso; Célia Sampaio, a grande dama do reggae maranhense; o indie rock do Terno Rei (SP); o suingue da revelação Melly (BA), indicada ao Grammy Latino por sua musicalidade que mescla ijexá e R&B; além do encontro de Patrícia Bastos (AP), Ronaldo Silva e Trio Manari (PA) em um espetáculo que celebra ritmos da Amazônia. Para reforçar o time do Norte, o tecnobrega alucinado da banda Voo Livre; o carimbó urbano do Batucada Misteriosa & Toró Açú (PA); e o rock alternativo da D’água Negra (AM), destaque do Aposta Psica 2024.
O Festival Psica 2025 tem patrocínio máster da Petrobras e patrocínio de O Boticário através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.
Serviço: Festival Psica 2025 - O Retorno da Dourada, dias 12, 13 e 14 de dezembro, na Cidade Velha e do Mangueirão, em Belém. Passaporte Psica à venda aqui: https://www.ingresse.com/festival-psica-2025/
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