Fotografia
O líder indígena e escritor Ailton Krenak e o premiado fotógrafo japonês Hiromi Nagakura estarão em Belém, de 12 a 14 de janeiro, para participar de rodas de conversa sobre as viagens dos dois pelo território amazônico, na década de 1990. Os encontros serão no Centro Cultural Banco da Amazônia, onde está em cartaz a exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, que documenta a jornada. As programações dos dias 12 e 13 de janeiro serão, ainda, veiculadas ao vivo via os canais do Instituto Tomie Ohtake e do Banco da Amazônia no YouTube.
A programação faz parte da exposição, que é uma realização do Instituto Tomie Ohtake, com patrocínio do Banco da Amazônia, e celebra o aniversário de 410 anos da capital paraense, no dia 12. Também participam dos encontros as lideranças indígenas Isa Tximá Huni Kuin, Maria Alexandrina da Silva Pinhanta (Sãtsi), Maria Salete Caapir Krikati e Marineusa Pryj Krikati - que integram as comunidades fotografadas e poderão partilhar a experiência de viver da Amazônia, seus desafios e mudanças desde que os territórios foram fotografados até os dias atuais.
A mostra fotográfica “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak” registra viagens de Krenak e Nagakura entre os anos de 1993 e 1998. O acervo reúne 82 fotografias inéditas no Brasil, um retrato do dia a dia de povos indígenas da Amazônia. “Eu e Nagakura andamos por dezenas de aldeias nas cabeceiras dos rios Juruá, Negro e Demini, Tarauacá e Gregório, além de cortar estradas pelo cerrado e regiões de floresta onde a vida continua vibrante como nos primórdios da criação”, diz Krenak.
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ambientalista, Ailton Krenak é uma das vozes mais influentes do pensamento indígena contemporâneo. É autor dos livros “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019), “A vida não é útil” (2020) e “Futuro ancestral” (2022). Atualmente vive às margens do Watu (Rio Doce), no território Krenak, onde segue atuando na defesa da vida, da floresta e das cosmologias originárias.
Fotógrafo, viajante e cronista visual das relações humanas, Hiromi Nagakura é formado em Direito e se tornou fotojornalista por vocação, atuando na agência Jiji Press antes de iniciar carreira independente. Esteve na África, Ásia, América Latina, Europa e Oceania, retratando povos nômades, comunidades em conflito e modos de vida ameaçados.
Samurai da câmera, segundo Krenak, Hiromi Nagakura percorreu a floresta amazônica com o olhar sensível de suas lentes. “Por quase cinco anos, Nagakura visitou comigo as aldeias de nossos amigos. Às vezes a gente fica preocupado de observar a paisagem ao nosso redor mudando, mas seria interessante a gente observar também como a fotografia registra as mudanças que acontecem em nós, nas comunidades, nas nossas sociedades. Para além da paisagem, a fotografia consegue mostrar como o tempo muda a gente e muda a nossa perspectiva também”, disse o escritor indígena.
O Centro Cultural
Localizado no prédio da avenida Presidente Vargas com a rua Carlos Gomes, na praça da República, região central de Belém, o Centro Cultural Banco da Amazônia foi inaugurado em outubro de 2025. Com quatro mil metros quadrados, tem três galerias e o projeto de implantação prevê, ainda, biblioteca, minilab de inteligência artificial, seis salas de oficina, restaurante e café. É o primeiro equipamento cultural da região amazônica vinculado a uma instituição financeira de economia mista do Governo Federal. Com a programação de aniversário, o Banco da Amazônia presta homenagem à cidade que há 83 anos abriga a sede da instituição.
SERVIÇO
Atividades da exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, dias 12, 13 e 14 de janeiro (segunda a quarta-feira). Acompanhe on-line: Canal Instituto Tomie Ohtake /Canal Banco da Amazônia