Literatura
Belém recebe, dia 22 de janeiro, no Núcleo de Conexões Na Figueredo, o lançamento do romance Rapinas Estelares, estreia literária do roteirista e produtor audiovisual Walério Duarte. Ambientado em uma galáxia marcada por guerras políticas, impérios em ruínas e disputas por território, o livro aposta na tradição da space opera para contar, acima de tudo, uma história profundamente humana.
A narrativa acompanha Nicolas Rocha, um rapina estelar – profissional que sobrevive recuperando cargas, artefatos e informações em zonas abandonadas, planetas-lixão e cenários deixados para trás após conflitos armados. Diferente do habitual, porém, Nicolas entra em ação durante uma guerra, tornando-se peça involuntária em um jogo político muito maior do que ele.
Criado entre porões de naves e decks de carga, filho de terranos exilados, o protagonista nunca esteve na Terra. O planeta sobrevive apenas como mito, preservado em relatos fragmentados e objetos antigos. Ainda assim, a Terra surge como elemento central de uma busca que não é movida por nostalgia, mas por necessidade – ligada ao destino de um povo espalhado pela galáxia e a um passado que insiste em não permanecer enterrado.
Contratado para recuperar a caixa-preta de uma nave sabotada durante a guerra civil no sistema Eilesar, Nicolas descobre que a missão é deliberadamente suicida e que o conflito foi manipulado por uma terceira força interessada na restauração de um antigo Império conhecido por exterminar mundos. Entre soberanos eticamente opostos, leis galácticas usadas como armas políticas e escolhas que cobram preços irreversíveis, Rapinas Estelares propõe uma pergunta central: o que é lar para alguém que nunca teve um?
Um universo próprio
No universo do livro, os rapinas formam uma cultura própria. Suas naves recebem nomes de animais necrófagos de seus planetas de origem – símbolos de quem chega depois da destruição para recolher o que restou. A nave de Nicolas se chama Urubu.
A ordem galáctica é mantida pela União Galáctica, bloco formado por antigas potências antes submetidas a um império hoje decadente, mas ainda influente. Guerras locais, crises de abastecimento e disputas jurídicas são usadas como justificativa para intervenções “legais”, expondo o jogo de poder por trás da diplomacia interestelar.
Autor com trajetória no audiovisual
Com atuação consolidada no cinema, na televisão e em projetos culturais ligados à Amazônia, Walério Duarte transita entre publicidade, marketing político e criação de universos autorais que passam pela ficção científica, horror e narrativas regionais. Rapinas Estelares marca sua estreia no romance e inaugura uma série de livros ambientados no mesmo universo ficcional. A obra foi produzida com recursos da Fundação Cultural do Pará, por meio do Edital nº 02/2023 de Seleção Pública de Obras Literárias e de Não Ficção.
Lançamento com música ao vivo
O lançamento acontece em clima de celebração criativa, unindo literatura e música. A noite contará com participação especial da banda Móbile Lunar, que se apresenta às 21h, reforçando o diálogo entre universos artísticos proposto pelo livro.
A participação da Móbile Lunar adiciona ao lançamento uma camada extra de sensibilidade e atmosfera. Banda paraense de pop alternativo, o grupo transita entre a canção, o experimental e o sensorial, com letras imagéticas e arranjos que equilibram delicadeza e intensidade. Sua música constrói paisagens sonoras que evocam memória, futuro e imaginação, funcionando como trilhas para narrativas ainda não escritas. No palco, a Móbile Lunar apresenta um show envolvente e imersivo, em diálogo direto com a literatura e outros universos criativos.
SERVIÇO
Lançamento do romance: Rapinas Estelares
Autor: Walério Duarte
Data: 22 de janeiro
Horário: a partir das 20h
Local: Núcleo de Conexões Na Figueredo
Avenida Gentil Bittencourt, 449
Participação especial: Móbile Lunar (show às 21h)
Evento que reúne literatura e música em uma noite de encontro entre universos criativos.