Música
Com uma carreira iniciada em 1996, cantando nos bares de Ananindeua, Carlos Guthyerrez construiu, ao longo de quase três décadas, um percurso artístico marcado pela experimentação, pelo respeito à música brasileira e por projetos que dialogam com memória, identidade e inovação. O cantor alcançou um de seus primeiros grandes objetivos ao levar seus shows para importantes teatros de Belém, como o Margarida Schivazzappa, Sesc Boulevard e Teatro Waldemar Henrique.
Em 2007, apresentou o espetáculo Dona Clementina, um tributo à cantora Clementina de Jesus, resgatando a importância histórica da artista e reafirmando a valorização das raízes da música brasileira. Já em 2012, lançou seu primeiro CD, O Vento Vai Refazer, hoje disponível nas plataformas digitais, com direção artística de Daniel Bastos e direção musical de José Maria Bezerra. O trabalho contou ainda com participações especiais de Toninho Ferragutti e da então jovem Maria Beatriz Bezerra.
Entre 2013 e 2014, Carlos apresentou o espetáculo Mar de Caymmi, ao lado de Nean Galuccio, levando ao palco a obra de Dorival Caymmi em apresentações sempre com casa cheia. Em 2015, foi a vez de Coração Selvagem, uma homenagem a Belchior, compositor que se tornaria uma de suas maiores referências artísticas. No ano seguinte, trouxe aos palcos os espetáculos Mais Balandandãs, em tributo a Carmen Miranda, e Simplesmente Bethânia, ampliando ainda mais seu repertório de homenagens a grandes nomes da música brasileira.
A partir de 2017, além das apresentações em bares e espaços culturais, Carlos passou a investir fortemente na produção audiovisual, entendendo a importância da imagem na indústria fonográfica contemporânea. Em 2018, lançou o clipe Gato de Rua, que ganhou destaque pelo seu caráter provocativo, além dos clipes Lua Azul e Negro, produções de baixo custo realizadas com celular e que renderam matéria no Diário do Pará. Esse período também marcou sua atuação como realizador audiovisual para outros artistas.
Em 2019, apresentou o show Gato de Rua, que mescla músicas autorais e clássicos da MPB, além de Seresta Moderna, em parceria com Nean Galuccio, um tributo a Nelson Gonçalves. O projeto teve temporada curta, mas reforçou sua versatilidade artística.
Mesmo durante a pandemia, Carlos manteve sua produção ativa. Em 2020, lançou o clipe A Voz do Vento pelo projeto Sons do Pará, da TV Liberal. No ano seguinte, realizou lives e iniciou a produção de um disco virtual coletivo com composições da poeta Rosa Watrin, reunindo diversos artistas e músicos em um trabalho colaborativo.
Em 2022 e 2023, o cantor seguiu em intensa atividade, dirigindo espetáculos como Diante de Vários Depois, Faca e lançando o single Pecados de Adão, releitura de um clássico da música paraense eternizado por Eloi Iglesias. O clipe da canção integrou novamente a programação do Sons do Pará. No mesmo período, apresentou shows como Quase Carnaval… Quase Bossa-Nova e Canção Brasileira, reafirmando seu compromisso com a música brasileira em suas múltiplas vertentes.
Agora, em 2026, Carlos Guthyerrez inicia um novo capítulo em sua trajetória. No dia 15 de junho, o artista lança seu primeiro single do ano, uma canção inédita que surge após anos dedicados a homenagens a Belchior e à releitura de clássicos. A nova música apresenta uma proposta ousada, misturando brega, rock e uma espécie de tango latino, apontando para novos caminhos estéticos e sonoros em sua carreira.
O lançamento marca não apenas o início de uma nova fase artística, mas também reafirma a inquietação criativa de Carlos Guthyerrez, que segue reinventando sua linguagem musical sem abrir mão de suas referências e da identidade construída ao longo de quase 30 anos de estrada. Um trabalho que merece atenção e espaço na cena cultural paraense e brasileira.