Inovação
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O Meetup Açaí Valley – Cultura e Geoeconomia da IA aconteceu na Elephant Coworking, promovido pelo Açaí Valley, teve como ponto alto a palestra de Robert, vice-presidente da organização responsável pelo World Innovation and Technology Congress (WCIT), um dos maiores congressos globais de inovação e tecnologia.
Com atuação internacional e articulação junto a 85 países, Robert Janssen apresentou uma visão estratégica sobre o papel da Amazônia na nova geoeconomia da tecnologia, defendendo que Belém pode se consolidar como um centro global de inovação com foco em sustentabilidade, bioeconomia e meio ambiente.
WCIT em Belém: tecnologia com foco ambiental
Robert Janssen explicou que a proposta é trazer para Belém uma edição do congresso com ênfase especial na economia sustentável e na proteção ambiental, posicionando a cidade sob um “holofote mundial” da inovação.
O evento, que roda o mundo há 48 anos e esteve no Brasil apenas uma vez, em 2016, poderá reunir entre 5 e 8 mil participantes diretamente ligados ao congresso, além de milhares de visitantes brasileiros e estrangeiros.
A programação prevista inclui quatro dias de atividades — três dias de congresso temático e um dia dedicado a visitas técnicas a iniciativas locais. Segundo ele, a ideia é construir um processo gradual, com eventos preparatórios ao longo do ano, culminando em uma grande mobilização internacional.
Tecnologia como meio, não como fim
Um dos pontos centrais da palestra foi a defesa de que a tecnologia deve ser vista como meio para resolver problemas estruturais — especialmente no campo da sustentabilidade climática e da bioeconomia.
Robert destacou que inovação, quando conectada ao território, pode gerar inclusão socioeconômica, fortalecer cadeias produtivas locais e criar soluções globais a partir da realidade amazônica. A proposta é clara: usar a tecnologia para proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, gerar desenvolvimento.
Ao final, o meetup deixou uma sinalização estratégica: Belém não quer apenas sediar eventos internacionais, mas se posicionar como referência permanente em inovação aplicada à floresta.
A palestra de Robert consolidou essa visão — a Amazônia pode ser protagonista na nova ordem tecnológica global, desde que una cultura, sustentabilidade e inteligência estratégica.
Destaque: empreendedorismo feminino em expansão
Um dos destaques do evento foi a fala de Maíra Castro, diretora de Empreendedorismo Feminino do Açaí Valley. Segundo ela, a diretoria foi criada recentemente com a missão de mapear e fortalecer o nicho do empreendedorismo feminino local, com foco estratégico em exportação.
Maíra explicou que o projeto está sendo desenvolvido em parceria com um consórcio liderado pela Invest Amazônia, em conjunto com a Apex Brasil e a Rede Mulheres Empreendedoras, com financiamento e apoio do governo britânico. O objetivo é construir um retrato real do ecossistema feminino de Belém e criar mecanismos de fomento mais assertivos.
Um dado chamou atenção: para apenas 15 vagas, houve 104 inscrições. O número revela não apenas demanda reprimida, mas maturidade crescente das empreendedoras locais. O formulário de inscrição foi estruturado para coletar informações estratégicas — como interesse em exportação, nível de experiência e estágio de maturidade das empresas — permitindo decisões baseadas em dados.
A proposta é clara: transformar a criatividade amazônica, especialmente nos setores de economia criativa e bionegócios, em produtos de alto valor agregado para o mercado internacional.