SAÚDE
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No Pará, o cenário acompanha a tendência nacional e mundial, e especialistas reforçam a necessidade de informação, diagnóstico precoce e políticas públicas voltadas à prevenção. (Foto: Divulgação)
No próximo dia 4 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promove o Dia Mundial da Obesidade, data dedicada a conscientizar a população sobre os riscos de uma doença que atinge mais da metade dos brasileiros. No Pará, o cenário acompanha a tendência nacional e mundial, e especialistas reforçam a necessidade de informação, diagnóstico precoce e políticas públicas voltadas à prevenção.
Cirurgião do aparelho digestivo com vasta experiência no tratamento da obesidade, o Dr. Alexandre Nogueira, presidente do capítulo do Pará da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e médico cooperado da Unimed Belém, compartilha sua visão sobre os desafios atuais e a importância de abordar a obesidade como uma questão de saúde pública.
Ao avaliar o panorama da obesidade no estado, o especialista observa que os números acompanham as estatísticas nacionais e mundiais. "Temos hoje 30% a 35% de obesos e mais de 60% de pacientes acima do peso. Isso é preocupante porque gera um custo social e um custo para a saúde monetário enorme. Se nada for feito, em termos de poder público, para tentar frear o avanço dessa epidemia, realmente isso só tende a piorar", afirma.
Obesidade: uma doença crônica que vai além da estética
Classificada como doença crônica, a obesidade envolve fatores genéticos, metabólicos, emocionais e sociais. Dr. Alexandre explica que é preciso desconstruir a ideia de que se trata apenas de falta de vontade ou disciplina.
"A sociedade de forma geral não está adaptada e não está preparada para conviver com obesos. Esses pacientes sofrem bullying, sofrem rejeição social e são classificados como preguiçosos. Na verdade, a gente sabe hoje que a obesidade não tem nada a ver com falta de vontade. Ninguém quer ser obeso ou é obeso porque quer", diz.
O médico reforça que a obesidade tem CID e deve ser tratada como qualquer outra doença crônica, como hipertensão ou diabetes. "Ela é a ponta do iceberg. Por trás, vêm outras condições igualmente graves", esclarece.
As comorbidades associadas
A obesidade está diretamente ligada ao desenvolvimento de dezenas de outras doenças. "Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), é a segunda causa de morte evitável relacionada ao câncer, só perde para o cigarro. Temos diabetes tipo 2, hipertensão, síndrome dos ovários policísticos, infertilidade, artrose, depressão, cefaleia... posso citar mais de 30 doenças rapidamente associadas à obesidade", lista o especialista.
Medicamentos e cirurgia: aliados no tratamento
Sobre a popularização dos medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, o presidente da SBCBM-PA avalia que há espaço para diferentes abordagens, desde que com indicação precisa.
"Tem paciente que a canetinha vai resolver, tem paciente que não vai resolver. O obeso mórbido, com obesidade severa, não vai resolver apenas com a canetinha. Mas esses remédios não são inimigos, pelo contrário, são aliados da cirurgia bariátrica. Na obesidade, cada um tem seu espaço e suas indicações. O que nós temos que combater é o uso indiscriminado e sem orientação médica dessas medicações".
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