SAÚDE
No meio da rotina corrida, muitas mulheres se acostumaram a conviver com o cansaço. Entre trabalho, casa, filhos e responsabilidades diárias, a sensação de exaustão acaba sendo tratada como algo natural. No entanto, sentir fadiga constante não deve ser encarado apenas como consequência da sobrecarga. Em muitos casos, o corpo está tentando avisar que algo não vai bem.
Segundo a ginecologista da Hapvida, Vitória Cardoso, é comum que mulheres demorem a procurar ajuda médica porque acreditam que o esgotamento faz parte da rotina. “Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que estão apenas cansadas ou estressadas, mas, ao investigar, encontramos causas clínicas importantes. O cansaço persistente não deve ser ignorado, principalmente quando vem acompanhado de tontura, sonolência excessiva, falta de concentração ou queda de rendimento nas atividades do dia a dia”, explica.
Entre as causas mais frequentes estão a anemia, alterações hormonais e deficiências nutricionais. A perda de ferro, por exemplo, é comum em mulheres em idade fértil e pode provocar fraqueza, palidez, dores de cabeça e até palpitações. “A anemia por deficiência de ferro é muito recorrente e, muitas vezes, a mulher só percebe quando o corpo já está bastante debilitado. Ela passa a sentir falta de energia até para tarefas simples”, destaca a médica.
Outro ponto de atenção é a tireoide. Tanto o hipotireoidismo quanto outras disfunções hormonais podem provocar lentidão, sonolência, desânimo e dificuldade de memória. “Alterações hormonais interferem diretamente no metabolismo e no funcionamento do organismo. Quando isso acontece, o corpo responde com fadiga constante. Não é preguiça e nem falta de disposição, é um sinal clínico”, reforça.
A especialista também chama atenção para a deficiência de vitamina D, cada vez mais comum, especialmente em mulheres que passam a maior parte do tempo em ambientes fechados. O quadro pode causar dores musculares, indisposição e sensação de esgotamento contínuo.
Para a médica, o principal erro é normalizar o sintoma. “A mulher costuma cuidar de todos ao redor e adia o próprio cuidado. Mas o corpo sempre dá sinais. Se o cansaço persiste mesmo após descanso adequado, é fundamental procurar avaliação médica e realizar exames laboratoriais. Quanto antes investigarmos, mais simples costuma ser o tratamento”, orienta.
No mês dedicado à saúde e ao bem-estar feminino, a médica alerta que viver permanentemente cansada não é normal. Identificar a causa da fadiga pode melhorar não apenas a disposição, mas também a qualidade de vida, o humor e a saúde geral.
“A mulher não precisa aprender a conviver com o esgotamento. Em muitos casos, a solução está em um diagnóstico correto e tratamento adequado. Cuidar da própria saúde também deve ser prioridade”, finaliza Vitória.