EXPOSIÇÃO

Linha Igarapés leva design amazônico ao Prêmio Museu da Casa Brasileira

A Cristaleira da Linha Igarapés, desenvolvida pelo Studio Érico Gondim em parceria com a Pacajá Móveis, foi selecionada para o 36º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, uma das mais importantes premiações do setor no país. A peça integra a exposição oficial do prêmio, com abertura neste sábado (25), no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, ampliando a presença do design amazônico em circuitos nacionais e internacionais.

O encontro entre a movelaria e o designer surgiu a partir de um alinhamento de princípios ligados ao aproveitamento da matéria-prima e à criação artística a partir da natureza. “Importante deixar claro que a gente teve um encontro com o Érico, um encontro de trabalho, em que percebemos o quanto estávamos alinhados. Ele desenvolve produtos a partir da arte, com aproveitamento de material, e a movelaria também nasce desse olhar, de criar produtos usando as linhas naturais da natureza e dando destino ao resíduo da madeira”, afirma Luciana Di Paula, executiva de florestas da Fazenda Pacajá.

Segundo ela, a aproximação aconteceu de forma orgânica, a partir da convergência entre produção florestal responsável e expressão artística. O diálogo entre design e território acabou direcionando o desenvolvimento da coleção. “Foi o olhar dele de artista que conseguiu enxergar, dentro da Fazenda Pacajá, na beira do rio Pacajá, que os veios da madeira representavam os igarapés e os rios que existem ali. Dessa leitura nasceu a linha, que diz muito sobre quem somos enquanto ribeirinhos e amazônidas”, completa.

A Cristaleira Igarapés é produzida a partir de fatias de tronco de Carapanaúba. Os vazados naturais e as curvas orgânicas da madeira remetem ao fluxo das águas amazônicas, transformando características naturais do material em linguagem estética. A matéria-prima é proveniente de manejo florestal sustentável, prática que orienta toda a cadeia produtiva da Pacajá Móveis.

Para o designer Érico Gondim, a seleção da peça amplia o reconhecimento de projetos que conectam identidade brasileira, biodiversidade e inovação. “Estar nesta seleção de um prêmio de design conhecido e um dos mais respeitados do Brasil é uma grande honra e um passo importante para o reconhecimento de peças que pensam a brasilidade não apenas no conceito, mas na valorização da matéria-prima dentro do contexto da biodiversidade da madeira brasileira”, afirma.

Érico, destaca ainda, que o projeto também evidencia novas possibilidades para materiais que antes tinham pouca visibilidade comercial. “Há também um reconhecimento pela empresa que aposta no design como atividade capaz de gerar novas soluções para madeiras provenientes do manejo sustentável, agregando valor estético, iconográfico e comercial a peças que antes não tinham tanta importância”, explica.

A trajetória da Cristaleira Igarapés inclui passagens por diferentes exposições e contextos curatoriais. Em 2024, a linha integrou a mostra Coccoloba, em Milão, considerada uma das vitrines internacionais do design contemporâneo, experiência que contribuiu para ampliar a projeção do projeto.

“A primeira oportunidade para a Cristaleira Igarapés foi uma seleção curatorial para uma exposição internacional em um dos maiores eventos de mobiliário do mundo. Isso trouxe visibilidade e consolidou o direcionamento da Movelaria Pacajá no mercado de móveis de alto valor agregado”, afirma Gondim.

Segundo o designer, a presença no Museu da Casa Brasileira representa a continuidade desse percurso. “A participação em uma grande exposição nacional confirma que estamos no caminho certo e abre possibilidades para novos desenvolvimentos da Pacajá Móveis dentro do mercado de móveis em madeira”, acrescenta.

Para a equipe da Fazenda Pacajá, a seleção no prêmio também funciona como reconhecimento público de um modelo produtivo que conecta floresta, design e impacto social. “Ter uma peça da movelaria no Prêmio Design Museu da Casa Brasileira é um grande reconhecimento. É mais uma validação de que o nosso trabalho reflete a arte brasileira, principalmente a arte da Amazônia, e mostra que estamos no caminho certo ao transformar madeira em peças que carregam natureza, valor cultural e preservação da floresta”, afirma Luciana Di Paula.

A exposição do 36º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira abre ao público em 25 de abril de 2026, às 11h, no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

“Nosso trabalho entrega para as pessoas a natureza, garantindo a preservação e conservação da floresta", finaliza Di Paula.


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