EDUCAÇÃO
O poder transformador da educação vai além de números e índices, refletindo-se em histórias reais de superação. É o caso de alunos que, já na fase adulta, deram os primeiros passos no universo da leitura e da escrita por meio do Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos do Instituto Yduqs.
A iniciativa, voltada para pessoas que não tiveram acesso à educação básica na infância, tem apresentado resultados significativos. Em pouco mais de um mês de aulas, muitos participantes já conseguem reconhecer letras e escrever o próprio nome, uma grande conquista, principalmente para a autoestima.
Para os alunos, o curso vai além da alfabetização. Trata-se de uma oportunidade de reescrever a própria história. Atividades cotidianas, como ler uma placa, identificar o nome em um documento ou enviar uma mensagem, deixam de ser desafios e passam a fazer parte da rotina.
Apesar dos desafios para chegar na instituição, Maria Assunção afirma que a distância não é um obstáculo para a conquista da sua autonomia. A idosa, de 60 anos, pega quatro ônibus para participar das aulas e atravessa a cidade de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, para não perder nenhum aprendizado.
“Para as pessoas que não sabem ler, é muito difícil lidar com a vida no dia a dia. É muito difícil depender dos outros. Tipo, eu fui fazer supermercado e não sabia ler o preço direito. Aí perguntei a uma atendente e ela foi muito grossa comigo. Aí me sinto ofendida, sabe? Se eu soubesse ler, eu não estaria perguntando. Até pra pegar um ônibus é complicado. Então eu resolvi tomar essa decisão e voltar a estudar”, conta ela, emocionada. “Eu tô em Belém desde os doze anos, mas eu sou do Maranhão e durante a vida toda eu trabalhei como empregada doméstica, sempre estive na casa dos outros. Antigamente, o acesso à escola era muito mais difícil e eu tinha que cuidar da família. Agora, o momento é pra cuidar de mim.”
Resultados que vão além da sala de aula
Os reflexos do curso são percebidos com os instrutores e voluntários, e ganham espaço fora do ambiente acadêmico. Thalia Aleixo, aluna de Pedagogia do sexto semestre e instrutora do Programa na Estácio Ananindeua, revela que a prática do ensino aos adultos tem ajudado no seu aprendizado enquanto estudante da área. “A didática de ensino para uma pessoa adulta é totalmente diferente do que para uma criança, por exemplo. Com as crianças, nós temos que ser lúdicos e percebemos a ingenuidade deles. Já com os adultos, nós temos que encontrar estratégias para captar a atenção deles e estar sempre atentos às necessidades deles, pois já são cidadãos com suas próprias histórias e experiências de vida”, explica a discente.
Enxergando a importância do Programa e com paixão pela alfabetização de adultos, Thalia convidou a própria tia, Maria Alice, para participar das aulas. A idosa, com a mesma idade de Maria Assunção, passou a vida como dona de casa e sem acesso ao ensino básico. O relato dela é similar ao das colegas de classe. Atividades diárias, como ir à feira ou ler uma mensagem no celular, são um obstáculo constante. Com as aulas, essa situação começou a mudar.
Vagas abertas
Segundo Camila Quadros, coordenadora do curso de Pedagogia na Estácio, o município de Ananindeua possui um dos maiores índices de analfabetismo do estado. Por essa razão, a unidade de Ananindeua foi selecionada para atuar com o Programa. “A gente precisa olhar para essas pessoas com empatia, porque elas precisam se sentir incluídas socialmente. Esse é um programa muito potente, porque não é apenas chegar numa sala e passar um conteúdo. É compreender que essas pessoas precisam ser inseridas na sociedade. Então, desde o momento da inscrição, os alunos são presenteados com caderno, lápis, ecobag, pra que eles consigam ter esse incentivo inicial e não desistam. Além disso, nós continuamos mandando mensagens pra eles ao longo do curso, pra acompanhar o desenvolvimento de cada um e entender as possíveis dificuldades deles. É, realmente, um processo de acolhimento”, destaca a professora.
Totalmente gratuita, a iniciativa é voltada a jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso à educação no tempo regular ou que enfrentam dificuldades de leitura e escrita, o programa tem como objetivo o letramento e a alfabetização de pessoas com pouca ou nenhuma escolarização.
Em Ananindeua, as aulas acontecem presencialmente, duas vezes por semana, de 16h até 18h30, na Estácio, localizada no Shopping Metrópole, na BR-316, 4.500, KM 04. O curso tem duração de quatro meses e é totalmente gratuito. As inscrições podem ser feitas presencialmente, na sede da Faculdade. As vagas são limitadas. Mais informações em: (91) 98168-7868.
O programa também conta com a colaboração do Instituto Equatorial, iniciativa social do Grupo Equatorial, que apoia especificamente as unidades localizadas no Maranhão (imperatriz), Pará (Ananindeua), Amapá, Piauí, Goiás e Alagoas, reforçando a importância da articulação entre diferentes setores para o enfrentamento do analfabetismo no Brasil.
A parceria integra a iniciativa lançada pelo Instituto Equatorial para a alfabetização de jovens e adultos em seis estados brasileiros, ampliando o alcance das ações educacionais em territórios com alta vulnerabilidade social.
“Quando uma pessoa aprende a ler e escrever, ela amplia suas possibilidades de escolha, de participação social e de autonomia. O Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, além de gratuito, foi pensado para dialogar com a realidade dos alunos, ajudando cada participante a usar o conhecimento no dia a dia e a transformar sua própria história. Acreditamos no poder de potencializar o impacto da alfabetização no país. A colaboração com o Instituto Equatorial fortalece nossa atuação em regiões estratégicas e amplia o alcance do programa, levando educação básica de qualidade a quem mais precisa”, reforça Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs
Sobre o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos - Lançado em 2018, o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos do Instituto Yduqs é uma iniciativa de impacto social que busca combater o analfabetismo e promover a inclusão educacional. Oferecido gratuitamente em parceria com instituições de ensino superior e organizações da sociedade civil, o programa está presente atualmente em 21 unidades no Brasil e já alfabetizou mais de 2 mil pessoas.
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