Cultura
O Instituto Letras que Flutuam celebra, em maio, dois anos de atuação dedicados à valorização, circulação e fortalecimento da cultura dos abridores de letras — mestres responsáveis pelas pinturas e tipografias coloridas presentes nas embarcações amazônicas. Primeiro instituto do Brasil voltado exclusivamente a esse patrimônio visual ribeirinho, a organização consolidou, ao longo do período, ações de mapeamento, formação, geração de renda e difusão cultural dentro e fora da Amazônia.
Formalizado em 2024 a partir de mais de duas décadas de pesquisa e documentação conduzidas pela pesquisadora Fernanda Martins, o instituto atua no fortalecimento dos mestres abridores e na preservação de um saber tradicional que completa cem anos em 2025.
Desde a criação do projeto, mais de 130 abridores de letras foram identificados em municípios paraenses como Belém, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Barcarena, Soure, Salvaterra, Curralinho e Breves.
Dos rios amazônicos para o circuito cultural brasileiro
Entre os principais resultados alcançados nos últimos dois anos estão a realização de encontros de formação voltados aos mestres ribeirinhos, oficinas de capacitação em direitos autorais, precificação e economia criativa, além da ampliação da presença dos abridores em circuitos culturais e de design no Brasil.
Em 2025, o projeto “Letras que Navegam – Oficinas de Letras Amazônicas pelo Brasil” percorreu oito capitais brasileiras levando oficinas, demonstrações ao vivo e rodas de conversa conduzidas pelos próprios abridores de letras. Pela primeira vez, mestres ribeirinhos circularam nacionalmente como formadores culturais.
“Foi o momento em que o abridor de letras ribeirinho falou sem filtro sobre a sua própria realidade. Isso amplia a percepção e o conhecimento sobre a Amazônia e o saber ribeirinho”, afirmou Fernanda Martins.
Segundo ela, uma das principais conquistas do instituto foi aproximar mestres que, apesar de compartilharem o mesmo ofício, nunca haviam se encontrado.
“Talvez essa tenha sido a maior vitória. Apesar das letras navegarem de um lugar a outro pelo rio, esses homens não se conheciam em sua grande maioria”, disse.
Ao longo dos dois anos, o instituto também ampliou a presença da cultura gráfica amazônica em espaços urbanos. Murais produzidos por abridores de letras passaram a ocupar escolas públicas, centros culturais e espaços da capital paraense, aproximando o público urbano dos saberes tradicionais ribeirinhos.
Nova sede em Belém aproxima público urbano dos saberes ribeirinhos
Neste ano, o Instituto Letras que Flutuam inaugurou o “Canto do Letras”, nova sede localizada no bairro da Campina, em Belém. O espaço funciona como ponto de encontro, demonstração cultural e comercialização de produtos criados por artistas ribeirinhos.
A coleção reúne camisas, agendas, cadernetas, letras decorativas, impressos e placas pintadas à mão desenvolvidos em parceria com mestres artesãos do Pará. A renda das obras produzidas pelos abridores é destinada integralmente aos próprios artistas.
“O canto do Letras procura exercer exatamente essa função: ser um espaço de troca de informação, inclusão dos abridores de letras dentro da capital e difusão cultural sobre esse saber tradicional”, afirmou Fernanda Martins.
Ela destaca que o espaço funciona como uma espécie de “porto cultural” para aproximar moradores e visitantes da produção ribeirinha amazônica.
“O canto do Letras além de ser um ponto de cultura, ele é um porto de cultura. É um lugar onde as pessoas podem conhecer quem são os abridores, seus modos de fazer e também seus produtos”, disse.
Serviço
Canto do Letras — Instituto Letras que Flutuam 📍 Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro da Campina, em Belém 🗓️ Funcionamento: segundas, quartas e quintas-feiras, com visitas mediante agendamento 📱 Agendamentos: (91) 98576-4056
🌐 Site: Instituto Letras que Flutuam 📸 Instagram: @letrasqueflutuam
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