Empreendedorismo
O empresário paraense Nazareno Alves, conhecido como Pikeno, fundador do e presidente da Associação de Produtores de Açaí da Amazônia (Amaçaí), realizou no último sábado, dia 06 de junho, uma experiência que chamou atenção e levantou novas reflexões sobre o futuro do mercado do açaí no Brasil.
Pela primeira vez, o empresário adquiriu frutos de açaí produzidos na Bahia, na região de Ilhéus, para avaliar a qualidade do produto e comparar com o açaí tradicionalmente comercializado na região Norte.
Segundo Pikeno, o fruto chegou ao Pará em excelentes condições de conservação. Transportado em caminhão frigorífico, com temperatura controlada em aproximadamente 5 °C, o produto percorreu a distância entre a Bahia e o Pará em cerca de dois dias e meio sem perder qualidade.
O caminhão trouxe 278 caixas com aproximadamente 28 quilos cada.
“Eu queria fazer essa experiência há bastante tempo. Este ano foi a primeira vez que o açaí da Bahia chegou ao Pará. Comprei o fruto na Feira do Açaí do Ver-o-Peso e levei para bater na unidade de processamento do Point. Fiquei impressionado com o rendimento da polpa, a textura e o sabor. O resultado foi muito positivo”, relatou.
O empresário destaca que o açaí paraense, especialmente o produzido nas ilhas próximas a Belém, continua sendo uma grande referência de qualidade devido à proximidade entre a colheita e o consumo. Porém, segundo ele, uma boa logística pode permitir que frutos produzidos em outras regiões também cheguem ao consumidor mantendo um excelente padrão.
Comparação com o açaí de Macapá
Durante a avaliação, Pikeno também comparou o fruto baiano com o açaí vindo da região de Macapá, no Amapá. Segundo ele, o fruto amapaense possui excelente qualidade, com características próprias relacionadas ao seu território de produção.
“O açaí colhido nas ilhas próximas a Macapá é maravilhoso em sabor, cor e rendimento. O problema está na logística até chegar a Belém. Muitas vezes o fruto passa até três dias em transporte”, explicou.
Segundo ele, o açaí vindo do Amapá costuma ser transportado em embarcações, utilizando gelo para conservação, enquanto o produto baiano chegou em caminhão refrigerado com temperatura constante.
“Esse tipo de transporte refrigerado é muito bom para o batedor, porque mantém melhor a qualidade do fruto. Além disso, o peso das caixas de 28 quilos facilita o trabalho”, afirmou.
Pikeno explica que o açaí do Amapá e região já é comercializado em Belém há cerca de 15 anos, principalmente durante o período de entressafra do Pará. Ele ressalta que o primeiro semestre é o período em que outros estados conseguem competir no mercado paraense.
“No segundo semestre começa a produção do Pará, e o nosso açaí fica mais barato. Nesse período, o açaí de outros estados deixa de ser um negócio competitivo”, destacou.
Mercado do açaí em expansão
Para o presidente da Amaçaí, a chegada de produtos de outros estados faz parte do crescimento natural do mercado.
“Não tem jeito, é mercado. Assim como o Pará recebe caminhões de limão, tomate, cebola, alho, laranja e outros produtos vindos de várias regiões e até de outros países, o açaí também vai circular pelo Brasil. Se houver produção com qualidade e preço competitivo, ele chegará aos consumidores”, afirmou.
Ele acredita que a expansão do cultivo de açaí fora da Amazônia acompanha o aumento da demanda nacional e internacional pelo produto.
Alerta aos produtores paraenses
Apesar de enxergar com naturalidade o crescimento da produção em outras regiões, Pikeno faz um alerta aos produtores paraenses.
Segundo ele, é necessário ampliar os investimentos em sistemas de produção irrigada e plantios em larga escala para garantir competitividade nos próximos anos.
“Eu incentivo que mais pessoas plantem açaí. Incentivo os produtores paraenses a investirem em grandes áreas de produção, porque outros estados já perceberam esse potencial. Se o Pará não ampliar sua produção, poderá perder espaço nesse mercado no futuro”, destacou.
O empresário lembra que a procura pelo fruto cresce todos os anos, principalmente nos períodos de entressafra, quando os preços aumentam.
“A demanda está muito aquecida. Cada vez mais fábricas estão sendo instaladas em municípios paraenses, as indústrias estão se modernizando com novas tecnologias de produção e armazenamento, e novos mercados estão surgindo. Precisamos produzir mais para atender essa procura crescente”, concluiu.
Fortalecimento da Amaçaí
Nazareno Alves também informou que a Amaçaí está prestes a receber uma emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Priante. O recurso deverá fortalecer a entidade e apoiar projetos voltados ao desenvolvimento do setor produtivo do açaí.
Os associados da Amaçaí estão animados com a chegada do investimento.
Produtores interessados em se associar podem procurar a secretaria da Amaçaí, com Kerlem Santos, pelo telefone: (91) 98864-4898.
Segundo o presidente da entidade, produtores de todas as regiões podem participar da associação.
Relacionadas
-
Evento
Felicidade Eterna - Programa de três dias mostra como cultivar a verdadeira felicidade
As Testemunhas estão entre as maiores organizadoras de congressos sem fins lucrativos do mundo, e este ano o evento será realizado no Centro de Convenções Sebastião Tapajós - Santarém, PA, com um prog... -
GASTRONOMIA
Restaurantes de Belém apostam em experiências gastronômicas para o Dia dos Namorados
O Dia dos Namorados segue entre as datas mais importantes para o setor de alimentação fora do lar no Brasil. Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indica que 83% d... -
EVENTO
Dia dos Namorados reforça importância da educação financeira nos relacionamentos
O amor pode até aproximar casais, mas quando o assunto é dinheiro, a falta de diálogo ainda está entre as principais causas de conflitos dentro dos relacionamentos. Com a chegada do Dia dos Namorados,... -
APRESENTAÇÃO
Em tempos difíceis, Suindara aposta na força da bondade e preservação da Amazônia em novo espetáculo
O Teatro Margarida Schivasappa recebe no dia 26 de Junho, às 20h30, o novo espetáculo do Pássaro Junino Suindara, intitulado “Amor, Semente do Ódio e Vingança”, de Carlos Alberto, do Grupo Junino O Ui... -
OPORTUNIDADE
Setor registra crescimento em 2026 e especialistas apontam impacto positivo do megaevento no consumo, varejo e logística
A proximidade da Copa do Mundo de 2026 já movimenta expectativas positivas em diferentes setores da economia brasileira. Mesmo com a competição sendo sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, espec... -
OPORTUNIDADE
Comunicação com autoridade: GAIA realiza treinamento para fortalecer presença e posicionamento profissional
Saber se comunicar com clareza, credibilidade e firmeza tornou-se uma habilidade essencial no ambiente profissional. Pensando nisso, a GAIA realiza, neste sábado (13/06), o treinamento "Voz, Presença... -
SAÚDE
Coração de torcedor sofre mesmo? Especialista explica o que acontece no organismo durante uma partida decisiva
A Copa do Mundo de 2026 começa oficialmente esta semana e, junto com ela, chega uma velha conhecida dos brasileiros: a montanha-russa de emoções que acompanha cada jogo, especialmente os da seleção br...