Favela Fashion

Moda, ancestralidade e sustentabilidade marcam lançamento da coleção "Travessias" na Ilha do Combu

Favela Fashion realiza primeira edição na Amazônia e apresenta peças produzidas por artesãs paraenses em desfile que une inclusão social, economia criativa e valorização da cultura amazônica

A moda ganhou um novo significado na última sexta-feira (10), quando a Ilha do Combu recebeu o Favela Fashion – Costurando Sonhos Brasil, projeto aprovado pela Lei Rouanet que realizou, pela primeira vez na Amazônia, o lançamento da coleção "Travessias". O desfile reuniu moda sustentável, empreendedorismo feminino, música, cultura e impacto social em um cenário cercado pela natureza amazônica.

A coleção foi criada por 15 artesãs e costureiras do Instituto Fênix de Mulheres, do bairro do Jurunas, após três meses de formação em corte, costura, modelagem, criação e empreendedorismo promovidos pelo Costurando Sonhos Brasil em parceria com o Azzas 2154, o maior grupo de moda da América Latina. A companhia contribuiu com mentorias e oficinas voltadas ao desenvolvimento e à confecção das peças, além de fornecer os tecidos utilizados na produção dos looks que serão apresentados no desfile. A iniciativa também contou com apoio do G10 Favelas, da Academia da Prosperidade e da Vida e do Instituto Tucunaré. As peças apresentadas na passarela traduziram referências da floresta, dos rios, da ancestralidade amazônica e da força das mulheres paraenses, utilizando materiais reaproveitados e técnicas sustentáveis.

Moda feita por quem vive a Amazônia

Mais do que apresentar roupas, o desfile revelou histórias de superação, autonomia e transformação social. A coleção "Travessias" foi concebida para valorizar a identidade amazônica por meio do olhar das próprias mulheres que vivem nesse território, fortalecendo o artesanato contemporâneo e a economia criativa local.

Durante o evento, as participantes também receberam certificados de conclusão da formação, celebrando o início de uma nova etapa profissional e empreendedora.

Moda como ferramenta de transformação

Para a co-fundadora do Costurando Sonhos Brasil, Suéli Feio, o projeto vai muito além da criação de roupas."Ver a coleção 'Travessias' ganhar vida na passarela é a realização de um sonho. É a prova de que, quando oferecemos oportunidade, formação e confiança, os talentos florescem. Essa coleção foi construída por mulheres paraenses, com a força da nossa ancestralidade e da Amazônia, mostrando que a moda também transforma vidas e cria novos caminhos para quem mais precisa. Estou muito feliz com o resultado deste trabalho"

O Costurando Sonhos Brasil já capacitou mais de 1.600 mulheres em situação de vulnerabilidade social em diversas regiões do país e tornou-se referência nacional em moda de impacto social. Durante a pandemia da Covid-19, o instituto coordenou a produção de mais de 2 milhões de máscaras, beneficiando comunidades em diferentes estados brasileiros.

No Pará, a instituição também desenvolveu ações solidárias como a produção de lenços destinados a pacientes em tratamento oncológico dos hospitais Ophir Loyola e Barros Barreto durante as campanhas do Outubro Rosa.

Amazônia no cenário internacional

O fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, ressaltou o potencial da produção amazônica para conquistar espaços internacionais.

"É motivo de muita alegria lançar a coleção Travessias na Ilha do Combu e mostrar a força da mulher paraense. Essas artesãs produziram uma coleção que representa a identidade da Amazônia e pode chegar às grandes passarelas do mundo. Acreditamos no potencial do Pará e queremos ver esse trabalho representando o Brasil na Semana de Moda de Milão."

Segundo a organização, peças produzidas em São Paulo, Recife e Belém deverão integrar futuras apresentações internacionais, levando a moda social brasileira para um dos maiores eventos do setor.O G10 Favelas criou uma campanha para levantar recursos para ajudar nos custos de passagem e hospedagem da comitiva com artesãs, empreendedores e líderes sociais para levar a cultura Marajoara à Milão. Para apoiar basta acessar o link: https://doa.re/mLxe

 

Trilha sonora valorizou a cultura amazônica

A passarela ganhou ainda mais emoção com o espetáculo "Amazônia Viva", dirigido pelo ativista social, compositor e produtor cultural Renato Rosas, da OCAS – Organização Comunitária de Adesão Social.

Com tambores amazônicos, flautas indígenas, sons da floresta, carimbó, guitarrada e elementos da música contemporânea, o espetáculo proporcionou uma experiência artística integrada à proposta da coleção. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação da canção "Travessias", composta especialmente para o lançamento.

"Fico muito feliz por apresentar novamente o espetáculo Amazônia Viva em um espaço tão simbólico quanto a Ilha do Combu. A OCAS já desenvolve diversos projetos neste território, como a Orquestra Ribeirinha, iniciativas de bioeconomia e ações voltadas à sustentabilidade. Quem deseja promover impacto socioambiental precisa olhar com carinho para esse trabalho desenvolvido junto às comunidades amazônicas", destacou Renato Rosas.

Empresas podem apoiar iniciativas de impacto social

Além dos resultados apresentados no desfile, o Favela Fashion reforçou o convite para que empresas invistam em projetos de impacto social por meio da Lei Rouanet.

O apoio permite dedução fiscal conforme a legislação vigente e fortalece ações voltadas à inclusão produtiva, diversidade, sustentabilidade e economia circular, alinhadas às práticas de ESG. Os patrocinadores também recebem visibilidade institucional, oportunidades de relacionamento e participação em ações desenvolvidas pelo projeto.

Um legado que permanece

Mais do que um desfile, a coleção "Travessias" deixou como legado a capacitação de mulheres, o fortalecimento do empreendedorismo feminino e a valorização da cultura amazônica.

Ao unir moda, arte, sustentabilidade e inclusão social, o Favela Fashion mostrou que a criatividade produzida nas periferias amazônicas possui qualidade, identidade e potencial para ocupar passarelas nacionais e internacionais, levando consigo histórias de resistência, pertencimento e transformação.


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