Música

Reggaetown prepara álbum duplo e leva reggae amazônico pelo Brasil em nova turnê após viralizar nas redes

Banda de Belém inicia circulação por cinco estados a partir de agosto, divide festivais com nomes nacionais e internacionais do reggae e apresenta nos shows músicas inéditas da nova fase autoral

Reggae, brega, carimbó e guitarrada fazem parte da paisagem musical em que a Reggaetown nasceu, há 16 anos, em Belém do Pará. É com esse sotaque latino-amazônico que a banda cruza o Brasil a partir de agosto, em uma nova turnê nacional que acompanha a expansão do grupo para além do Pará. Depois de viralizar nas redes com versões em reggae e alcançar novos públicos no Brasil e no exterior, a Reggaetown vive uma nova fase da carreira e finaliza um álbum duplo de músicas autorais.

A turnê começa em Fortaleza, no dia 27 de agosto, e segue por Ceará, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Piauí, entre shows próprios e festivais. No Vix Festival, em Vitória, e no Fyah Festival, em Brasília, a Reggaetown divide programação com nomes nacionais e internacionais do reggae, entre eles Israel Vibration, Mato Seco, Ponto de Equilíbrio, Cidade Verde, Alma Djem e Filosofia Reggae. Músicas inéditas do novo trabalho também entram no repertório preparado para a circulação.

“Cada turnê é sempre um sonho de moleque se realizando. Todo músico sonha com esse acontecimento. Sair de Belém, poder estar presente com grandes nomes da cena nacional e mundial, para a gente é algo incrível”, afirma Bruno Rodriguez, vocalista da Reggaetown.

Um reggae com sotaque da Amazônia

A história da Reggaetown começou em Belém, em 2010, quando Bruno e Lelo, que integravam outra banda, decidiram criar um projeto mais próximo das próprias referências musicais. Hoje, o grupo é formado por Bruno Rodriguez, nos vocais; Lelo, no baixo; Julian, na bateria; e Adria, na guitarra, além de Augusto, no staff.

O reggae sempre esteve no centro dessa formação, mas nunca chegou sozinho. Bruno cresceu na região entre Cidade Velha e Jurunas, em Belém, ouvindo reggae ao lado de cumbia, brega, melody, rock e ritmos regionais.

“O reggae sempre foi a nossa cultura, junto com os ritmos regionais daqui. A gente cresceu ali na fronteira da Cidade Velha com o Jurunas, onde a musicalidade é muito forte. Desde a cumbia, o brega, o melody, o reggae, o rock. Crescemos ouvindo nossos pais, amigos mais velhos ouvindo esses estilos musicais e que naturalmente viraram nossa referência”, conta Bruno.

É dessa formação que vem o sotaque latino-amazônico que a banda imprime ao reggae. O gênero jamaicano funciona como base para uma sonoridade atravessada pelo brega, carimbó e guitarrada, além de referências de MPB, hip hop, samba e rock que fizeram parte da experiência musical dos integrantes em Belém.

A identidade da Reggaetown também conversa com uma cultura regueira que ultrapassa as fronteiras do Pará. Para Bruno, Belém, Maranhão e Ceará compartilham o gosto por um reggae mais dançante e pelas vertentes românticas do roots. Na formação musical da banda aparecem jamaicanos como Gregory Isaacs, Alton Ellis, Eric Donaldson e Dennis Brown e brasileiros como Tribo de Jah, Dona Leda e Raiz Tribal, referências importantes nos primeiros anos do grupo.

Do viral para a estrada

A ideia de publicar versões nasceu de um pedido dos amigos que viviam fora de Belém e queriam ouvir as releituras em reggae que a Reggaetown já apresentava nos shows. A banda começou a gravar e publicar uma versão por semana. Até que os vídeos passaram a viajar bem mais longe.

De um lado, Chico Buarque e a MPB. Do outro, o peso do System of a Down. Uma das versões da Reggaetown foi compartilhada por Chico e, mais tarde, uma releitura de uma música do System of a Down chegou ao baixista da banda, que também repostou o trabalho dos paraenses. Dois universos musicais muito diferentes acabaram levando o reggae feito em Belém a novas audiências.

“A gente fazia as versões ao vivo, mas nossos amigos de outras cidades ficavam pedindo para a gente filmar e mandar para eles. Foi aí que tivemos a ideia de fazer uma versão por semana e postar nas redes sociais. Até que um dia o Chico Buarque repostou uma versão que fizemos da música dele, aí começou a ir para outros públicos pelo Brasil. E quando fizemos uma versão da música do System of a Down, o baixista repostou, aí a banda alcançou outros públicos ao redor do mundo”, conta Bruno.

O efeito começou a aparecer também na estrada. Segundo o vocalista, a repercussão dos vídeos contribuiu para o crescimento da banda e facilitou a realização de shows em outras cidades. Desde 2022, a Reggaetown vem fazendo turnês por diferentes partes do país.

As versões, porém, não substituíram a produção própria. A banda passou a aproveitar a audiência atraída pelas releituras para apresentar suas composições. Nos shows, costuma posicionar músicas autorais logo depois das versões conhecidas pelo público.

“A gente aproveita a visibilidade e também filma as músicas autorais. O público acaba gostando de tabela das nossas músicas. Foi meio que uma estratégia para fazer as músicas próprias serem divulgadas. Com o tempo, conseguimos ver as pessoas ouvindo o nosso trabalho autoral”, explica Bruno.

Dois discos para uma nova fase autoral

Essa produção própria ganha agora um novo capítulo. A Reggaetown está na fase de mixagem e masterização de um álbum duplo, ainda sem título definido, e algumas das músicas inéditas já estarão no repertório da turnê.

Os dois trabalhos apontam para caminhos diferentes. Um deles se aproxima do new roots, com timbres mais atuais e composições que cruzam reggae, rap e dub. O outro segue por uma atmosfera mais leve e romântica, que Bruno define como uma pegada de “reggae cachoeira”.

O projeto terá participações de Cidade Verde Sounds, de São Paulo; Regiane Araújo, de São Luís; Dudu Urband e Pump Killa, de São Paulo.

O álbum dá continuidade a uma produção autoral que inclui “Viver na Paz”, lançado em 2014 com 12 faixas, Aura Sessions, de 2017, e singles como “Grito de Terceiro Mundo”, “Casa de Palha”, “Se Liga (Força pra Lutar)”, “Me Torna Seu” e “Última Dança”.

Aos 16 anos, a Reggaetown chega à nova circulação com diferentes caminhos se abrindo ao mesmo tempo: as versões ampliaram o público, a estrada levou a banda para outros circuitos e a produção autoral aponta para o que vem pela frente. Tudo isso sem deixar para trás a paisagem musical onde o grupo nasceu.

“A gente sempre tem uma expectativa do próximo passo, de algo vir após essas turnês. E eles sempre vêm. Vamos trabalhando com cautela, sem tirar os pés do chão, fazendo o que tem que ser feito, sem criar muita expectativa, mas preparados para tudo que puder acontecer”, afirma Bruno.

Turnê nacional Reggaetown 2026

27/08 Fortaleza - CE ( Kaza Cumbuco)

28/08 Canoa Quebrada - CE ( Freedom Bar )

29/08 - Vitória - ES ( Vix Festival)

30/08 Brasília - DF ( Fyah Festival) Festival internacional de reggae

05/09 Niterói - RJ ( Espaço Juruna)

06/09 Lapa - Rj ( Havana 59)

09/09 Jericoacoara - CE ( Los Lokos)

10/09 Preá - CE ( Dune Music )

11/09 Icaraizinho- CE ( Sunset icaraizinho)

12/09 Timon - PI

13/09 Parnaíba -PI ( Casarão Mi Reggae)


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