Música

Do carimbó ao hip-hop, Afro Maré celebra a cultura negra em Mosqueiro

Festival gratuito reúne artistas e manifestações de diferentes territórios e gerações no dia 6 de setembro, no Caramanchão do Chapéu Virado

Carimbó, tecnobrega, hip-hop, breaking e expressões da cultura afro-brasileira se encontram na primeira edição do Festival Afro Maré, que acontece no dia 6 de setembro, a partir das 12h, no Caramanchão do Chapéu Virado, em Mosqueiro. Com entrada gratuita, a programação reúne Afro Axé Dudu, Flow Cabano, DJ Nayty Show, Estação Carimbó, Os Quentes da Madrugada, Moqueio Tupinambá e Odé Lomi, além de batalha de rima, batalha de breaking e concurso de tecnobrega.

Idealizado por Daniel ADR, artista e produtor cultural, o Afro Maré nasce de sua relação com Mosqueiro, onde mantém um terreiro ligado ao Tambor de Mina. A área pertence à família há mais de duas décadas e é cercada por mata preservada, com um rio nos fundos. É nesse território, marcado pela presença das águas e pela vivência de terreiro, que surgiu a ideia do festival.

“Veio o afro da atuação que faço lá, dentro do culto do Tambor de Mina, e a maré porque estamos em uma ilha cercada pelas águas. Foi daí que surgiu o Afro Maré”, explica.

A partir dessa experiência, o festival amplia a ideia de cultura afro para além das manifestações religiosas e aproxima tradições populares de linguagens urbanas contemporâneas.

“Quando se fala em festival afro, quase sempre são colocadas apenas atrações que fazem parte das religiões de matriz africana. Eu enxergo o afro de uma forma muito mais ampla. O rap, o break dance e o próprio brega também estão nesse lugar. Tentei trazer para a programação essas diferentes expressões culturais, das mais tradicionais às mais contemporâneas”, afirma Daniel.

Um encontro de territórios e gerações

Um dos destaques da programação é Os Quentes da Madrugada, de Santarém Novo, que leva a Mosqueiro uma das tradições mais autênticas do carimbó paraense. Ligado à Irmandade de Carimbó de São Benedito, o grupo está na quinta geração de uma tradição com mais de dois séculos, mantida em torno da festividade dedicada ao santo. O carimbó de Santarém Novo preserva características próprias, como os curimbós afinados com corda e o rufo, instrumento criado no município.

Em 2025, essa história ganhou um registro com Identidade Única, álbum gravado ao vivo no barracão da Irmandade. O trabalho reúne músicas centenárias que permaneciam na memória da comunidade e eram transmitidas oralmente entre gerações.

O carimbó também aparece pelo olhar de quem vive o território que recebe o festival. Moqueio Tupinambá, ligado à Ilha de Mosqueiro, surgiu de uma mobilização cultural de jovens da comunidade e desenvolveu sua trajetória aproximando artesanato, formação e música. Ao lado de Estação Carimbó, o grupo amplia a presença do ritmo na programação e coloca diferentes experiências do carimbó paraense em diálogo.

Se Os Quentes da Madrugada trazem uma tradição que atravessa séculos, Afro Axé Dudu representa outra dimensão da cultura negra paraense: a afirmação da identidade e o enfrentamento ao racismo por meio da cultura. Criado pelo CEDENPA, o bloco surgiu em 1987 como instrumento de valorização da negritude e de combate à discriminação racial. Sua trajetória está ligada à atuação cultural do CEDENPA, organização fundada em 1980 na luta pela valorização da população negra no Pará.

A programação também conta com Odé Lomi, mulher de terreiro que reúne canto, composição, percussão, dança e pesquisa em uma produção marcada por referências afro-amazônicas. Sua presença aproxima a dimensão religiosa que está na origem do Afro Maré de outras expressões artísticas do festival.

Do terreiro à pista

A cultura urbana entra em cena com Flow Cabano, que leva o hip-hop para a programação, e com as batalhas de rima e breaking, abertas à participação do público. A proposta dialoga diretamente com a trajetória de Daniel ADR, rapper, compositor, beatmaker e produtor cultural ligado às batalhas de MCs de Belém.

O tecnobrega completa o percurso com DJ Nayty Show, nome ligado à cena do gênero no Pará, e um concurso aberto ao público. Assim, quem estiver no Afro Maré poderá não apenas acompanhar os shows, mas também dançar, rimar, competir e participar das atividades.

A proposta do festival está justamente no encontro dessas expressões: colocar no mesmo espaço uma tradição centenária de carimbó, manifestações afro-brasileiras e linguagens que ganharam força nas culturas urbanas e periféricas. Com entrada gratuita, o Afro Maré apresenta essa diversidade em uma programação que combina música, dança e participação do público.

Serviço

Festival Afro Maré

Data: 6 de setembro

Horário: a partir das 12h

Local: Caramanchão do Chapéu Virado, Ilha de Mosqueiro, Belém (PA)

Entrada: gratuita

Programação: Afro Axé Dudu, Flow Cabano, DJ Nayty Show, Estação Carimbó, Os Quentes da Madrugada, Moqueio Tupinambá e Odé Lomi, além de concurso de tecnobrega, batalha de rima e batalha de breaking.


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