Sustentáveis

Organização completa 30 anos dedicados à economia da floresta em pé na Amazônia

Instituto Floresta Tropical, sediado em Belém, tem ajudado a promover o setor florestal brasileiro como um dos mais produtivos e sustentáveis do mundo

A história do Instituto Floresta Tropical Johan Zweede (IFT), sediado em Belém, está ligada diretamente à história do manejo florestal sustentável madeireiro da Amazônia. Idealizada pelo engenheiro florestal Johan Cornelis Zweede, pioneiro no desenvolvimento de técnicas e pesquisas na área de manejo florestal na Amazônia Brasileira, a organização se tornou, ao longo de três décadas, referência internacional em disseminação e aprimoramento do manejo florestal sustentável no país.

Entre os principais legados da instituição estão os projetos de fomento ao manejo florestal em unidades de conservação da Amazônia, iniciativas de restauração, implementação de sistemas agroflorestais e as ações de treinamento, que já capacitaram 10 mil pessoas, incluindo trabalhadores, empresários, agentes do governo e comunitários do Brasil, Guiana, Suriname, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Gana, Estados Unidos e Bolívia.

“Desde 1996, o Instituto mantém firme a sua missão de promover a adoção de boas práticas de manejo florestal, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população. Mas ao mesmo tempo, a organização tem se atualizado com as mudanças do setor de sociobioeconomia, destacando o protagonismo das comunidades tradicionais e criando condições favoráveis para que o manejo florestal sustentável se consolide como uma alternativa viável ao desmatamento, contribuindo para a valorização da floresta em pé e para o desenvolvimento territorial”, afirma Marco Lentini, secretário executivo do IFT.

Fundado inicialmente como Fundação Floresta Tropical, o Instituto Floresta Tropical ‘Johan Zweede’ passou por diversas mudanças ao longo dos últimos 30 anos, como a inclusão do nome de seu fundador, falecido em 2022, ao nome oficial da organização; a expansão de projetos de aprimoramento do manejo e das estratégias de conservação florestal no arquipélago do Marajó; e a criação da Gerência de Sociobiodiversidade e Bioeconomia (GSB), instituída no ano passado.

A nova frente do instituto tem a missão de estruturar cadeias de valor, aprimorar processos de rastreabilidade e certificação e promover a repartição justa de benefícios entre comunidades e empresas.

“Com essa ampliação, abrimos oportunidades para populações tradicionais e pequenos produtores gerarem renda por meio de produtos como óleos, resinas, frutos e fibras. Dessa forma, valorizamos o conhecimento tradicional e fomentamos práticas produtivas responsáveis, garantindo segurança alimentar e conservação da sociobiodiversidade a longo prazo”, explica Paula Vanessa Silva, gerente da GSB.

 

Indicadores de impacto 

Além do apoio às comunidades tradicionais da Amazônia para a estruturação do manejo florestal comunitário e familiar (MFCF) com fins de produção madeireira e não madeireira, os projetos desenvolvidos pelo IFT fortalecem as organizações locais e fomentam a economia da floresta em pé. 

Em 30 anos de atuação, a organização já beneficiou 40 comunidades extrativistas e alcançou três mil hectares de áreas impactadas por boas práticas de manejo. O Instituto também contabiliza a realização de 530 cursos de capacitação e a marca de 120 parceiros institucionais entre organizações socioambientais, setor público, setor privado, universidades e financiadores.

 

Organização ajuda a promover o setor florestal brasileiro como um dos mais produtivos e sustentáveis do mundo 

O setor florestal brasileiro se destaca atualmente como uma das referências mundiais em produtividade e sustentabilidade, resultado de décadas de investimento em pesquisa, manejo florestal e práticas responsáveis pelo uso do solo.  Segundo o Relatório Global de Florestas 2026, produzido pela ONU, a expansão do manejo florestal sustentável nos últimos anos colocou o Brasil em segundo lugar no ranking de países com a maior quantidade de florestas no mundo. 

Entre 2020 e 2025, o país que concentra 497 milhões de hectares de florestas, o que representa 12% das áreas verdes no mundo, expandiu os territórios sob concessões federais de 1,05 para 1,59 milhão de hectares e aumentou significativamente a zona florestal sob planos de manejo sustentável de longo prazo. 

Esse processo produziu mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade total, gerando mais de R$ 217 milhões em receitas.

 

Contribuição para o equilíbrio do clima 

Outro resultado importante do apoio às iniciativas de manejo sustentável na região é a contribuição para a biodiversidade e para a redução dos efeitos das mudanças climáticas. Estudos científicos baseados em meta-análises demonstram que o manejo responsável é capaz de manter 76% dos níveis de carbono e 85%-100% das espécies de mamíferos, aves, invertebrados e plantas em relação à situação pré-exploração. 

“Em suma, fomentar o manejo florestal pelas comunidades tradicionais da Amazônia é um investimento interessante para que possamos garantir paz no campo, desenvolvimento social duradouro, repartição justa de benefícios, a proteção de nossa biodiversidade enquanto mitigamos a atual crise climática”, destaca Lentini. 

Para comemorar os seus 30 anos de fundação, O IFT realiza a partir do dia 5 de setembro, dia da Amazônia, até o final do mês, uma série de ações como rodas de conversa, produção de conteúdo educativo e um selo comemorativo sobre as três décadas de atuação em defesa da economia da floresta em pé.


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