Educação

Estudantes do Pará criam soluções para a Amazônia e chegam à final de prêmio nacional com mais de 9 mil participantes

Alunas da UFPA e do Cesupa desenvolveram projetos que usam tecnologia para apoiar comunidades extrativistas e pequenos produtores rurais. Vencedores serão anunciados nesta terça-feira (20) e ganharão viagem de estudos à China.

Duas estudantes do Pará que desenvolveram soluções tecnológicas voltadas à realidade amazônica estão entre os 15 finalistas do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário 2026, que reuniu mais de 9 mil participantes de todo o Brasil. Maria Paula Bastos, de 27 anos, e Brenda Nascimento, de 21, concorrem a uma viagem de estudos à China. Os cinco vencedores serão anunciados nesta terça-feira (20), em São Paulo.

As paraenses apostaram em caminhos diferentes para enfrentar desafios da região: uma criou uma startup que utiliza inteligência artificial para fortalecer a bioeconomia amazônica, enquanto a outra desenvolveu um sistema de irrigação de baixo custo para ajudar pequenos produtores rurais a enfrentar períodos de seca.

Maria Paula é estudante de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e fundadora da Uiro, startup que utiliza inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados, conhecida como Big Data, para produzir indicadores que auxiliam decisões comerciais na bioeconomia.

A tecnologia já foi validada com três clientes e tem impacto estimado em cerca de 200 famílias extrativistas.

Já Brenda, estudante de Ciência da Computação do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), é cofundadora da Kitembu, projeto que combina potes de barro porosos e sensores conectados à internet para criar um sistema de irrigação de baixo custo.

A proposta busca ajudar pequenos produtores rurais a lidar com a escassez de água, utilizando tecnologia para tornar a irrigação mais acessível.

Além do projeto, Brenda atua na Prefeitura de Belém, onde contribuiu para a estruturação tecnológica de uma plataforma de integração de dados municipais.

De projetos universitários a uma experiência internacional

As duas estudantes chegaram à etapa final de uma seleção nacional que avalia iniciativas desenvolvidas durante a graduação, incluindo pesquisas científicas, empreendedorismo, tecnologia, cultura, ações sociais e experiências profissionais.

O prêmio não exige nota mínima no Coeficiente de Rendimento Acadêmico (CRA). O processo considera os resultados alcançados pelos estudantes, a capacidade de liderança e o impacto das iniciativas.

Após etapas de triagem, entrevistas, testes de raciocínio lógico e avaliações regionais, 15 universitários foram selecionados para uma imersão presencial de quatro dias em São Paulo.

Durante a programação, os finalistas participam de visitas a empresas, atividades de desenvolvimento de liderança e apresentações dos projetos para uma banca avaliadora.

Ao final, cinco estudantes, um de cada região do Brasil, serão escolhidos para uma imersão educacional de uma semana na China, prevista para janeiro de 2027.

A viagem terá passagens, hospedagem, alimentação e tradução custeadas pelo programa. Os vencedores poderão conhecer universidades, empresas e centros de inovação do país asiático.

Reconhecimento de jovens de diferentes regiões

Para Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática, a premiação busca mostrar como estudantes podem transformar oportunidades educacionais em iniciativas que beneficiem outras pessoas.

“O Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário tem como objetivo valorizar o ensino superior e inspirar as próximas gerações de universitários a partir de exemplos de jovens da mesma região, que dividem realidade parecida, mas que conseguiram aproveitar educação e oportunidades para gerar impacto ao redor”, afirma.

A CEO também destaca a diversidade de projetos desenvolvidos pelos participantes.

“Os 15 finalistas foram selecionados em todas as regiões do país pelos resultados que alcançaram, pelo protagonismo que demonstram dentro e fora da sala de aula e pelo potencial que têm, em um processo seletivo que reuniu mais de 9 mil participantes. Seus projetos, da tecnologia aplicada à saúde ao empreendedorismo, passando pela pesquisa científica, mostram que há iniciativas de impacto sendo desenvolvidas de norte a sul do Brasil”, diz.

O que acontece depois da premiação?

Além da viagem internacional destinada aos cinco vencedores, todos os 15 finalistas terão acesso a uma bolsa para o curso Execução de Alta Performance, possibilidade de mentoria com lideranças empresariais e participação em uma comunidade permanente de ex-finalistas.

O Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário está na segunda edição e é realizado pela plataforma educacional Na Prática, braço filantrópico do banco BTG Pactual, com apoio da EXAME e da Suzano.

Na edição anterior, o prêmio recebeu mais de 8 mil inscrições. Os vencedores participaram de uma experiência internacional que incluiu visitas a organizações como Alibaba e Huawei, além de centros de desenvolvimento tecnológico na China.


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