Belém 400 anos
Relançamento de obra de Augusto Meira Filho celebra centenário do autor e integra comemorações pelos 400 anos da cidade (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
O ano de 2016 vai ser especial para Belém, pois no dia 12 de janeiro a cidade completa 400 anos. Para celebrar essa grande data, a Prefeitura de Belém montou uma agenda de comemorações para o ano inteiro. Como parte da programação, acontecerá o relançamento da principal obra do engenheiro e cronista paraense Augusto Meira Filho, “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará” que ganha edição comemorativa aos 100 anos de nascimento do autor. O evento será realizado no dia 05 de janeiro, a partir das 19h, no Atrium Quinta das Pedras Hotel.
A obra foi publicada originalmente em 1976, e nela o autor declarava seu amor pela cidade ao percorrer 200 anos da história de Belém, desde os primórdios, inspecionando a evolução urbanística da metrópole amazônica. O livro, em dez capítulos, investiga a evolução urbana da paisagem, da expansão territorial da cidade e a construção de alguns dos principais monumentos, desde 1616 até 1823.
A primeira e única edição do livro foi esgotada. Para a segunda edição haverá uma tiragem de mil exemplares, com 30% das cópias distribuídas para bibliotecas públicas. “É um livro-álbum que deve servir de instrumento de consulta, cultural e educativo. A obra em si é, antes de tudo, o reflexo do pensamento de um cidadão sobre o lugar onde vive - no caso, sobre a cidade de Belém”, pontua o engenheiro Aurélio Meira, filho do autor. Aurélio assumiu a administração do projeto junto com os irmãos, cujo objetivo é tornar realidade o Instituto Meira Filho, para reeditar outras obras do intelectual paraense.
A ideia da reedição do livro surgiu há cerca de quatro anos para celebrar o centenário do autor, divulgar sua obra, assim como para se unir as comemorações dos 400 anos de Belém, cidade tema do livro. O conteúdo da primeira edição foi mantido na íntegra, contando apenas com atualização ortográfica e de normas técnicas, além de um novo projeto gráfico, com acréscimo de algumas imagens.
Para o antropólogo e historiador Márcio Meira, também filho do autor, que assumiu a coordenação editorial e organização da 2ª edição do livro, este momento de comemorações é uma maneira de prolongar o legado do pai. “A família está muito satisfeita com o resultado do trabalho. O livro ficou muito bonito e dessa forma desejamos contribuir não só para o legado do autor como para a memória da cidade de Belém”, disse ele.
Produzida via Lei Semear, essa edição de “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará” conta com uma introdução do historiador Aldrin Moura de Figueiredo e texto sobre o autor assinado pela arquiteta Elna Trindade, admiradores do trabalho de Augusto Meira Filho, cuja biografia ilustrada também integra a obra, além de ilustrações reproduzidas dos séculos XVII, XVIII e XIX que retratam diversos aspectos da capital paraense.
Na cerimônia de lançamento da nova edição, artistas paraenses como Salomão Habib e Paulo José Campos de Melo abrilhantarão a comemoração tocando músicas da terra.
Sobre o autor - O engenheiro Augusto Meira Filho foi um apaixonado por Belém e pela cultura. Filho de José Augusto Meira Dantas – que foi senador -, Augusto Meira Filho, nascido em 5 de agosto de 1915, foi gestor público, atuando como diretor do Serviço de Águas do Pará (antiga Cosanpa), onde teve como desafio a questão sanitária e regularização do abastecimento; foi um dos fundadores da Sociedade Artística Internacional e da Sociedade dos Amigos de Belém, voltada a defesa do nosso patrimônio cultural. Augusto ainda se destacou como primeiro presidente da Fundação de Cultura do Estado do Pará, que deu origem a atual SECULT. Historiador autodidata, Augusto Meira Filho também era poeta e jornalista, escrevendo para o jornal A Província do Pará nos anos 60 e 70. Suas colunas, “Ronda da Cidade” e “Jornal Dominical” deram origem aos primeiros livros, entre os mais de 20 publicados – como “O Bi secular Palácio de Landi” -, sendo “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará” sua obra mais reconhecida e a que lhe rendeu o carinhoso apelido de “namorado de Belém”, pela vocação preservacionista e a defesa apaixonada da cidade, do verde e de seu patrimônio, até a sua morte, em 8 de julho de 1980.
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