Hospital de Clínicas

Exposição fotográfica marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial foi comemorado no Hospital de Clínicas com a exposição de 21 fotos e apresentação musical (Foto: ASCOM HCGV)

Um momento de alegria, marcado pela curiosidade da mão que busca entender as linhas da imagem. O cotidiano dos pacientes atendidos no Setor de Internação Breve (SIB), da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), está retratado na exposição de 21 fotos, aberta nesta sexta-feira (18). O evento, que teve apresentação musical e bolo, marcou o Dia Nacional da Luta Antimanicomial - 18 de Maio, instituído em 1987 após manifesto público a favor da extinção dos manicômios, durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, realizado na cidade de Bauru, interior de São Paulo.

A ação dos profissionais da saúde mental deu início ao Movimento da Reforma Psiquiátrica, com o objetivo de humanizar o atendimento oferecido aos pacientes em sofrimento mental, buscando a garantia da cidadania de usuários e familiares, historicamente discriminados e excluídos.

A autora das fotos, a terapeuta ocupacional Márcia Nunes, registrou cenas que mostram como o paciente em tratamento ultrapassa obstáculos, oferecendo a esse público, e aos visitantes da exposição, uma forma de enxergar o paciente em sofrimento mental com outro olhar no processo terapêutico.

Fortalecendo laços - As fotos revelam momentos do cotidiano, como exercício em grupo, aula de desenho e a reunião para o abraço coletivo. A terapeuta também ressaltou que, desde a aprovação da Lei de Reforma Psiquiátrica, em 2001, o Brasil iniciou uma nova fase nos direitos de pessoas com transtornos mentais, fortalecendo os laços entre paciente e sociedade, dando ainda mais evidência aos objetivos contidos no Dia Nacional da Luta Antimanicomial. “É uma data muito importante para a gente, porque lutamos para que não voltem os manicômios, mas sim que possamos dar uma assistência humanizada, de acordo com o que fazemos na clínica psiquiátrica”, reiterou Márcia Nunes.

A família do paciente, fundamental na terapêutica psiquiátrica, também está presente nos registros. A doméstica Sueli Silva, 56 anos, mãe de uma paciente de 33 anos, disse que a filha está em tratamento há um mês, e essa experiência está sendo difícil para a família. Por isso, momentos como os proporcionados durante a abertura da exposição são vistos com gratidão. “Eu e minha filha nunca visitamos uma exposição fotográfica. Foi incrível ver eles (pacientes) dançando e cantando. Tira um pouco das dificuldades do dia a dia”, declarou Sueli Silva.

Para a presidente da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Ana Lydia Cabeça, a exposição - a primeira do gênero no hospital -, resgata ações realizadas na psiquiatria, e também é uma forma de inserir a família, e a coletividade, no contexto do paciente. “É uma ação de grande valorização, tanto dos pacientes como da equipe de trabalho, e trouxemos música, beleza e arte para integrar todos os efeitos terapêuticos das atividades feitas na psiquiatria”, ressaltou. (Colaboração de Angélica Correa).s


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