Nordeste paraense

Referência em turismo rural, propriedade de Augusto Corrêa recebe mais de 500 turistas por ano

São 64 hectares no total, com trilhas, igarapé, nascentes, lavouras de mandioca, agroindústria de processamento de frutas, sistemas agroflorestais (safs) com espécies frutíferas e florestais, meliponicultura e criação de galinha caipira. Foto: Arquivo.

Localizada em Augusto Corrêa, na região do Salgado, a fazenda Bacuri se transformou em uma opção turística para quem busca contato com a natureza e vivenciar um pouco da vida no campo. Acessível pela capital Belém - 200 km, a propriedade tem como dois de seus principais atrativos a produção orgânica e os banhos de igarapé. Nesta quarta-feira (23), representantes do Governo do Pará e da propriedade se reuniram para discutir possibilidades de incentivo às atividades realizadas no local.

A iniciativa conta com o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) desde 2009.  A família Osaka, proprietária da fazenda, recebe anualmente mais de 500 turistas (muitos desses, estrangeiros) para hospedagem e tour com degustação, a preços justos. Além disso, grupos de estudantes e profissionais realizam visitas científicas.

A experiência é de imersão cultural, gastronômica e ecológica. A alimentação servida é toda baseada nos produtos desenvolvidos ali e preparada conforme a tradição e critérios de segurança e saúde: tudo da propriedade é certificado e os ingredientes são naturais.

“A Emater, posso dizer, que me abriu portas impressionantes e fundamentais: além da assistência técnica regular e do crédito rural, pela parceria com a Emater regularizei minha agroindústria e conquistei o selo da agricultura familiar, que me possibilitou divulgar o trabalho de forma muito mais eficaz, concorrer em chamadas públicas e participar dos maiores eventos nacionais e internacionais do setor. Já levamos nosso trabalho para feiras na África do Sul, Alemanha e Peru, por exemplo”, contou a agricultora e engenheira florestal Hortência Osaqui. A próxima participação será no Festival Fartura, neste fim-de-semana (26 e 27) na Estação das Docas, em Belém.

Na perspectiva dela, o turismo rural “com produção associada é uma experiência única, um diferencial no mercado em níveis nacional e internacional, ainda mais no contexto da Amazônia, com essa marca e apelo. Hoje, as pessoas no mundo inteiro são interessadas não só em vir pra Amazônia e pronto. Elas querem conhecer a realidade, o cotidiano, saber a história, a dinâmica, como os recursos naturais podem ser explorados de modo sustentável e resultar em produtos que são de sabor único e especial e valorizam a cultura e as tradições”, complementa Osaqui.

Fazenda Bacuri - A produção orgânica da propriedade tem o selo da agricultura familiar (Sipaf) e crédito rural atual de R$ 60 mil, da linha Mais Alimentos, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf/ Banco do Brasil). O Selo traz uma novidade: QR Code, que pode ser lido pela câmera de qualquer smartphone e de imediato identificar, na tela, número de série de cada produto, procedência, trajetória dos agricultores e da propriedade.

“São empreendimentos como esse que servem de norteamento, respaldo e argumento para a importância do trabalho da Emater. É o estado crescendo junto e provando que natureza, produção, lucro, valorização da cultura, tudo pode ser integrado em termos de política públicas e de resultado para a sociedade”, disse a presidente da Emater, Cleide Amorim.

São 64 hectares no total, com trilhas, igarapé, nascentes, lavouras de mandioca, agroindústria de processamento de frutas, sistemas agroflorestais (safs) com espécies frutíferas e florestais, meliponicultura e criação de galinha caipira. A propriedade, na justificativa do seu próprio nome, também é destacada em específico pelo extrativismo de bacuri manejado: são 35 hectares com 18 modelos de fruto e safra média de 300 mil frutos e 2 toneladas só de polpa, em 4 meses (janeiro a abril – no mais tardar, maio).

São produzidas dezenas de tipos de geléia, doces licor e beiju de mandioca. As sementes já são vendidas para uma empresa de biocosmésticos, para o desenvolvimento de manteiga. As cascas, ricas em antioxidantes, estão sendo avaliadas também para biocosméticos e biomedicamentos.

Para a técnica do escritório da Emater em Augusto Corrêa, a veterinária Karine Sarraf, a Fazenda Bacuri é um exemplo de que o agricultor familiar é um elemento imprescindível para o agronegócio: “É um exemplo de agricultor familiar comprometido. O conceito de desenvolvimento sustentável no campo abraça gestão de negócios, visão empresarial, aproveitamento racional de recursos e envolvimento com a comunidade”, resumiu.

Participaram também da reunião o diretor administrativo da Emater, Cláudio Pereira; e o zootecnista da fazenda e um dos responsáveis pelo projeto, Sadayoshi Osaqui.

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Augusto Corrêa cultura

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