ECOMUSEU
Ônibus escolar da Funbosque levou as 25 pessoas do grupo pelo II Roteiro de Memória da Ilha de Caratateua (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
Com base no princípio de museu de território que valoriza as tradições de comunidades locais, o Ecomuseu da Amazônia promoveu neste sábado, 11, o II Roteiro de Memória da Ilha de Caratateua para um grupo de 25 pessoas formado por visitantes, pessoas de outras comunidades e profissionais voluntários de turismo e museologia. A iniciativa, ainda em fase experimental, também quer gerar desenvolvimento econômico por meio da sustentabilidade. O passeio começou e terminou no Ecomuseu, que fica localizado na avenida Nossa Senhora da Conceição.
A coordenadora do Ecomuseu da Amazônia, Terezinha Rezende, conta que o projeto vem sendo elaborado há algum tempo e no final de 2019 foi colocado em prática para a visitação guiada de 12 pontos de memória, divididos em três fases. "A ideia é trabalhar quatro eixos temáticos que são a cultura, meio ambiente, turismo de base comunitária e cidadania para socializar o conhecimento acerca do patrimônio natural e cultural, estimulando a consciência coletiva em torno de sua preservação", explica Terezinha, que ressalta que os fazedores de cultura passaram por oficinas de capacitação de guiamento, comunicação, manipulação de alimentos, apresentação oral e acolhida dos visitantes.
Pontos de Memória - No primeiro roteiro realizado em novembro de 2019 foram visitados o Ponto de Cultura Ninho do Colibri, com Laurene Ataíde, no bairro São João; a Folia de Reis, Pastorinha e Carimbó, com Mestre Zuila, no bairro Itaiteua; o Eco Sítio Vale Verde, da Tia Léo, na comunidade Vista Alegre, bairro do Fama; e a Artesania Naval do Senhor Tabaco, no balneário no bairro da Brasília, com apresentação do mestre de carimbó Orioval Soares.
Neste segundo roteiro foram visitados o Cordão de Pássaro Pipira, manifestação cultura genuinamente paraense, com Iara Coutinho, no bairro Água Boa; o Art Zito, com Wildinei Lima, que mostrou maquetes do imaginário do cotidiano ribeirinho, no bairro São João; a Biblioteca Tralhoto e o Boi Misterioso, do poeta Apolo de Caratateua, no bairro Itaieua; e o Sítio da Natureza, da Mary Silva, no bairro Fidélis; terminando no Restaurante da Floresta, do casal Edimar Freitas e Luci Moraes.
No início do passeio os visitantes receberam um cordão da boneca negra Abayomi, feita de retalho de panos em nós, que representa a cultura africana e significa encontro precioso, usada para atrair sorte, felicidade e alegria. A boneca foi confeccionada pela Iracelia Alves, agricultora da Ilha de Cotijuba. E a cada parada, os visitantes eram surpreendidos com histórias locais. Cada participante pagou um valor de R$ 32, que incluía café da manhã, souvenirs, refrescos de frutas da terra e almoço regional.
Visitantes - A macapaense Gabrilea Barbosa todo ano visita a família paterna em Belém e ficou encantada com o passeio. "Gostei muito da Biblioteca do Seu Apolo, que faz um trabalho social com as crianças da Ilha e do Sítio da Natureza, da May, que tem uma diversidade grande da flora. O passeio foi muito bom, a comida está maravilhosa. Foi tudo muito divertido. Tive novas experiências e muito aprendizado. Acho muito interessante conhecer a cultura de cada cidade", disse.
Manuela Souza, estudante do curso técnico Guia de Turismo do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), lembra que geralmente se conhece muito de outros estados, mas pouco da cultura local. "Esse projeto traz bastante conhecimento. Muitos desses lugares eram desconhecidos para mim. Nós temos um grande potencial. Temos que ter um olhar cultural e turístico da nossa cidade. Me surpreendeu ver o potencial e a resistência dessas pessoas". Em cada lugar, os visitantes aproveitaram para comprar adubos e mudas de plantas, livros do Mestre Apolo e maquetes de casas ribeirinhas.
"É muito gratificante mostrar um pouco do nosso trabalho, do saber para visitantes que geralmente residem no meio urbano. Aqui a gente tem um olha mais interior, de casa simples. É muito importante eles conhecerem a cultura que vem crescendo. E com o roteiro nós já temos uma visitação garantida", conta o Wildinei Lima, mais conhecido como Zito. Ele é formado em marcenaria e descobriu o artesanato em miniatura depois que participou de uma oficina no Ecomuseu, quando se afastou da marcenaria por motivos de saúde.
Voluntários - O roteiro contou com a participação de voluntários da Escola Técnica Estadual do Pará (EETEPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi.
O turismólogo Adrielson Almeida, colaborador do roteiro na visita guiada, relata que é uma satisfação para ele ir em cada local e ver o esforço dos fazedores de cultura de manter a herança cultural. "Nesse roteiro o visitante conhece a realidade da ilha, fugindo dos pontos turísticos principais, como as praias. É uma satisfação para mim como profissional poder organizar e aprimorar a habilidade de lidar com o público", disse Adrielson, que adianta que o próximo roteiro vai visitar em março a Associação Folclórica Carimbó do Tucuxi, no bairro da Brasília; a Casa de Mariana da Umbanda, no bairro da Água Boa; o Poço dos Cabanos do Cabo Eugênio, no bairro Fidélis; e por último no Ecomuseu da Amazônia, que será reinaugurado no próximo dia 15.
O Ecomuseu da Amazônia é vinculado à Fundação Centro de Referência em Educação Ambiental Escola Bosque Professor Eidorfe Moreiroa (Funbosque) e faz parte do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Todo o passeio foi realizado com o ônibus escolar da Funbosque.
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