JOÃO ALFREDO
Parafusos que poderiam integrar a estrutura dos trilhos do antigo bondinho foram encontrados durante a obra (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
Fragmentos em cerâmica e restos de metais pertencentes à estrutura dos trilhos do antigo bondinho que circulava na área comercial da cidade, são alguns dos achados provenientes do serviço de arqueologia ligado à obra de drenagem profunda e calçamento superficial que a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) mantém na rua João Alfredo, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) há 15 dias. O prazo de entrega da obra é o início de dezembro deste ano.
O trabalho na João Alfredo é uma das quase 70 obras que a administração municipal executa atualmente na capital paraense. Na manhã desta sexta-feira, 31, as equipes de engenharia da Sesan realizavam a troca de tubos, enquanto um grupo de arqueólogas trabalhava em escavações em pontos da obra. Um desses pontos está situado na avenida Portugal, próximo à entrada da rua João Alfredo. Lá está à vista um trecho dos trilhos do antigo bondinho datado do início do século XIX, que estão preservados, mas que abaixo comportarão um poço de visita e as tubulações do sistema pluvial que inicia na rua João Alfredo e segue sentido avenida 15 de novembro.
Tombamento – Por se tratar de um centro histórico e patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra na rua João Alfredo, localizada na área comercial de Belém, contará com o serviço de arqueologia, responsável por garantir a preservação histórica do local e de possíveis objetos encontrados durante escavações. O trabalho arqueológico teve início nesta semana.
“É uma obra meticulosa e que merece cuidados redobrados na execução. Estamos trabalhando de forma conjunta com as equipes de engenheiros e de arqueólogos no sentido de manter o aspecto histórico no centro comercial e proporcionar mobilidade naquela área da cidade, mas entregar uma importante via dentro do complexo turístico da cidade”, destacou Claudio Mercês, secretário municipal de Saneamento.
O trabalho de arqueologia vai acompanhar toda atividade de engenharia de colocação de tubulações e canaletas. De acordo com Amanda Seabra, coordenadora de Arqueologia da empresa atuante na obra, o acompanhamento se dará em todo o tempo de execução e seguirá as regras estabelecidas. “A legislação exige que em casos de obras com escavação e modificações no solo em regiões tombadas, como o caso dessa área, o acompanhamento arqueológico por conta dos fragmentos possíveis de serem encontrados, que ajudarão a contar a história de sociedades do passado”, disse a coordenadora. Com escavações, análises de solo e identificações de áreas com possíveis objetos, o serviço arqueológico é realizado. Todo material terá uma curadoria específica com a limpeza técnica e catalogação sob o acompanhamento do IPHAN.
Status - Após a definição de esgoto e saneamento, a Sesan avançou com a demolição das calçadas, mas já iniciou a estruturação do espaço de visita subterrânea e drenagem profunda. O primeiro trecho da obra segue até à travessa 7 de Setembro, mas o trabalho vai até à travessa Frutuoso Guimarães às proximidades da praça das Mercês. A Secretaria, mediante serviço da empresa de engenharia, contará com o trabalho noturno de demolição das calçadas devido o horário de fechamento das lojas.
Ruy Ribeiro, 45, é comerciante e acredita no ganho para lojistas e trabalhadores informais que atuam na rua João Alfredo e às proximidades. “Acredito que a rua vai ficar em boas condições e possibilitar melhor acesso ao público”, conta o vendedor de capas para celular. Da mesma maneira, Jeová Quaresma, 57, aposta no resultado do serviço da prefeitura. “Acho que a obra vai melhorar o ambiente, vai ser bom para o centro comercial, para todos os lojistas e ambulantes e para as pessoas que freqüentam aqui, inclusive os turistas. É dinheiro que vai entrar”, afirma o vendedor de frutas e água mineral.
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