PROJETO

Musicalização auxilia na recuperação de dependentes químicos

Tratamento tira o foco do uso de substâncias e encoraja comportamentos saudáveis

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No Brasil, cerca de 6% da população brasileira é dependente químico, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que caracteriza 12 milhões de pessoas. A dependência química, segundo a OMS, é caracterizada como uma doença multifatorial, abrangendo um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de uma determinada substância.

A musicalização tem sido utilizada como uma das ferramentas que tem auxiliado no tratamento da dependência química devido aos inúmeros benefícios que proporciona, como relaxamento, diminuição da ansiedade, melhora na comunicação e capacidade de expressão, assim como encoraja comportamentos saudáveis. “Utilizamos essa ferramenta como coadjuvante, pois como a dependência química é uma doença multifatorial, requer um acompanhamento multidisciplinar. A música tira o foco do uso de substâncias e ajuda na capacidade de concentração”, explica Mônica Azevedo, diretora da clínica médica Voo de Liberdade.

Para o músico paraense José Luiz Maneschy, que ministra aulas de musicalização na Clínica Médica Voo de Liberdade, a música contribui para o resgate, desintoxicação, reabilitação e prevenção a recaídas, assim como na reinserção social de dependentes químicos. “A auto-estima acaba sendo elevada, pois a música desperta talentos adormecidos, podendo desenvolver e reconhecer potencialidades musicais. Auxilia também na descontração e na adequação dos distintos níveis, como cognição, atenção, foco e etc”, destaca o músico.

Superação

A música ajudou o estudante, João Pedro Moura, a superar as drogas.  “Fiz tratamento na Voo de Liberdade contra a dependência química e o álcool, e lá, através das aulas do professor Maneschy, fui desenvolvendo habilidades musicais e fortalecendo laços de companheirismo, que contribuíram para uma melhor mudança de comportamento”, conta João.

Durante o tratamento, João conheceu os jovens Marcelo e Gabriel, e juntos formaram a banda Pai D’égua em 2022. “Um dos objetivos sempre foi de levar uma mensagem de renovação e  busca de qualidade de vida sem uso de álcool e outras drogas, com um espírito positivo e saudável para centros de tratamentos de dependência química, hospitais psiquiátricos, escolas, e em locais de diversos segmentos religiosos e filantrópicos, usando a música como fator transformador, de motivação e superação de vida, vencendo as dificuldades, estimulando a expressão artística e criativa como terapia e entretenimento para aliviar e combater sintomas de estresse, ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental e social”, ressalta.

Ao longo dos anos, outros companheiros de recuperação também se somaram ao projeto musical e passaram a se encontrar para ensaiar, compor e desenvolver repertórios de vários estilos musicais como Carimbó, Rock, MPB, Bossa Nova, Música Junina, entre outros. “Os integrantes foram se voluntariando para tocar em alguns eventos e confraternizações do próprio Voo de Liberdade. Já fizemos apresentações em eventos regionais, assim como a nível nacional, levando um pouco da nossa cultura paraense”, finaliza João.

Voo de Liberdade

A Clínica Médica Voo de Liberdade oferece tratamento especializado voltado para dependência química e outras doenças psiquiátricas tanto para o público infanto-juvenil, quanto para o adulto. Hoje a clínica disponibiliza três unidades de atendimento: Unidade de Ressocialização e Ambulatorial Voo de Liberdade (Avenida José Bonifácio, 307, entre Domingos Marreiros e Antônio Baena, no bairro de Fátima), Unidade de Internação – Dependência Química Voo de Liberdade (Rua Ó de Almeida, 545, entre Presidente Vargas e Frei Gil, Campina) e Clínica Psiquiátrico de Urgência Infanto-Juvenil e Adulto (Travessa Presidente Pernambuco, 378 e 388, Batista Campos). Além de contar com uma equipe multidisciplinar formada por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, enfermeiros e nutricionistas.