AMAZÔNIA
Nesta quinta-feira, 22 de maio, quando se celebra o Dia Internacional da Biodiversidade, o Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia se destaca como exemplo de preservação ambiental em pleno centro urbano de Belém. A data ganha um significado ainda mais especial com a chegada recente de duas novas integrantes da fauna do bosque: uma arara-canindé (Ara ararauna) e uma arara-macau (Ara macao), aves que passaram por um processo cuidadoso de adaptação antes de serem inseridas no ambiente.
Resgatadas pelo Batalhão de Polícia Ambiental, no município de Terra Alta, nordeste paraense, as aves chegaram ao Bosque em março deste ano. Segundo o biólogo do Bosque Rodrigues Alves, Tavison Guimarães, o procedimento de inserção das araras foi conduzido com rigor técnico e respeito ao bem-estar animal.
“Primeiramente, esses animais passaram por um período de adaptação; todos os exames foram feitos, de sangue e fezes, para ver se não tinham parasitas ou se estavam com algum tipo de alteração na saúde”, explicou o biólogo.
Após os exames e um primeiro período de adaptação, as aves começaram a ser gradualmente introduzidas ao parque em meados de abril. “Depois desse processo, eles vieram para um local específico onde a gente cuida deles e ficou observando durante um mês para que pudessem se adaptar ao novo ambiente. Depois começamos a introduzir eles no parque para os visitantes terem acesso”, detalhou Tavison.
Segundo ele, a adaptação foi feita de forma progressiva e acompanhada de perto pela equipe técnica. “No início essa adaptação é bem lenta. Nesse período, tem alguns animais que querem fugir, então a gente ficava monitorando eles durante o dia, colocava eles de manhã cedo e no final da tarde recolhia para o recinto. Foram duas semanas nesse processo até começarmos a deixar eles durante a noite pelo parque”, contou.
O biólogo destaca que o comportamento das araras foi positivo e indicativo de uma adaptação bem-sucedida. “Elas não tentaram fuga em nenhum momento, não apresentaram nenhum tipo de comportamento anormal, como mutilação ou estresse. Aqui, elas têm toda a assistência de profissionais da área — biólogos e veterinários — que dão suporte para que possam se sentir cada vez mais ambientados aos espaços em que estão”.
Além das araras recém-chegadas, o Bosque abriga cerca de 230 animais cativos, sendo a maioria quelônios — com 35 jabutis e 180 cágados —, além de outras espécies que compõem a diversidade faunística do espaço.
Administrado pela Prefeitura de Belém por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Semmac), o Bosque Rodrigues Alves representa um espaço essencial para a educação ambiental, lazer e preservação da biodiversidade. Com 15 hectares de área total, o bosque é um dos principais cartões-postais de Belém, localizado na movimentada avenida Almirante Barroso. Mais do que um ponto turístico, é um verdadeiro fragmento da floresta amazônica preservada dentro da cidade, onde mais de 10 mil árvores, distribuídas em mais de 300 espécies, formam um ecossistema singular.
Desses 15 hectares, mais de 80% são áreas verdes, enquanto os outros 20% correspondem aos caminhos e espaços destinados à circulação de visitantes. Em média, o local recebe 20 mil pessoas por mês, que têm a oportunidade de vivenciar a biodiversidade amazônica sem sair da capital paraense.
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