ZERO A SEIS ANOS

"Papo de Primeira" debate ações para a primeira infância em Belém

Iniciativa da Superintendência da Primeira Infância de Belém discute promoção do conceito de "cidade amiga da criança"

Flávia Marçal, superintendente da Primeira Infância de Belém, destacou as ações da pasta (Foto: Elck Oliveira/Secom)

A prefeitura de Belém, por meio da Superintendência da Primeira Infância de Belém, realizou, na tarde desta terça-feira (27), no auditório solene da sede da seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PA), o evento "Papo de Primeira: Cidade Amiga da Criança - Urban 95", que teve como objetivo discutir e promover o conceito de "cidade amiga da criança". O foco é a importância de ambientes urbanos capazes de atender às necessidades das crianças e suas famílias, especialmente nos primeiros anos de vida.

 Convidada especial do evento, a Urban 95 é uma iniciativa internacional da Fundação Van Leer que visa incluir a perspectiva de atendimento a bebês, crianças pequenas e seus cuidadores no planejamento urbano, nas estratégias de mobilidade e nos programas e serviços destinados a esse público. Recentemente, a prefeitura de Belém assinou carta de intenções com a Urban 95 para desenvolver esse conceitos na capital paraense. Na ocasião, a superintendente da Primeira Infância de Belém, Flávia Marçal, também apresentou aos presentes - principalmente engenheiros, arquitetos e urbanistas, além de membros de organismos da sociedade civil organizada - as ações da Superintendência, criada nesta gestão, até aqui. 

A procuradora do Estado e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes da OAB/PA, Ivana Passos, que atuou como mediadora no evento, lembrou que já existem diversos marcos legais que garantem os direitos desse público. “Esse é um assunto muito importante, mas que, às vezes, fica tão invisibilizado na nossa sociedade. Sabemos que no marco legal da primeira infância, estão colocadas algumas obrigações, especialmente no que diz respeito à criação de políticas públicas voltadas para a inclusão desse público da primeira infância, de zero a seis anos, que viabilizem a acessibilidade dessas crianças, o brincar e o desenvolvimento saudável. O brincar tem uma função fundamental, que é aprimorar o desenvolvimento saudável, cognitivo e a sociabilização da criança”, frisou. 

A superintendente da Primeira Infância de Belém, Flávia Marçal, destacou a importância da visibilidade da pauta da primeira infância e sua interseccionalidade, além da formação e debate, temas prioritários para a atual gestão do município de Belém. “Esse é um projeto que tem por objetivo também começar a conectar a Superintendência com o trabalho que já vem sendo realizado por diversas entidades, além de apresentar a própria Superintendência, que nasceu da percepção de que Belém precisa de uma mudança de perspectiva sobre as infâncias na Amazônia, porque, durante muito tempo, toda a nossa presença sempre foi no sentido de atuar quando a violação de direitos já tinha ocorrido, para tentar minimizar os impactos. E a Superintendência surge com a ideia e o compromisso de repensar e reestruturar as políticas públicas voltadas para a primeira infância, que é o nosso campo prioritário, mas a gente já compreendeu que vai precisar abraçar todas as infâncias da Amazônia com mais cuidado, a gente quer pensar uma cidade com um planejamento de infância e adolescência”, explanou. Segundo ela, alguns projetos já estão em andamento, a partir dessa nova perspectiva, como é o caso da Primeira Praça da Infância de Belém, que será implantada onde hoje funciona o Horto Municipal. 

A consultora em urbanismo da Urban 95, Marieta Colucci, informou que a entidade apoia cidades do Brasil inteiro a pensar políticas públicas voltadas para as crianças. A rede já está presente em mais de 30 cidades por todo o País. “A primeira infância é um período primordial no desenvolvimento do ser humano e se a gente não constrói bem essa fundação, a casa não vai ficar de pé. Então, olhar para a primeira infância é muito importante para desenvolver uma sociedade como um todo. Atuamos, entre outros eixos, na área de aprimoramento dos espaços públicos e espaços urbanos a que as crianças têm acesso, sempre buscando o contato com a natureza. Ou seja, a gente fala de crianças e cidades porque 83% das crianças brasileiras vivem em espaços urbanos e nem sempre eles são acolhedores para essas crianças”, observou. 

A consultora em urbanismo da Urban 95, Marieta Colucci, informou que a entidade apoia cidades do Brasil inteiro a pensar as pautas da primeira infância - Crédito: Elck Oliveira/Secom

A superintendente Flávia Marçal lembrou que, no último sábado (24), a prefeitura de Belém e a Urban 95 assinaram protocolo de intenções em evento no Bosque Rodrigues Alves e que a Praça da Primeira Infância de Belém deverá ser o primeiro fruto desse trabalho em conjunto. O objetivo é que outras praças e espaços públicos com essa temática possam ser implantados por toda a cidade

Participaram do encontro representantes da Guarda Municipal de Belém, Fasepa, Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Fonoaudiologia, Unicef, Polícia Militar, Funpapa e Agência Reguladora Municipal de Belém (Arbel).

Participaram do encontro engenheiros, arquitetos e urbanistas e membros de organismos da sociedade civil organizada - Crédito: Elck Oliveira/Secom

 


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