Desenvolvimento sustentável

Projeto Mariá impulsiona empreendedorismo sustentável entre mulheres na Amazônia

Com capacitação de 100 mulheres da comunidade Mari Mari, iniciativa do Instituto Ambient foca em gestão de negócios, inclusão produtiva e uso da tecnologia para ampliar o impacto da agricultura familiar na região.

(Foto: Divulgação)

Neste sábado, o Instituto Ambient deu mais um passo decisivo no fortalecimento do empreendedorismo sustentável na ilha de Mosqueiro, em Belém (PA), ao visitar a comunidade Mari Mari e anunciar oficialmente a chegada do Projeto Mariá, que capacitará 100 mulheres negras da região em gestão de negócios e práticas de empreendedorismo com foco em sustentabilidade.

A ação foi articulada em parceria com a Associação dos Pequenos Agricultores da Mari Mari (APAMM), que atende atualmente 112 famílias de agricultores familiares. Durante a visita, o presidente do Instituto Ambient, Murilo Monteiro, destacou a importância de conectar comunidades tradicionais à inovação e ao mercado, reforçando que “não existe desenvolvimento sustentável sem o fortalecimento da base produtiva local, e isso passa diretamente pela valorização das mulheres, da agricultura familiar e da tecnologia como vetor de transformação”.

O presidente do Instituto Ambient, Murilo Monteiro, explica os detalhes do projeto.

A cerimônia contou ainda com a presença de Edney Santos (Rede Locais), Ronaldo Cavalcante (Banco de Alimentos Arca de Noé) e articulação de Rodrigo Moura, da Consultoria Visão. Na ocasião, foi doado um computador completo para uso administrativo da APAMM, como parte do projeto “Trabalho Lado a Lado”, financiado com patrocínio da Equatorial Energia e incentivo do COMDAC Belém.

Além da entrega dos equipamentos, foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o Instituto Ambient e a APAMM, incluindo a entidade no programa de assessoramento a organizações da sociedade civil, apoiado pelo Instituto ACP.

O Projeto Mariá, aprovado pelo Edital Diálogos Equatorial, surge como uma resposta concreta aos desafios enfrentados por mulheres negras e agricultoras em áreas rurais. Segundo dados do SEBRAE (2023), mais de 55% dos pequenos negócios sustentáveis no Brasil são liderados por mulheres, e mais de 60% delas relatam dificuldade de acesso a formação empreendedora e apoio técnico. Além disso, o Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental da Pipe Social mostra que empreendimentos sustentáveis crescem em média 23% ao ano, mas a maior barreira ainda é a conexão com mercados e tecnologia.

Para Monteiro, o uso da tecnologia é indispensável nesse processo.

“Tecnologia não é luxo. É condição. Seja para acessar mercados, melhorar a gestão ou comunicar o valor dos produtos, precisamos garantir que as agricultoras e empreendedoras familiares tenham ferramentas e formação adequadas para crescer com autonomia. Nosso papel é ser ponte entre esse talento invisível e as oportunidades que existem.”

A expectativa é que o Projeto Mariá não apenas forme novas lideranças femininas, mas também contribua para o fortalecimento da economia solidária e sustentável na região das ilhas de Belém, integrando saberes tradicionais com inovação social e econômica.

COP 30

A realização do Projeto Mariá em Mosqueiro ganha ainda mais relevância diante do cenário internacional, já que Belém será sede da COP 30, a conferência climática da ONU que ocorrerá em novembro de 2025. Em um momento em que os olhos do mundo se voltam para a Amazônia, iniciativas como essa demonstram que é possível alinhar desenvolvimento socioeconômico com preservação ambiental, por meio do fortalecimento da agricultura familiar, da inclusão produtiva de mulheres negras e da valorização dos saberes locais. O projeto reforça o papel da região como protagonista nas soluções para o clima, mostrando que o combate à desigualdade e a promoção da sustentabilidade caminham juntos.


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