TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA
(Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
A Associação de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO) lançou, durante a Semana do Clima da Amazônia, o 1º de uma série de roteiros cuja finalidade é aproximar o público em geral da cadeia produtiva dos empreendimentos ligados à sociobioeconomia amazônica. O primeiro roteiro aconteceu na sexta-feira, 18, no Sítio da Cruz – Chocolate Regional, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
projetos econselheira da ASS OBIO.
No sítio, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto todas as etapas da produção artesanal do chocolate amazônico: do cultivo do cacau nativo no sistema agroflorestal até a transformação em barras de chocolate, com direito à degustação dos produtos e contato com os próprios produtores. Em uma área urbana, o sítio mostra que é possível produzir com floresta em pé, integrando diversidade de espécies, saberes tradicionais e inovação.
“Queremos mostrar na prática como a sociobioeconomia funciona, conectando as pessoas à história, aos saberes ancestrais, ao sabor e à importância do cacau nativo, tudo isso pertinho da capital”, destaca Tainah Fagundes, coordenadora de projetos e conselheira da ASSOBIO. Ela reforça que a experiência sensorial é fundamental para que o visitante compreenda o valor do produto e de toda a cadeia que o sustenta. “O chocolate regional que se produz ali é resultado de um sistema vivo, coletivo, afetivo e sustentável”, afirma.
O tour pela produção do chocolate amazônico foi comandado pela funcionária do Sítio da Cruz, Luana Machado, moradora de um quilombo no município de Mojú e produtora de chocolate artesanal, a experiência é também uma forma de valorização cultural. “A gente planta, colhe, torra, mói e transforma. Falar disso para outras pessoas é gratificante. Quando elas provam e gostam, dá orgulho”, destacou.
A engenheira agrônoma Claudiana Conceição, que participou da visita, destacou o valor do aprendizado prático. “Foi emocionante relembrar processos da minha infância e ver isso acontecendo dentro da cidade. Entender como a amêndoa vira chocolate, como tudo é aproveitado com respeito à natureza, faz a gente amar ainda mais a Amazônia”, relatou.
O estudante de Medicina Veterinária, Guilherme Francisco, também se surpreendeu com a diversidade do espaço. “Eu achei que veria só cacau, mas encontrei uma agrofloresta com outras espécies como cupuaçu, bacaba, e ainda descobri que o dono criou as próprias máquinas. É tudo feito com muito cuidado e criatividade”.
Outras ações para fortalecer a economia sustentável amazônica
O Sítio da Cruz é apenas um dos 11 roteiros planejados pela ASSOBIO até a COP 30, que será realizada pela primeira vez em uma cidade amazônica. “Todos os roteiros estão sendo pensados para mostrar a potência das cadeias produtivas da bioeconomia amazônica, sempre com foco na valorização das comunidades tradicionais, na inovação sustentável e na preservação ambiental.
A floresta em pé pode, sim, gerar desenvolvimento para todos que vivem nela. Os roteiros mostram isso na prática. Têm sabor, têm história, têm técnica. E, sobretudo, têm gente. É uma resposta concreta à crise climática: produzir sem destruir, cuidar e partilhar os saberes da floresta com o mundo”, destaca Tainah Fagundes, coordenadora do projeto. A iniciativa conta também com o apoio do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Além dos roteiros temáticos, a ASSOBIO lançou, durante a Semana do Clima da Amazônia, a primeira vending machine com produtos da sociobioeconomia amazônica. Instalada inicialmente em frente ao Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, em Belém, a máquina de vendas reúne cerca de 30 itens como chocolates, castanhas, cosméticos e acessórios produzidos de forma sustentável por empreendedores da região.
A iniciativa tem como objetivo aproximar o público - moradores e turistas - da diversidade e qualidade dos produtos amazônicos, promovendo o acesso facilitado e valorizando a produção local. Em breve, a máquina será transferida para outro ponto estratégico da cidade. Até outubro, novas unidades estarão espalhadas por Belém, levando um “pedacinho da Amazônia” a diferentes espaços da capital paraense.
Outra iniciativa que está sendo desenvolvida pela associação é a Vitrine ASSOBIO, um espaço itinerante de exposição e comercialização de produtos desenvolvidos pelos associados da rede, como gin com jambu, molho de tucupi, chocolates, granolas de tapioca, acessórios e cosméticos.
As ações fazem parte da estratégia da ASSOBIO para comunicar ao Brasil e ao mundo o valor econômico, ambiental e cultural da bioeconomia da floresta em pé. Por meio de experiências práticas, vitrines em eventos e integração com espaços públicos e privados, a associação busca tornar os produtos amazônicos mais acessíveis, reconhecidos e valorizados.
Mais sobre a ASSOBIO - Formada por 132 associados em diferentes segmentos, a ASSOBIO é uma instituição representativa que visa promover pequenos e médios negócios dedicados à sócio-bioeconomia na Amazônia, integrando aspectos socioeconômicos e ambientais.
Fundada com o objetivo de fomentar práticas empresariais responsáveis, busca conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação do ecossistema amazônico e o bem-estar das comunidades locais.
Atualmente, os empreendedores da ASSOBIO já monitoram seu impacto na região: somados, os 132 negócios da associação apoiam mais de 87 mil pessoas, espalhadas em 50 mil hectares por toda a Amazônia Legal, onde a bioeconomia tem sido um caminho de renda e preservação.
Saiba mais em: https://www.assobio.org/
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