Amazônia
Em um momento em que o mercado de carbono no Brasil ainda enfrenta desafios de estrutura e credibilidade, a Natura vem consolidando um modelo próprio de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) dentro da sua cadeia de valor na Amazônia. Desenvolvida junto à cooperativa RECA, em Rondônia, a iniciativa materializa a estratégia da companhia ao permitir que a própria comunidade gere créditos de carbono e receba diretamente os recursos, integrando conservação florestal, geração de renda e fortalecimento produtivo.
Parceira da Natura há mais de uma década e fornecedora de bioativos como cupuaçu e castanha-do-Brasil, a comunidade RECA tornou-se um exemplo concreto de como a empresa estrutura sua atuação climática no território. Diferentemente da compensação convencional por meio da compra de créditos de terceiros, o modelo adotado opera no formato de insetting – mecanismo em que a compensação ocorre dentro da própria cadeia produtiva, fortalecendo fornecedores estratégicos e ampliando a previsibilidade no longo prazo.
Um estudo concluído em 2025, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), analisou os impactos socioeconômicos da iniciativa ao longo dos últimos anos e trouxe resultados que mostram associações positivas à participação no projeto por parte de fornecedores, sugerindo que o modelo gera externalidades estruturais positivas na comunidade. Entre os principais resultados, produtores participantes apresentam renda média anual 37% superior a de não participantes. Além disso, 25% dos filhos das famílias envolvidas estão no ensino superior, contra 4% no grupo de comparação. O levantamento também aponta maior capacidade de reserva financeira e acesso a lazer. O estudo foi realizado ao longo de seis meses.
“Optamos por estruturar um modelo de carbono que dialoga diretamente com nossa cadeia produtiva. O estudo reforça que é possível alinhar conservação da floresta, geração de renda e estratégia empresarial com impacto mensurável no território”, afirma Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura.
Na prática
Para a companhia, o modelo representa mais do que compensação de emissões. Ao integrar a agenda climática à operação na Amazônia, a Natura busca aumentar a qualidade e a rastreabilidade dos créditos utilizados em sua estratégia de neutralização, ao mesmo tempo em que fortalece cadeias produtivas estratégicas e contribui para a resiliência das comunidades fornecedoras.
A iniciativa prevê repartição de benefícios entre pagamento individual às famílias e um fundo coletivo, cuja aplicação é definida pela própria cooperativa. Essa governança local tem permitido investimentos estruturantes e ampliado as oportunidades para as novas gerações no território, destacando o protagonismo comunitário.
A iniciativa integra o compromisso público da Natura de adquirir 50% dos créditos de carbono na Amazônia até 2030, combinando redução, compensação e fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O caso RECA demonstra que é possível estruturar uma estratégia de carbono que combine integridade ambiental, impacto social e retorno econômico, transformando conservação florestal em vetor simultâneo de desenvolvimento local e resiliência empresarial.
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