Arte visual
O público poderá aprender com mestres abridores de letras o ofício centenário reconhecido neste ano como patrimônio cultural imaterial do Pará. Promovida pelo Instituto Letras que Flutuam, a programação gratuita, no dia 2 de agosto, em Belém, também inclui visita ao acervo da instituição. As oficinas são gratuitas, têm vagas limitadas, e as inscrições já estão abertas pelo Instagram do instituto (www.instagram.com/letrasqflutuam/).
Com cerca de 100 anos de história, o ofício dos abridores de letras surgiu quando a identificação das embarcações passou a ser obrigatória, dando origem a uma linguagem gráfica própria, marcada por letras ornamentadas, cores vibrantes e estilos desenvolvidos por artistas autodidatas. Neste ano, a manifestação recebeu reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial do Pará, consolidando seu papel como uma das principais referências da identidade visual amazônica.
Durante a programação, os visitantes poderão aprender diretamente com os mestres as técnicas, os traços e os ornamentos que identificam embarcações na Amazônia há gerações. A proposta vai além da demonstração dessa tradição: cria um espaço de transmissão desse patrimônio entre seus detentores e o público, aproximando novos olhares de um saber que reúne memória, identidade e modos de vida ribeirinhos.
Para a pesquisadora e diretora do Instituto Letras que Flutuam, Fernanda Martins, a letra ribeirinha ocupa um lugar central na cultura da região e ajuda a contar a história da Amazônia por meio de sua linguagem visual. "A letra ribeirinha é tão estruturante para a Amazônia quanto a música, a dança ou a comida. Ela expressa território, memória e identidade. Quando os estudantes aprendem esse alfabeto, eles aprendem também a olhar para a Amazônia a partir de seus próprios códigos visuais", afirma.
Patrimônio vivo
A experiência também se estende à produção dos mestres. O público poderá conhecer e adquirir placas pintadas à mão, letras em miriti, livros, camisetas, ecobags e outros produtos desenvolvidos em parceria com os abridores de letras. Inspiradas nas cores, nos ornamentos e nas tipografias tradicionais das embarcações amazônicas, as peças transformam esse patrimônio ribeirinho em objetos contemporâneos sem perder sua essência. A comercialização fortalece a cadeia produtiva ligada aos abridores de letras, amplia a circulação dessa linguagem gráfica e gera renda diretamente para os artistas responsáveis por manter viva essa tradição.
Resultado de mais de duas décadas de pesquisa, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura dos abridores de letras. Desde 2004, o projeto já identificou mais de 130 mestres em municípios paraenses e desenvolve ações de documentação, formação, geração de renda, proteção jurídica e valorização desse patrimônio cultural.
Para Fernanda Martins, o reconhecimento como patrimônio representa um passo importante para a preservação desse saber, mas sua continuidade depende de criar oportunidades para que os mestres compartilhem seus conhecimentos e ampliem as possibilidades de sustento a partir do próprio ofício.
"O reconhecimento como patrimônio cultural imaterial é um marco importante, mas esse saber centenário só continua vivo quando é transmitido. As oficinas criam essa oportunidade de encontro entre os mestres abridores de letras e o público, aproximando as pessoas de uma tradição que expressa memória, identidade e a cultura dos rios da Amazônia. Ao mesmo tempo, a comercialização das peças fortalece o trabalho dos artistas e ajuda a garantir que esse patrimônio continue vivo também como fonte de renda para quem o preserva", afirma.
Serviço
Programação do Instituto Letras que Flutuam
Data: 2 de agosto (sábado) Horário: 9h às 13h Local: Canto do Letras – Travessa Rui Barbosa, 257, Sala 3, Reduto, Belém
Programação
- [object Object]
- [object Object]
- [object Object]
- [object Object]
Inscrições online: https://www.instagram.com/letrasqflutuam/
Relacionadas
-
Sustentáveis
Organização completa 30 anos dedicados à economia da floresta em pé na Amazônia
A história do Instituto Floresta Tropical Johan Zweede (IFT), sediado em Belém, está ligada diretamente à história do manejo florestal sustentável madeireiro da Amazônia. Idealizada pelo engenheiro fl... -
Educação
Futuro Brilhante mobiliza sociedade para arrecadar 200 kits de material escolar para crianças atendidas pelo Coletivo
O Coletivo Futuro Brilhante iniciou uma mobilização para arrecadar 200 kits de material escolar destinados às crianças que participam das ações de prevenção e proteção desenvolvidas pelo coletivo. A c... -
Educação
Futuro Brilhante mobiliza sociedade para arrecadar 200 kits de material escolar para crianças atendidas pelo Coletivo
O Coletivo Futuro Brilhante iniciou uma mobilização para arrecadar 200 kits de material escolar destinados às crianças que participam das ações de prevenção e proteção desenvolvidas pelo coletivo. A c... -
Música
Joelson Pantoja lança primeiro audiovisual da “Rodada de Brega” e celebra um ano de história
O cantor Joelson Pantoja, o Príncipe do Pará, realiza hoje o lançamento oficial do primeiro audiovisual do projeto Rodada de Brega. A estreia acontece às 18h, pelo canal do YouTube Joelson Pantoja. O... -
Música
Joelson Pantoja lança primeiro audiovisual da “Rodada de Brega” e celebra um ano de história
O cantor Joelson Pantoja, o Príncipe do Pará, realiza hoje o lançamento oficial do primeiro audiovisual do projeto Rodada de Brega. A estreia acontece às 18h, pelo canal do YouTube Joelson Pantoja. O... -
Mostra de Curtas
Cine Floresta Digital reúne curtas produzidos por jovens de comunidades tradicionais da Amazônia
A Rede Comunitária Floresta Digital realiza, nesta sexta-feira, 4 de setembro, o Cine Floresta Digital, mostra virtual que reúne três curtas-metragens produzidos por jovens de comunidades tradici... -
O clima muda. Nossa responsabilidade não.
As previsões de que o fenômeno climático El Niño poderá se manifestar este ano com intensidade elevada, talvez uma das maiores dos últimos anos, acendem um alerta para governos, empresas e sociedade....