Dança

Cia Treme Terra celebra 20 anos com estreia de ‘Florestas de Odé’ na região Norte, em Belém

Referência na dança negra contemporânea, companhia retorna ao Pará com espetáculo inspirado em Oxóssi

Referência na dança negra contemporânea brasileira, a Cia Treme Terra chega a Belém em agosto para um momento inédito de sua trajetória: a estreia de Florestas de Odé na região Norte e a primeira circulação do espetáculo fora do estado de São Paulo. A apresentação será no dia 18 de agosto, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Um dia antes, em 17 de agosto, às 19h, o Cine Líbero Luxardo recebe a exibição do documentário Danças Negras. 

A passagem pela capital paraense integra a turnê nacional que celebra os 20 anos da Cia Treme Terra. Depois de Belém, a companhia segue para Parauapebas, onde realiza oficina de Dança Negra Contemporânea e exibição do documentário no dia 20 de agosto, além de apresentações de Florestas de Odé nos dias 21 e 22 de agosto, às 19h, no Centro Cultural de Parauapebas. 

O Pará ocupa um lugar particular na trajetória da companhia. Foi no estado, em 2017, que o grupo teve um de seus primeiros encontros com a região Norte, durante a circulação do espetáculo Terreiro Urbano. O retorno acontece com uma obra que coloca no centro da cena questões relacionadas à floresta, à ancestralidade e às formas contemporâneas de sobrevivência.

“Quando chegamos ao Pará pela primeira vez, em 2017, com o espetáculo Terreiro Urbano, encontramos um território onde urbanidade, floresta, ancestralidade e vida cotidiana se entrelaçam. A força dos tambores, o movimento dos corpos e a diversidade de saberes, modos de vida e expressões culturais passaram a integrar o percurso de pesquisa da Cia Treme Terra”, afirma o diretor João Nascimento.

Com apresentações no Brasil e em países como Alemanha, Bulgária e Bolívia, a Cia Treme Terra desenvolve há duas décadas um trabalho que reúne criação, formação e investigação artística. Sua trajetória foi reconhecida por premiações e programas como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.

A circulação integra o projeto Florestas de Odé – Circulação Nacional em celebração aos 20 anos da Cia Treme Terra, selecionado pela Chamada Instituto Cultural Vale 2025 e realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Instituto Cultural Vale.

Oxóssi entre a floresta e a cidade

Inspirado nas tradições da cultura iorubá difundidas no Brasil, Florestas de Odé parte das múltiplas facetas de Oxóssi, orixá associado às florestas e à caça, para aproximar narrativas ancestrais de questões contemporâneas. Desmatamento, violência contra comunidades que vivem da floresta, permanências da colonização e exploração do trabalho atravessam a criação.

A obra nasceu em São Paulo e constrói também a figura do “Oxóssi da cidade”, que percorre a chamada floresta de pedra e encontra outros modos de caçar, abrir caminhos e levar alimento à família e à comunidade. O arquétipo ancestral se aproxima, assim, do cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras que vivem realidades marcadas pela desigualdade e pela precarização.

A estreia na região Norte cria uma nova camada para essa pesquisa ao colocar uma obra concebida em uma metrópole como São Paulo diante de públicos que estabelecem outras relações com a floresta e com o território.

“No Pará e no Amazonas, a presença da floresta, a diversidade das culturas negras e indígenas, os modos de vida das comunidades tradicionais e as disputas pela terra constituem experiências próprias. A chegada de Florestas de Odé a esses estados coloca a visão construída em uma megalópole como São Paulo em diálogo com públicos que convivem diretamente em outras urbes, bem como com um território com questões intrínsecas da Amazônia”, explica João Nascimento.

Para o diretor, a circulação permite que a própria obra seja atravessada pelos lugares onde chega.

“A dança participa desse movimento como linguagem viva, sensível ao espaço, ao público e à atmosfera de cada lugar. A arte formula perguntas cujas respostas podem surgir como mosaicos de pensamentos e possibilidades. Retornar ao Norte com Florestas de Odé representa essa possibilidade de troca, colocando a poética do espetáculo em diálogo com os saberes, as memórias e as percepções de cada território”, afirma.

‘Danças Negras’

Além do espetáculo, a programação em Belém inclui a exibição de Danças Negras, documentário que reúne depoimentos de nomes das artes, da cultura popular e da produção intelectual brasileira, como Kabengele Munanga, Makota Valdina, Raquel Trindade, Lia Robatto, Helena Katz, Clyde Morgan, Edileusa Santos e Carlos Moore.

O filme amplia a discussão sobre a presença da arte negra na contemporaneidade e integra a proposta da circulação de aproximar criação artística, formação e reflexão.

As atividades contam com recursos de acessibilidade. As apresentações e rodas de conversa terão intérprete de Libras, enquanto o documentário será exibido com Libras, audiodescrição e legendas descritivas.

SERVIÇO

Cia Treme Terra em Belém

Cia Treme Terra em Belém

17 de agosto Exibição do documentário Danças Negras Local: Cine Líbero Luxardo Horário: 19h

18 de agosto Florestas de Odé Local: Teatro Margarida Schivasappa Horário: 20h


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