SAÚDE
Mais atentos à própria imagem, homens deixam antigos tabus de lado e passam a buscar procedimentos cirúrgicos para suavizar sinais do envelhecimento e melhorar aspectos que geram incômodo.
O cuidado com a aparência deixou de ser um território predominantemente feminino. Cada vez mais atentos à saúde, à imagem e ao bem-estar, os homens vêm incorporando à rotina hábitos e tratamentos que, durante muito tempo, encontraram maior resistência entre o público masculino. Esse movimento também chegou aos consultórios de cirurgia estética, com uma procura crescente por intervenções na face.
Para o cirurgião dentista Pedro Graziani, a mudança está relacionada a uma nova percepção sobre o autocuidado masculino.
“Hoje, o homem encara com muito mais naturalidade a possibilidade de cuidar da aparência. Na maioria das vezes, ele não chega ao consultório querendo uma grande transformação. O que busca é corrigir algo que o incomoda, suavizar sinais do envelhecimento ou recuperar uma aparência mais descansada, sempre preservando suas características”, explica Graziani.
Segundo o especialista, a procura ocorre em diferentes faixas etárias e as queixas variam de acordo com cada fase da vida. Enquanto pacientes mais jovens podem procurar correções relacionadas à estrutura e às proporções da face, com o avanço da idade tornam-se mais frequentes as preocupações com flacidez, excesso de pele, bolsas ao redor dos olhos e perda da definição dos contornos faciais.
Entre as cirurgias que podem fazer parte dessa busca estão procedimentos como rinoplastia, blefaroplastia, lifting facial e cervical, além de outras técnicas indicadas de acordo com a anatomia e as necessidades individuais de cada paciente.
“A face tem um impacto muito importante na maneira como nos reconhecemos e como nos apresentamos. Por isso, quando falamos em cirurgia facial, o planejamento precisa ser extremamente individualizado. Não existe um mesmo procedimento ou resultado que funcione para todos”, ressalta.
Naturalidade ganha espaço
A mudança no comportamento masculino também aparece nas expectativas levadas ao consultório. Em vez de alterações muito evidentes, muitos pacientes procuram resultados discretos, capazes de promover rejuvenescimento ou melhorar determinada característica sem descaracterizar o rosto.
“O paciente masculino, de maneira geral, valoriza bastante a naturalidade. Ele quer perceber uma melhora, mas sem perder a própria identidade. Na cirurgia facial, isso é ainda mais importante, porque estamos intervindo justamente na região que mais nos identifica”, destaca Graziani.
Essa transformação acompanha uma mudança mais ampla na maneira como a sociedade encara a vaidade masculina. Cuidar da aparência passou a estar mais associado à autoestima e ao bem-estar do que aos antigos estereótipos relacionados aos procedimentos estéticos.
“Não existe uma idade certa ou uma obrigação de realizar uma cirurgia estética. A decisão deve partir de um incômodo real do próprio paciente e de uma indicação adequada. O papel do profissional é entender essa expectativa e mostrar, com clareza, o que pode ou não ser alcançado”, pontua.
Cirurgia exige indicação, planejamento e segurança
Com a maior procura por cirurgias estéticas da face, Graziani reforça que a decisão deve ser acompanhada de avaliação criteriosa. Diferentemente de tratamentos não cirúrgicos, uma cirurgia envolve anestesia, recuperação, cicatrização e riscos que precisam ser discutidos individualmente.
Antes da intervenção, fatores como condições de saúde, anatomia facial, qualidade da pele, histórico clínico e expectativas do paciente devem ser considerados para definir a melhor estratégia.
“Cirurgia estética não pode ser banalizada. O paciente precisa entender qual é a indicação, como será o procedimento, quais são os riscos, como funciona a recuperação e quais resultados são realisticamente possíveis. Uma boa indicação começa muito antes do centro cirúrgico”, afirma.
O especialista também alerta para a influência das redes sociais na construção de padrões estéticos e reforça que referências externas não devem substituir uma avaliação individual.
“Não devemos buscar reproduzir o rosto de outra pessoa ou seguir uma tendência simplesmente porque ela está em alta. Cada face tem suas proporções e características. Um bom resultado cirúrgico é aquele que respeita essa individualidade e consegue promover uma melhora sem apagar a identidade do paciente”, finaliza Pedro Graziani.
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