Muito além das redes sociais, especialista alerta para a importância da reputação digital na área da saúde

Antes de marcar uma consulta, muitos pacientes procuram informações sobre o profissional de saúde na internet. Pesquisam sua formação, observam os conteúdos publicados e buscam elementos que transmitam confiança. Nesse cenário, a presença digital de médicos e clínicas passou a representar uma parte importante do relacionamento com o público. Mas estar nas redes sociais é suficiente para construir uma reputação profissional?

Para Ruama Cardoso, especialista em posicionamento na área da saúde, a resposta está na diferença entre simplesmente produzir conteúdo e desenvolver uma estratégia de comunicação. “Não é apenas um post. Tudo começa pela estratégia. A comunicação precisa ter clareza de objetivos, transmitir confiança e mostrar ao paciente quem é aquele profissional, quais são seus valores e como ele conduz seu trabalho”, explica.

Segundo a especialista, um dos principais equívocos de médicos e clínicas é acreditar que uma presença digital eficiente depende apenas da frequência de publicações, de vídeos bem produzidos ou de uma identidade visual atraente.

Ela explica que o posicionamento profissional exige coerência entre aquilo que é comunicado e a experiência que o paciente encontra no atendimento. “Um café e um biscoito personalizado não são, por si só, uma experiência para o paciente. Da mesma forma, contratar um videomaker não significa ter uma estratégia de comunicação”, observa.

Para Ruama, o relacionamento com o paciente começa antes da chegada ao consultório e envolve diferentes pontos de contato, como a clareza das informações disponibilizadas, o atendimento da equipe, a comunicação dos serviços e a forma como o profissional transmite segurança.

Nesse processo, a comunicação humanizada ganha importância. “Mais do que apresentar procedimentos e especialidades, é necessário considerar as dúvidas, as necessidades e as expectativas de quem busca atendimento”, destaca Ruama.

Comunicação médica exige responsabilidade

Outro ponto destacado pela especialista é a necessidade de conciliar posicionamento profissional e responsabilidade na divulgação de informações de saúde.

Diferentemente de outros segmentos, a publicidade médica está sujeita a normas específicas do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelecem critérios para a comunicação dos profissionais.

Ruama defende que a construção da reputação digital deve respeitar essas diretrizes, priorizando informações relevantes, clareza e coerência com a atuação profissional.

Para ela, o objetivo não deve ser apenas ampliar a visibilidade, mas desenvolver uma presença que contribua para o reconhecimento do profissional e para o relacionamento de confiança com seus pacientes.

“Eu acredito que o dono do negócio precisa ser o rosto da sua marca. As pessoas querem conhecer quem está por trás dos serviços, entender sua forma de trabalhar e identificar valores com os quais se conectam”, afirma.

A especialista ressalta que uma boa estratégia de comunicação deve partir de um diagnóstico sobre a identidade do profissional, seus objetivos e a percepção que deseja construir junto ao público. “Uma comunicação estratégica não começa na escolha de uma foto ou na gravação de um vídeo. Começa quando o profissional entende o que deseja construir, como quer ser reconhecido e de que maneira pode gerar valor para o público”, conclui.


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