Especial Dia das Mães

Mães e filhas: A taquiagrafia une laços e constrói grandes profissionais na Alepa

(Foto: Ozéas Santos )

Letícia e Viviane Renault, mãe e filha, podem dizer que são realmente muito próximas. Além de morarem juntas, elas também compartilham o mesmo ofício. As duas são taquígrafas da Assembleia Legislativa do Pará.

Letícia já tem 39 anos de Casa, entrou por concurso público em 1977, como datilógrafa. “Trabalhei em todas as funções no administrativo aqui da Alepa, e quando a Casa ofereceu um curso de taquigrafia, na gestão do ex-deputado Ronaldo Passarinho, eu aproveitei para ter mais esse aprendizado”, conta Letícia.  Quando o cargo de datilógrafa foi extinto com as evoluções do organograma do Poder legislativo, ela se fixou na taquigrafia, onde atua até hoje.

A experiência profissional e a segurança do cargo público foram fundamentais para Letícia sonhar com a filha seguindo o mesmo caminho. “Eu me formei em administração e comércio exterior”, lembra Viviane. “Mas quando ela soube que teria concurso público na Alepa, me estimulou a fazer a prova. Mais do que isso, ela me apoiou, buscou os recursos necessários para me ajudar na preparação”, conta. “Foi a minha mãe quem soube que eu havia passado e me avisou”, lembra Viviane.

A convocação só foi publicada no Diário Oficial depois. “Vi a convocação no dia 31 de dezembro, avisando os concursados aprovados que a nomeação seria em 15 de janeiro de 2007. Foi um presente de Ano Novo”, diz Viviane.

Embora a convivência entre mãe e filha seja boa, elas admitem que no início, a relação profissional como colegas em um mesmo setor foi difícil. “Ela me observava e era rigorosa nas cobranças para que meu desempenho fosse o melhor. Então, levava bronca da chefe do setor e da mãe quando tinha algum problema”, diz Viviane.

Letícia concorda. “Separar o lado profissional do lado familiar era complicado. Normalmente, não tomo partido, a não ser que seja uma situação de injustiça. Mas não gosto de ver minha filha falhando”, admite Letícia. “Mas hoje, ela é uma profissional experiente, competente e sei que é reconhecida no trabalho”, afirma orgulhosa.

Se perguntarem se alguma delas pensa em mudar de setor para trabalharem mais afastadas, a resposta é simples e direta: “Minha mãe é minha ’marida’. Gostamos de ficar juntas”, brinca Viviane.

HERANÇA DE FAMÍLIA – Trícia Gonçalves, que também trabalha na taquigrafia, sabe bem o que Viviane e Letícia passam trabalhando juntas. Ela mesma também viveu essa experiência com a mãe, Josélia Miranda Gonçalves.

“Minha mãe era taquígrafa aqui no Poder Legislativo, trabalhou aqui por mais de dez anos. Eu comecei a trabalhar aqui com 17 anos, como estagiária. Saí aos 19 para trabalhar em um escritório de advocacia, graças ao que aprendi com ela”, lembra Trícia. “Só voltei para a Alepa em 2007, desta vez aprovada em concurso público. Mas a minha mãe já tinha saído para trabalhar no Tribunal de Justiça do Estado, onde ela mesma passou em primeiro lugar no concurso”, conta.

Para ela, trabalhar com a mãe foi muito bom. “Sempre fomos muito parceiras. Mas era um peso significativo nos meus ombros, porque todos conheciam minha mãe e ela era reconhecida como uma excelente profissional. Eu tive que corresponder altas expectativas por ser filha dela”, avalia.

Mas isso foi tirado de letra, afinal, Trícia aprendeu taquigrafia brincando em casa, com 12 anos de idade. “Costumo dizer que taquigrafia é uma outra língua e minha mãe me alfabetizou em casa”, brinca.

Josélia já está aposentada, mas mãe e filha ainda trocam conhecimentos. “Nosso trabalho depende muito de um profundo conhecimento da língua portuguesa e sempre que tenho dúvidas, recorro a ela. Não tem nada melhor que colo de mãe”, conclui Trícia.


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