Saúde

Nações Unidas elaboram relatório sobre hanseníase no Pará

(Foto: Joice Ribeiro)

Durante a manhã do dia 13, o presidente da Comissão de Saúde da alepa participou de reunião na Defensoria Pública do Estado que tratou sobre o relatório produzido pela ONU no Pará.

Uma doença subestimada, silenciosa e com alto poder de contaminação. A hanseníase coloca o Pará em 4º lugar no ranking nacional de pessoas com a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Hansenologia.

Falta de informação, dificuldades no diagnóstico precoce,  pouco interesse dos profissionais da saúde e a baixa cobertura da atenção básica nos municípios são alguns dos entraves para reduzir a incidência da doença.

Além de todas essas dificuldades, as pessoas com hanseníase ainda precisam enfrentar o preconceito e a falta de acesso a direitos básicos. Por isso, a ONU (Organização das Nações Unidas) está elaborando relatório sobre a doença no Brasil.

O relatório pretende avaliar situações de vulnerabilidade e possíveis violações de direitos humanos.
Alice Cruz, Relatora Especial da ONU, esteve em Belém no último dia 13 de maio, em reunião com representantes da sociedade civil na Defensoria Pública do Estado do Pará. A reunião escutou relatos de vítimas da hanseníase e entidades de defesa e proteção, além do poder público.

O deputado estadual Dr. Jaques Neves, que também é médico e conhecedor dessa realidade, participou como convidado e representou a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Pará que ele preside.
O parlamentar destacou a falta de interesse dos acadêmicos de medicina em estudar a hanseníase, o que, segundo ele, afeta a qualidade do diagnóstico, muitas vezes confundido com micoses e outras doenças menos complexas.
Sensibilizado pelos depoimentos de violação de direitos, Jaques Neves afirmou compromisso de visitar as colônias de Marituba e a do Prata em Igarapé-Açu, que funcionavam como espaços de segregação entre as pessoas que estavam doentes e o resto do mundo.
Uma sessão especial também será convocada pelo parlamentar na Casa de Leis. “Nós não podemos admitir que os nossos irmãos e irmãs sofram com essa doença e a discriminação. A Comissão de Saúde da Alepa está ao lado dessas vítimas e vamos buscar juntos a solução. Esse é o nosso dever”, afirmou Dr. Jaques.

O coordenador estadual do  Movimento de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Edmilson Picanço, relatou situações de maus tratos, violência institucional, separação compulsória dos pais e um histórico de discriminação que o acompanhou desde a infância até os dias atuais.
Edmilson agradeceu a atenção do poder público por olhar a temática de filhos de pessoas com hanseníase separados de seus pais. Ele espera que todos os esforços resultem em resolutividade efetiva para a população.
Esperançoso, Picanço também espera que a sessão especial na Alepa não demore a acontecer. “É extremamente importante o olhar da Comissão de Saúde da Alepa, na pessoa do presidente deputado Jaques, presente aqui hoje”, ressaltou Edmilson. “A sessão especial que ele vai propor nos dá um pouco mais de esperança”, concluiu.

A defensora pública do Estado do Núcleo dos Direitos Humanos, Drª Juliana Oliveira, coordenou o debate e revelou que nenhum caso sobre filhos isolados de pais, vítimas da hanseníase, havia sido denunciado na Defensoria. “Essa reunião provocada pela ONU também serviu para tirar da invisibilidade essa realidade vivida por tantas pessoas no estado e que nós não tínhamos conhecimento”, declarou Juliana.
 
Também estiveram presentes:
Dr. Cláudio Salgado - Presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH); Carlos Cruz - coordenador de combate a hanseníase; representantes do Ministério da Saúde; Ministério Público do Pará; SEASTER; Universidade do Estado do Pará.

 


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