Parcerias

URE Marcello Candia busca parcerias para informatizar o sistema

Recursos de financiamento recebidos do exterior são aplicados integralmente na estrutura e acolhimento da unidade, que hoje ainda arquiva milhares de dados em pastas de papel.

Um banco com mais de 53 mil nomes de pacientes de todos os 144 municípios do Pará armazenados em pastas e mais pastas de papel. A falta de informatização na Unidade Regional Especializada (URE) Marcello Candia, em Marituba, Região Metropolitana de Belém, dificulta o controle do único centro especializado no atendimento e tratamento da hanseníase, atualmente, em todo o Estado. A unidade já conta com dez computadores instalados, mas não há um programa para armazenar e organizar os dados.

A constatação foi feita in loco pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (Alepa), deputado estadual Dr. Jaques Neves (PSC), durante visita à unidade na terça, 11/06. “Além de colocar a URE em conformidade com o meio ambiente por deixar de gastar tanto papel, a informatização pode aprimorar um atendimento já realizado com excelência, dedicação e muita humanização para com os nossos irmãos afetados pela doença”, reiterou o parlamentar.

A visita também teve como mote a Audiência Pública realizada na Alepa para debater o assunto, no mesmo dia em que o Dr. Jaques conheceu as instalações da URE Marcello Candia e também do abrigo João Paulo II, localizado próximo à unidade e destinado para pessoas atingidas pela hanseníase que abandonados pela família. A Audiência Pública realizada no auditório João Batista foi uma proposição conjunta das comissões de Saúde e de Direitos Humanos.

Modelo - O mérito, no entanto, precisa ser dividido com o Instituto Marcelo Cândia, um centro de filantropia italiano com sede em Milão e que destina, anualmente, verbas para muito das aquisições e estruturação da unidade. Os mais recentes recursos estão sendo aplicados na reforma de uma das alas do abrigo João Paulo II.

“A qualidade no atendimento tem a ver com a correta aplicação de tudo o que recebemos como doação. Representantes da instituição italiana realizam visitas técnicas para verificar o andamento da parceria. É uma experiência que tem rendido frutos excepcionais ao Pará”, explicou a irmã Neli Zachertz, coordenadora do abrigo e dona de uma experiência que conta com passagens por diversos países do continente africano, inclusive em tempos de guerra civil, nos muitos anos de trabalho humanitário.

Por ser a única especializada no setor em todo o Pará, a URE Marcello Candia também funciona como centro de capacitação para agentes e médicos do interior paraense. Toda semana, turmas com 20 horas de uma capacitação que envolve medicina, psicologia, assistência social, terapia ocupacional e fisioterapia são formadas e destinadas para profissionais das mais distantes regiões do Pará.

“O ideal, no entanto, seria  descentralização do serviço. A Sespa precisa assumir, ela mesma, a implantação do serviço de atendimento à hanseníase no interior do Pará. É um absurdo saber que tem paciente vindo de Itaituba para Marituba buscar tratamento em hanseníase”, pontuou o deputado Jaques Neves. Os pacientes da URE também contam com uma oficina que produz calçados sob medidas para quem convive com sequelas físicas nos pés e pernas.

Outras demandas - Além da informatização do sistema, a Unidade também precisa de mais cinco médicos dermatologistas, um biomédico (atualmente o laboratório funciona apenas com técnicos), agulhas para realização de diagnóstico preciso e a paridade salarial dos profissionais da URE, que hoje recebem o mesmo que profissionais de um posto de saúde sem especialidades.

“Todos os profissionais da unidade trabalham com dedicação e primor. Estamos sempre nos atualizando em conhecimento e buscando por medicações, recursos e material de apoio que melhore o diagnóstico e evitar o abandono do tratamento. O resultado de tudo isso é um atendimento de excelência”, declarou Fátima Arraes, diretora da URE.

Na condição de presidente da Comissão de Saúde, Dr. Jaques Neves se comprometeu em apresentar as demandas à Sespa, principalmente a que tem como objetivo descentralizar as ações de atendimento à hanseníase. “Estou aqui há 29 anos. Nosso trabalho é um misto de profissionalismo e filantropia, mas é importante que o Estado dê um tratamento especial para o trabalho que fazemos aqui”, destacou a médica dermatologista Nazaré Magalhães.

 
Reportagem: Pedro Paulo Blanco

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