BASTIDORES POLÍTICOS
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O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) está na lista dos 100 políticos mais importantes do Congresso Nacional, segundo lista divulgada recentemente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que em 2023 selecionou 71 deputados federais e 29 senadores, sendo ele o único do Pará nesse ranking.
Para conhecer e contar um pouco mais da trajetória de Zequinha, cujo nome completo é José da Cruz Marinho, nosso site entrevistou o senador amazônida, que nasceu em Araguacema, no Tocantins, em 18 em de setembro de 1959 e em sua jornada defende temas diversos de interesse da Amazônia.
Confira, em nossa entrevista, um pouco mais sobre os temas de maior relevância na pauta do senador do Pará: mudanças climáticas, COP 30, Marco Temporal, garimpo e mineração na Amazônia, o futuro político, social e ambiental do Pará, e muito mais.
Visit Amazônia: Qual o significado dessa indicação do Diap para integrar a “Lista dos 100”?
Zequinha Marinho: Fazer parte desse grupo de parlamentares em ascensão e representar o Pará nesse cenário nacional é algo que aumenta minha responsabilidade, ao mesmo tempo, em que mostra que estamos trilhando o caminho certo da política, da representação. Minha luta é pelo meu Estado. Trabalho para garantir mais ações, projetos e recursos que promovam melhor qualidade de vida à população paraense.
Visit Amazônia: Você é o mais novo membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (Abrasci). Esse mérito também resulta de um compromisso político?
Zequinha Marinho: Recebi o convite para entrar nessa entidade centenária e decidi me somar ao trabalho da Abrasci, cuja missão é valorizar, promover e divulgar os valores morais e intelectuais das pessoas que colaboram com o progresso do Brasil. A entrada para a academia aumenta meu compromisso em continuar cooperando com os avanços da nossa sociedade.
Visit Amazônia: Nosso site é focado em temas de interesse, principalmente, da Amazônia Legal. O que você teria a dizer sobre assuntos como mudanças climáticas, sustentabilidade e o futuro ambiental, social e econômico da Amazônia, em especial dos nove estados que compõem no Brasil?
Zequinha Marinho: Queremos discutir e debater questões de ordem ambiental, mas temos que ter em mente, de forma preponderante, a população de quase 30 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica, e que precisa ser considerada. Um exemplo prático do que estou falando, eu levei ao painel “Desenvolvimento da Amazônia: Visão Política e Interesse nacionais”, dentro da programação da Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias”, promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em setembro passado. Lembrei que no primeiro semestre deste ano, o setor da mineração faturou R$ 120 bilhões. A Amazônia não é só biodiversidade, a Amazônia é também a sustentabilidade social de milhões de brasileiros que habitam a região.
Visit Amazônia: Qual sua opinião sobre esses discursos políticos globais, no contexto da 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças de Clima (COP-30), a ocorrer em Belém (PA) em 2025. Há riscos e oportunidades na vinda desse evento mundial para a Amazônia? Quais?
Zequinha Marinho: Debater o clima e os impactos da elevação da temperatura mundial é algo muito importante, sem dúvida. Ter a Amazônia no centro desse debate é simbólico e fundamental. Ainda assim, além dos debates, penso que a cidade precisa se estruturar para que fique um legado à sua população. Como explicar aos líderes mundiais que Belém, futura sede da COP 2025, tem apenas 3,63% das residências cobertas com tratamento de esgoto? Esse esgoto não tratado é despejado nos rios, vai para o mar e impacta diretamente na vida das algas, que fazem a troca do gás carbônico por oxigênio. Precisamos também discutir isso e pensar em investimentos para melhorar a qualidade de vida da população daqui.
Visit Amazônia: Um tem muito explorado nos bastidores políticos nas últimas eleições e que tem ganho desdobramentos muito impactantes se refere a presença de garimpos na Amazônia. Na sua visão, o que pode ser dito e feito a respeito?
Zequinha Marinho: Estou lá na Frente Parlamentar da Mineração Sustentável com o propósito de construir novas políticas e perspectivas para viabilizar a transformação das atividades do setor mineral. E assim vale para a Amazônia. Pegar como exemplo o meu próprio estado, o Pará, o qual possui altas taxas de informalidade no mercado de trabalho que ultrapassa a casa dos 60%. Uma das cidades que mais criou vagas de trabalho no primeiro semestre de 2023, Canaã dos Carajás (PR), possui vocação natural para a mineração, sendo sede do maior projeto de minério de ferro da Vale. Sempre defendo a importância da exploração das riquezas para o desenvolvimento social e econômico do país.
Vejam só o poder da mineração em transformar a realidade de uma cidade. Se Canaã do Carajás está entre os cinco municípios que mais empregaram no primeiro semestre, isso é por conta da mineração. Não podemos negar esse fato, não é outra coisa, não é milagre, é a economia gerada pela mineração.
Visit Amazônia: E sobre o polêmico Marco Temporal, qual sua opinião?
Zequinha Marinho: Muito importante para o Brasil neste momento de tanta preocupação, principalmente por parte de municípios que foram ou estão sendo atingidos pela queda do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal. Passamos com o projeto do Marco no Senado e agora segue para sanção. Vamos devolver paz e segurança jurídica no campo.
Visit Amazônia: Quanto ao futuro político, social e econômico do Pará? Está em boas mãos?
Zequinha Marinho: A população é que poderá dizer isso. O que me preocupa é a gestão que está sendo feita. Veja, esse governo já tomou mais de 12 empréstimos, endividando o Pará em mais de R$ 10 milhões. Um governo que comemora aumento de arrecadação tem razão para pegar empréstimo? Endivida a população, sim, pois infelizmente é ela que vai pagar por isso e tem sua capital numa condição de subdesenvolvimento do ponto de vista do saneamento. Falar que apenas 3,63% das residências de Belém contam com o serviço de tratamento de esgoto dá bem a dimensão desse problema.
PERFIL – Zequinha Marinho já trabalhou como comerciário, técnico em contabilidade e servidor público municipal. É funcionário licenciado do Banco da Amazônia e formou-se em Pedagogia pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), em Teologia pela Faculdade João Calvino (DF) e em Contabilidade pela Fundação Bradesco – Escola Ministro Jarbas Gonçalves Passarinho, localizada em Conceição do Araguaia, no Pará. Evangelista da Assembleia de Deus, é membro da Convenção de Ministros e Igrejas Assembleia de Deus do Estado do Pará – COMIEADEPA e Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB.
Iniciou sua vida política em 1992 como candidato a prefeito – quando, mesmo não se elegendo, obteve a notoriedade política que o levou a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, nas eleições de 1994, chegando à primeira suplência e assumindo o mandato em 1997. Em 1998, é reeleito ao cargo de Deputado Estadual.
Em 2002, Zequinha se candidatou ao cargo de Deputado Federal e foi eleito, se mantendo representante paraense na Câmara dos Deputados por três mandatos consecutivos, tendo sido eleito presidente da Comissão de Legislação Participativa (CLP) e vice-presidente da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA) e atuado ativamente em diversas comissões. Em 2014, quando era vice-governador do Pará também assumiu o Governo do Estado. Em 2018, foi eleito para o Senado Federal e tem o mérito de receber votos de eleitores de todos os 144 municípios paraenses.
No Senado, foi nomeado presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas (CMMC), assim como assumiu a presidência da Subcomissão de Acompanhamento das Obras de Belo Monte e das Frentes Parlamentares em Defesa do Consumidor de Energia Elétrica da Região Norte e em Defesa da Amazônia Legal. É membro de nove Comissões Permanentes do Senado e, em 2019, perante a Comissão Mista de Orçamento (um dos principais colegiados do Congresso Nacional) foi escolhido por seus pares para ser relator da Receita do Orçamento de 2020 – missão de grande relevância para ajudar a União a reduzir o déficit fiscal e aumentar o volume de investimentos no país.
Leia também: Zequinha Marinho entra para a Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (Abrasci).
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