Música

Luedji Luna volta a Belém com nova turnê e fala sobre relação com a Amazônia

Cantora se apresenta em 1º de outubro, no Teatro Estação Gasômetro, e reúne no palco os álbuns “Um Mar Pra Cada Um” e “Antes Que A Terra Acabe”.

“Belém sempre me emociona.” É assim que Luedji Luna descreve a relação com a capital paraense, onde se apresenta no dia 1º de outubro, no Teatro Estação Gasômetro. A cantora retorna à cidade com a turnê “Um Mar Pra Cada Um, Antes Que A Terra Acabe”, que reúne os dois trabalhos lançados em 2025.

Em entrevista, Luedji contou que a relação com Belém foi construída ao longo das diferentes passagens pela cidade e destacou a proximidade com o público paraense.

“É uma cidade onde sinto que existe uma escuta muito atenta e muito afetuosa. O público canta, conhece o repertório e estabelece uma troca muito intensa durante os shows. Toda vez que volto, tenho a sensação de reencontrar pessoas que acompanham minha caminhada há bastante tempo, e isso faz cada apresentação ser muito especial”, afirma.

A passagem por Belém integra uma etapa da turnê dedicada ao Norte e Nordeste. Nascida em Salvador, Luedji afirma que levar o espetáculo às duas regiões também significa retornar aos territórios que influenciaram sua formação.

“Primeiro porque sou nordestina. Segundo porque existe uma dificuldade estrutural de levar show para o Nordeste. Preciso contemplar a região que me formou musicalmente, politicamente e como pessoa. Cantar no Norte e Nordeste é cantar em casa”, diz.

Relação com a Amazônia

Ao falar sobre a Amazônia, a cantora relaciona a região a temas como ancestralidade e pertencimento, presentes em sua trajetória artística.

“Pisar na Amazônia é pisar em território ancestral. É um lugar que tem em abundância tudo o que eu cultuo. Em qualquer lugar, eu peço licença para entrar, porque reconheço como sagrado: os rios, a floresta são espaços sagrados. Em várias dimensões, pisar em solo amazônico é estar em casa”, afirma.

No palco, a turnê aproxima os universos de “Um Mar Pra Cada Um” e “Antes Que A Terra Acabe”. Segundo Luedji, a proposta foi transformar os dois discos em uma única narrativa.

“Apesar de terem atmosferas diferentes, os dois discos conversam entre si. No palco, quis que o público atravessasse essas paisagens junto comigo, como se fosse uma única viagem. Pensamos muito nos arranjos, na direção musical, na luz e na experiência visual para que o espetáculo traduzisse tudo aquilo que os discos propõem: intensidade e movimento”, explica.

Nova fase

“Um Mar Pra Cada Um”, quarto álbum de estúdio da cantora, venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira.

Para Luedji, o reconhecimento alcançado nos últimos anos veio acompanhado de mudanças na maneira como conduz o próprio trabalho.

“O reconhecimento amplia o alcance da obra, mas a maior transformação aconteceu dentro de mim. Hoje confio mais no meu processo criativo e entendo que cada trabalho tem o seu tempo de maturação. Me sinto mais livre para seguir a minha intuição e fazer escolhas artísticas sem tentar atender expectativas externas”, afirma.

A apresentação em Belém é viabilizada pelo edital Natura Musical.


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